Graciosa Online

André Cunha


Graciosa Taurina  2011-10-25

Esta tradição secular com origem na ilha Terceira, ao longo dos anos tem-se expandido para outras paragens, o que evidência a aficion do povo Açoriano. Na Graciosa, as touradas estão cada vez mais cimentadas, são parte importante das tradições populares desta terra. Freguesia que se preze inclui um ou dois espectáculos tauromáquicos nas suas festividades, que conseguem mobilizar centenas e centenas de pessoas, oriundos da ilha e não só...



Ser Aficionado  2011-11-06

No mundo dos aficionados taurinos a aficion surge de várias formas, uns já nascem com ela por pertencerem a famílias com vasta tradição nas suas gerações, outros são contagiados pela festa brava logo após o primeiro contacto, e ainda há aqueles que aprendem a gostar pouco a pouco, por vezes influência da cultura e das tradições da sociedade em que estão inseridos. Independentemente da forma como a aficion aparece, os aficionados partilham, uns mais do que outros, sentimentos semelhantes pela festa brava. Têm dentro de si a paixão aos toiros, frequentam e sentem-se bem nas tertúlias, não se preocupam com as dezenas de quilómetros feitos para assistir a uma boa corrida, conversam e falam sobre elas com entusiasmo...



Brincar aos toiros!  2011-11-28

As touradas à corda também eram brincadeira de eleição, com maior incidência nas "férias grandes" de verão. O caminho do parque (Rua de São Francisco) era o local predilecto para a dita tourada. Como manda a tradição, quatro toiros eram escolhidos a dedo para criar alvoroço no arraial. Se na Terceira o Albino tinha a Elisa e o "Ti Humberto" o nº52, nos cá tínhamos o "Crakes" (Rui Ramalho) e o "Zé Trovão" (José Cunha) como toiros mais célebres, afamados e perigosos...


A Festa do 5º  2011-12-21

Engana-se quem pensa que a tourada à corda é apenas sinónimo de quatro toiros a correr caminho acima e abaixo. Até podia ser, mas não era a mesma coisa. Começa muito antes do primeiro foguete e perdura depois do último. Em torno desta tradição geram-se muitos outros eventos, autênticos fenómenos sociais. O "Manel das Bicas" e o "José da Bomba" vão aos toiros, chegam um pouco antes de a tourada ter início, param no princípio do arraial e aproveitam para molhar a garganta numa das muitas tascas, com meia bola de vinho de cheiro. Trincam uns amendoins, petiscam umas favas escoadas, enquanto se riem ao ver o "António Malhado" num DVD a ser pegado...



Cultura de Barreira  2012-01-12

Silêncio. Lidar um toiro requer arte, sabedoria, destreza e muita concentração. Ausência relativa ou total de sons é lei imperial para o bom decorrer da faena, visto que, um simples movimento na bancada, uma conversa com volume acentuado, um assobio ali, uma criança a berrar acolá, é suficiente para distrair o toiro e o toureiro. Perde-se a concentração e pode levar a lide a descarrilar. Não se canta o fado, mas toureia-se...



Quando a coisa dá pró torto!  2012-02-06

Há marradas para todos os gostos e de todos os feitios, umas ao de leve e outras mais agressivas, que podem ferir a sensibilidade do espectador. Velhotes que não encontram buraco para escapar, apanham com o animal. Os que apoitam na tasca até criar raízes, apanham com o animal...



Falta de espada, estagnação ou retrocesso?  2012-03-05

A presença de lide apeada numa das corridas era uma mais-valia para o prestígio do certame, trazia outra dinâmica e contentava a gregos e troianos. Será que o trabalho realizado até aqui, no que diz respeito à presença de toureio a pé, não perderá fulgor?..




Tauromaquia, estado: Online!  2012-04-04

Seja pela internet, seja pela televisão, através de jornais, revistas ou livros, pela radio ou pelo telemóvel, na actualidade temos um sem fim de plataformas capazes de nos manter informados sobre a historia e actualidade da festa dos toiros, mesmo que algumas vezes seja uma faca de dois gumes e acabe por manchar a veracidade da informação taurina com falsos boatos, guerras hipócritas e desentendimentos, quando todos devíamos puxar para o mesmo lado, lutar para a boa imagem e desenvolvimento da Festa Brava.



"Eles andem aí!"  2012-04-26

De cima das gaiolas alguém faz sinal ao mesmo velhote, que a 15 de Outubro do ano transacto, passou a tarde a mascar tabaco. A incandescente ponta do cigarro volta a acender o rastilho e lá vai a cana rompendo céu. Bem no alto, um valente estrondo faz estremecer qualquer um, acaba de ser lançado o foguete, sinal de que toiro está prestes a pisar o alcatrão. Cá em baixo reina um burburinho, hormonas nervosas e corações palpitantes. Toiros de corda, sejam bem-vindos... "Eles andem aí!"



