Desporto

Ricardo Moura encontra no mar a paz para o stress em terra

 

Piloto de ralis começou a praticar desporto no mar mas um problema nos tímpanos obrigou-o a mudar. Motocross foi experiência passageira mas os gosto pela velocidade continua bem vivo.

Ricardo Moura encontra no mar a paz para o stress em terra

Bodyboard e caça submarina são actividades náuticas praticadas por Ricardo Moura como fuga ao stress do dia-a-dia © Acácio Mateus

 

Já nos habituamos a ver Ricardo Moura como piloto de eleição no desporto automóvel mas o bi-campeão de ralis dos Açores só conheceu a paixão pela velocidade há onze anos quando um problema de saúde o fez suspender temporariamente a modalidade que vinha praticando com maior assiduidade: o bodyboard.

Tinha somente doze anos quando começou a praticar desportos de mar sem nunca imaginar que um dia o destino que lhe iria trocar as voltas. Em 1999, na batalha das limas, em pleno Carnaval, a brincadeira com os amigos resultou num problema nos tímpanos.

Não querendo ficar parado, Ricardo Moura experimentou o motocross mas depressa decidiu-se pelo automobilismo. «Fiz umas provas mas não demorou muito para perceber que não era o desporto mais apropriado pois apesar de gostar da velocidade estava muito mais exposto ao perigo. Acabei por experimentar os ralis depois de dar umas voltas em terra num Toyota Starlet 1200», recordou.

Decidido a não correr riscos no motocross e impossibilitado por motivos de saúde de praticar bodyboard com a regularidade desejada, Ricardo Moura foi ganhando prática nos carros e o gostinho foi sendo alimentado. A primeira presença em provas oficiais foi no rali da Ribeira Grande, também em 1999. Classificou-se em quarto lugar entre os veículos sem homologação.

No mesmo ano participou no rali da Povoação e foi a Santa Maria competir ao volante de um Peugeot 205. A presença no automobilismo manteve-se em detrimento do bodyboard que começou a ficar sem espaço e agora os números falam por si: campeão dos Açores em 2008 e 2009, actual líder do campeonato e onze vitórias à geral numa carreira que só há três anos começou a ter expressão.

Quem o viu, em 1996, após uma prova em Peniche, ser considerado por uma revista da especialidade como um dos melhores bodyboarders de Portugal, nunca imaginaria que pouco tempo depois estaríamos na presença de um dos pilotos de referência no panorama automobilístico nacional. As curvas da vida assim o impuseram e sem mágoa Ricardo Moura encontra espaço para as duas actividades, embora sem a regularidade desejada para os encontros com o mar.

Agora, a prancha e a caça submarina são alternativas aos ralis que lhe permitem «abstrair do stress do dia-a-dia» mas com a família a crescer mais difícil se torna alimentar o gosto de surfar umas ondas. Mesmo assim, Ricardo Moura garante que não vai «desistir de nenhuma» até porque continua a ser no mar que encontra «paz».

Acácio Mateus