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A Graciosa ilha

Crónica (poema) de Victor Rui Dores

A Graciosa ilha


Bendigo o teu nome, ó ilha branca, minha Antília fêmea e feminina. 

Bendigo a limpidez do teu céu e a transparência do teu mar. 

Bendigo as tardes de banho no Carapacho e na Praia. 

E bendigo a tua vila de Santa Cruz, as araucárias da tua Praça, o traçado elegante das tuas casas sóbrias e solarengas, os teus Paúis que espelham quietude e beleza. 

E benditos sejam os teus moinhos de vento e as tuas queijadas que me dão amor. 

E bendita seja a tua aguardente envelhecida em cascos de carvalho, a tua andaia licorosa e o teu vinho Pedras Brancas. 

Bendita seja a doçura meloa dos teus lábios. 

E seja bendita a tua alegria de viver e a folia redonda dos teus bailes de Carnaval. 

Bendita seja a Luz dos teus olhos, ó Maria Encantada do meu sonho, ó Guadalupe do meu encanto! 

Bendito seja o teu povo pacato, afável e laborioso. 

E seja para sempre bendita a tua vulva vulcânica, ou a inquietante beleza da tua Furna do Enxofre. 

Quero-te e desejo o teu corpo salgado! 

E estou sentado à beira da tua memória, ó minha amada, gloriosa e Graciosa ilha. 





Victor Rui Dores