Sonhos de menino  2012-05-31

O aglomerado de pessoas cá fora é enorme, aparecem de todas as direcções mas com o "norte" bem delineado. Chicas y senõritas muy guapas! Bem produzidas, com rosetas ao peito, vestes requintadas e chamarizes dos olhos alheios. Senhores de fato, uns como viessem receber um Nobel, outros com exuberantes calças rosa. Brilhantina no cabelo, sapatos lustrados e fumaça debitada pelos velhos charutos. Estão a chegar de algum casamento? Não, é apenas a indumentária para uma tarde de toiros naquela que é considerada a primeira e principal praça de toiros do mundo, Las Ventas.



Pelos arraiais da Ilha Branca  2012-07-02

Quatro toiros fazem correr por quatro vezes uma corda, manifestação popular geradora de multidões, são as Touradas à Corda. É uma festa em que os toiros são prato forte, com tascas, cerveja e bifanas à mistura, para delicia dos devotos ao gado bravo, turistas, emigrantes e "amigos da pinga". Petiscam-se favas guisadas, trincam-se amendoins e pipocas. Para sobremesa ficam os gritos histéricos das mulheres, moças bonitas à janela, rapazes com olhos de engate, homens com samarras debaixo do braço e os velhos em palanques. É assim um pouco por toda a parte, e nós não fugimos à receita.



Aficion Insular  2012-07-30

O nosso "Criador" deseja conceber um lugar e um animal único. Para passar à realidade, de pincel em punho e tela pela frente, lança os primeiros traços e esboça o que viria a ser o planeta Terra. No auge de inspiração surgem nove migalhas de terra, apenas rodeadas por um abrangente mar azul, conjunto de ilhas que alguém baptizou de Açores. Acabara de criar uma das regiões mais belas, sítio de gente acolhedora, humilde e trabalhadora, destino paradisíaco e onde a qualidade de vida prevalece. Para o animal, usou da mesma inspiração e daí nasceu o Toiro, sinonimo de bravura, símbolo de virilidade, algo imponente e majestoso.



Feira da Graciosa 2012  2012-08-24

Os toiros de Falé Filipe saíram fartos em nobreza e de bom comportamento, mas carecendo de trapio e escassos em tamanho. Abriu praça João Moura, que perante uma grande assistência (praticamente cheia) esteve menos bem nos compridos, regular nos curtos mas sem "tourear". No seu segundo viu-se mais do mesmo, uma lide sem história ao quarto da ordem, num toiro que cumpriu como os seus irmãos de camada. O cavaleiro Tiago Pamplona mostrou-se seguro frente a um toiro nobre. Colocou três curtos de boa nota, bregou como mandam os cânones, e culminou a sua actuação com dois ferros de palmo. O segundo do seu lote era o mais bonito da tarde, toiro codicioso ferrado com o número 1.



Bravas emoções  2012-09-19

Adrenalina, risco e surpresa estão sempre lado a lado, são a força que nos move até aos eventos taurinos, rituais carregados de simbolismo e que fomentam um misto de emoções fortes, difícil de explicar a quem apenas acompanha no conforto do sofá. Não há alta definição ou 3D que substitua o cenário real, não há uma transmissão pura e leal da acção, quanto mais a total percepção das emoções que podem ser vividas.



Terminada a temporada taurina  2012-10-16

Na totalidade, realizaram-se 34 espectáculos tauromáquicos no ano de 2012, distribuídos da seguinte forma: 29 Touradas à Corda; 2 Touradas de Praça; 2 Bezerradas; e como novidade a realização de um espectáculo de Variedades Taurinas, nomeadamente uma tourada na Praça do Monte da Ajuda com um grupo de Recortadores. De fazer referência também às ferras de gado bravo que ocorreram no inicio de Junho, nas "casas" de José Lúcio Veiga e Valentim Santos & Dimas Bettencourt.



Serviçais comandantes de bravo   2012-11-22

No dia-a-dia são agricultores, têm as suas lavouras, uns atiram redes ao mar, outros carpinteiros... Mas em dia de tourada trocam a "farda" que lhes dá ganha-pão e passeiam-se arraial abaixo, desfilam orgulhosos pelo meio do povo, mesmo sem passerelle ou tapete encarnado. Para os garotos são heróis, mais do que "Homens Aranha" que lançam teias, "Hulks" que ficam verdes ou um "Dragon Ball" que lança bolas de fogo... Os homens da corda seguram bichos bravos, que guindam paredes, correm que se fartam, perseguem quem lhes atiça. Os homens da corda lidam com toiros. 


