Cultura

Ilha Terceira: projecto experimental de recuperação na Lagoa do Negro


A Lagoa do Negro está a ser alvo de um projecto experimental de recuperação da biodiversidade: turfeiras e aves encontram-se sob investigação.

Ilha Terceira: projecto experimental de recuperação na Lagoa do Negro


A Lagoa está a ser palco de um projecto experimental de recuperação da biodiversidade, pretendendo-se criar as condições para que as aves se estabeleçam, abrindo espaço, simultaneamente, ao ecoturismo sustentável.

Por outro lado, está ainda a ser levada a cabo, no mesmo local, uma investigação sobre turfeiras, os seus diversos tipos, utilizações e restauro, cujo resultado se pretende ver expandido.

O projecto prevê também a introdução de duas dezenas de espécies endémicas raras, com é o caso da "Marsillia Azorica", rara em todo o Mundo, e que é a única espécie endémica da ilha Terceira.

Para Eduardo Dias, investigador e especialista em ecologia vegetal, "o projecto vem devolver, na zona da Lagoa do Negro, no interior da ilha Terceira, o papel de pólo de ligação entre a serra de Santa Bárbara e o Pico Alto, já que constitui um corredor ecológico".

O projecto de recuperação "assume que as aves têm um papel fundamental na criação da biodiversidade" - afirma o especialista - que considera "que os trilhos turísticos na zona estão mal pensados e são pouco rigorosos", precisando que "a presença humana e os ruídos na Lagoa do Negro são constantes, o que impossibilita o estabelecimento das aves".

Eduardo Dias recorda que os Açores "estão no topo das melhores Regiões da Europa para a observação de aves", salientando que passam, anualmente pelo arquipélago, "mais de três centenas de espécies de aves, muitas das quais nidificam".

Uma das aves que, recentemente, foi avistada na Lagoa do Negro foi a Gaivinha dos Pauis, cuja primeira e única referência da passagem da espécie se deu há 50 anos: trata-se de uma ave oriunda do Egipto e de outras regiões húmidas do mediterrâneo.

O programa de monitorização de aves, refere o investigador, "já referenciou a presença rara da garça nocturna".

Carlos Tavares com Universidade dos Açores