A Assembleia Legislativa Regional aprovou esta madrugada, por maioria, o Plano de Investimentos da Região para 2009.
A favor do diploma votaram os deputados do PS, CDS/PP e PCP e contra os do PSD, BE e PPM.
Os valores de despesa de investimento público nos Açores previsto para 2009 ascendem a 811,4 milhões de euros.
Deste total, cerca de 533,9 milhões de euros são da responsabilidade directa do Governo Regional enquanto os restantes 277,5 milhões de euros têm origem noutros fundos.
O Parlamento aprovou ainda, com os votos favoráveis do PS, a abstenção do CDS/PP e do PCP e o voto contra do PSD, BE e PPM, as Orientações de Médio Prazo, um documento que consubstancia as políticas governativas para o quadriénio 2009-2012.
A votação terminou por volta das duas da manhã.
O deputado comunista votou ao lado da bancada socialista, depois do PS
ter aprovado três das suas propostas de alteração ao plano, visando
reforçar apoios à habitação, combater a alcool e as toxicodependências
e prevenir o trabalho ilegal.
Aníbal Pires garantiu que o seu voto "não será nunca um cheque em
branco",mas antes uma "exigência de concretização" das acções do
Governo socialista.
Os cinco deputados do CDS/PP também votaram a favor do Plano, depois
de terem visto aprovadas as propostas de criação do "Vale Saúde", para
combater as listas de espera, e de um reforço da rede de cuidados
continuados e paliativos,mas abstiveram-se em relação ao Orçamento.
Artur Lima, líder parlamentar, justificou a votação do seu partido
coma necessidade do Governo não ter desculpas para combater a crise que
afectaas famílias e as empresas.
"É positivo o reforço aos programas e políticas de emprego e
habitação,mas também temos muitas reservas quando ao endividamento e ao
aumento daconcessão de avales", frisou.
Tanto o CDS/PP como o PCP abstiveram-se, por outro lado, na votaçãodas Orientações de Médio Prazo (2009-2012).
Isolados ficaram os restantes três partidos da oposição (PSD, BE e
PPM)que votaram contra o Plano e o Orçamento do executivo socialista e
aindacontra as Orientações de Médio Prazo (OMP).
António Marinho, da bancada do PSD, admitiu ter tido esperanças de
queo Governo aprovasse algumas das suas propostas de alteração, mas
lamentouque a maioria não tenha aceite o desafio.
"De todas estas medidas, recebemos bom acolhimento dos seus
destinatários:as empresas e as famílias", recordou o parlamentar
social-democrata, lamentando,no entanto que do Governo só tenha
recebido "críticas" e "a recusa em as
analisar".
José Cascalho, do Bloco de Esquerda, justificou o voto contra o
Planoe Orçamento e contra as OMP, com a "falta de realismo" dos
documentos.
"Como é possível de forma realista, num ano considerado por toda a
gentecomo um ano de recessão económica, prever o crescimento das
receitas", questionou o deputado bloquista.
Também Paulo Estevão, do PPM, votou contra todos os documentos, por
entender que o actual Governo socialista "dificilmente poderia reunir
piores condições para encarar a actual crise", considerando mesmo que
se tratado "pior Governo da história da Autonomia".
Críticas desvalorizadas pelo líder da bancada da maioria socialista,que
lamentou o discurso habitual de alguns partidos que "dizem mal de tudo".
"Será que não existe um único investimento que mereça uma palavra
dereconhecimento? Um elogio?", perguntou Helder Silva, para concluir
que o Governo não pode apoiar uma proposta de um partido da oposição,
quando sabe que "amanhã esse partido vai dizer mal dessa concretização".