Do arraial para nossas casas  2012-12-31

Este é o resultado final de algo que começa muito antes. São precisas horas e horas de filmagens, papel que cabe aos muitos operadores que se vêm pelos arraiais. Chegam com câmara ao ombro e escadote entre mãos. Colocam-se em pontos estratégicos, normalmente postes de electricidade. Não são aves raras mas pousam em ninhos de ferro, aperaltam-se a preceito, e com verdadeiros olhos de falcão aguardam captar aquele momento. Não há grito de "Acção!" nem clique da claquete, o importante é ter atenção. Filma-se o rapazinho que puxa a corda, o vendedor de gelado, velhos á conversa em palanques, música e cantoria, gente que manda beijos para o Canadá e Massachusetts... Enfim, regista-se tudo, e o toiro muitas vezes fica para segundo plano. Já me esquecia, filmam-se também muitas moças bonitas, uns olhares sexys e decotes generosos. Um aviso á navegação, cuidado com os ciumentos! Ou volta e meia cai algum do poste a baixo



Amigos amigos, partidos à parte!  2013-01-31

Estas gentes são aficionados devotos, fiéis militantes que acarretam uma doença que nem nos manuscritos mais ancestrais vem descrita. Pensa-se que seja viral, tal a forma como se transmite, a maneira como ataca e se entranha no sangue. Uma vez infectado, o individuo apresenta como sintoma a cegueira em relação às outras casas de bravo. Fazendo uma comparação ao campo futebolístico, são adeptos das claques organizadas, muito mais pacíficos mas com todo o amor e paixão ao seu clube. No caso, à sua ganadaria. Eis que surge o termo "partido", palavra utilizada no vasto dicionário terceirense para substituir ganadaria.



Olivença / Olivenza  2013-04-29

Olivença anda na boca do mundo taurino, recebe a primeira feira importante da temporada. Ao longo de três ou quatro dias é epicentro tauromáquico, e como romeiros na quaresma, aficionados ibéricos fazem questão de marcar presença e assistir às faenas dos "Ronaldos" e "Messis" dos toiros, um certame que prima pela qualidade das suas figuras (top 10), e que faz gerar receitas na ordem dos cinco milhões de euros naquela zona e arredores. Cinco milhões!

 

Ricas touradas de praça  2013-06-03

Os toiros apanharam o barco e chegaram à Graciosa, primeiramente na versão de rua, com as touradas à corda, importadas da Terceira. Pelo meio de certezas óbvias, deduzo que a aceitação tenha sido deveras positiva, motivo pelo qual na segunda metade do século XX tenha havido um aconchego das touradas de praça ao povo da Ilha Branca. Uma relação que se tornou forte ao longo dos tempos e que está sobejamente associada à cultura da ilha, que anualmente por tradição, realiza dois espectáculos no Monte d'Ajuda.




Afición, de onde vens?  2013-07-19

Que culpa tenho de terem-me trajado de forcado quando tinha 3 aninhos? O que o meu rico avô "Mário da Junta" pensava quando me começou a levar às touradas à corda? O que meu pai esperava quando após um dia a semear milho ou mudar vacas, levava-me de tractor aos toiros? O que esperavam meus irmãos ao levarem-me como pequeno "fardo" às touradas, onde eles iam para piscar o olho a umas americanas? Que ideia tinha minha mãe quando tolerava que eu fosse com amigos mais velhos para os toiros? Se julgavam que iria ficar indiferente, enganaram-se...



Feira da Graciosa  2014-08-18

Abriu praça o cavaleiro cabeça de cartaz, Filipe Gonçalves que fazia a sua estreia na Graciosa. Realizou uma lide variada e de bom nível ao primeiro da ordem, deixando as bancadas rendidas ao seu toureio. O número 273 de Casquinha, um exemplar bonito, teve nota positiva e contribuiu para a boa lide. Cravou com batidas ao piton contrário montado na égua "Shakira", deliciou o público com adornos das suas montadas, e terminou com uma sorte que é sua imagem de marca, um par de bandarilhas a duas mãos ao toiro de 5 anos. Ao quarto da ordem, o cavaleiro voltou a desenhar bem as sortes, frente a um oponente mulato, com o nº280 no costado. O toiro correspondia, e empolgava o cavaleiro que voltou a exceder-se em adornos e com uma ferragem excessiva, a findar com dois ferros de palmo.


Olé Vitória  2014-08-26

Do acontecimento, a referir três pontos: em primeiro lugar, o facto de não ter sido autorizado a realização do tércio de varas, sorte que continua a ser uma luta dos aficionados açorianos, tão importante numa tenta e na selecção do gado bravo; em segundo lugar, a importância que é dar a conhecer um trabalho que é realizado no campo e dentro das ganadarias, que desta forma conseguiu chegar até aos espectadores menos conhecedores da labuta, e como alguém dizia, uma forma de levar o campo até à cidade; em terceiro lugar, proporcionar aos graciosenses o toureio a pé, que bem poucas oportunidades têm de assistir a faenas de muleta, tendo em conta que a presença de matadores ou novilheiros na anual Feira Taurina da Graciosa é cada vez menos usual, tendo sido a última lide realizada em 2011 pelo matador espanhol António Ferrera.



André Cunha