Desporto

Angra dá o nome de Luís Bretão ao Multiusos - João de Brito Zeferino

Angra dá o nome de Luís Bretão ao Multiusos - João de Brito Zeferino
Angra do Heroísmo, cidade património da Humanidade, está a assinalar os 475 anos da sua elevação a cidade, e para tal, a sua edilidade da presidência da Drª. Andreia Cardoso, resolveu por bem dar as águas do baptismo ao seu pavilhão Multiusos, a Luís Bretão, confirmando assim a certidão passada em 16 de Junho de 2001, pelo então presidente camarário Dr. Sérgio Ávila ,que avalizou a proposta dos “padrinhos” Carlos Alberto Alves e Fernando Maciel, jornalistas e amigos do Luís que lançaram a feliz ideia. Antes tarde do que nunca, passados oito anos entre os eventos, o baptismo ficará consumado, por entre palmas e repiques dos sinos da Sé de Angra. E agora, que te havemos de dizer, que já não tenha sido dito? Nunca pior tarefa , só atenuada por uma velha e sincera amizade, que servirá de refugio ao espaço que falta e ao tempo que escasseia ,para a justiça que é devida.

Luís Carlos de Noronha Bretão, nasceu a 31 de Maio de 1945 na freguesia da Sé de Angra do Heroísmo, e desde bem novo se revelou possuidor dum dinamismo invulgar, dedicados não só ao desporto e cultura, bem como a todo o movimento cívico, que na altura era um pouco limitado, revelando a sua qualidade de liderança como Presidente da Juventude Escolar Católica. E daí para a frente nunca mais parou. Com o desporto como base, foi atleta, árbitro, dirigente ,jornalista, privilegiando a área  do basquetebol, onde foi até ao casamento, pois foi nesta modalidade que conheceu sua extremosa esposa Maria Luísa, então jogadora. Desfilando o rosário de prestações ao Desporto, foi Delegado dos Desportos, Presidente da Assoc. de Basquetebol e do Sport Clueb Lusitânia. Na vida autárquica esteve ligado à Câmara de Angra do Heroísmo no pelouro de Educação e Desporto, bem como ás Sanjoaninas. Neste infindável rosário de prestações à terra e ao próximo, muitas foram as distinções e honrarias recebidas, sendo as mais significativas as homenagens na 1ª Gala do Desporto Açoriano,Assoc.Futebol de Angra, comenda da Ordem de Mérito concedida pelo presidente Jorge Sampaio, e agora o seu nome para o Pavilhão Multiusos de Angra do Heroísmo, ali mesmo ao velho municipal de Angra, onde meu caro Luís, vivemos momentos de sã camaradagem que perduram há mais de quarenta anos.



Profissionalmente, Luís Bretão esteve nos quadros superiores da SATA, e quantas vezes nas nossas frequentes visitas à Terceira ao chegarmos ao aeroporto das Lajes, sempre atarefado nos dizia: não chames táxi que daqui a duas horas saio de serviço e vais comigo para baixo. O seu sempre pronto desejo de servir um amigo. Recordamos as suas vindas a São Miguel como árbitro de basquetebol, onde ajudou a fundar a modalidade em femininos, na companhia de outros queridos amigos, o João Botelho, o Tafé, o Fernando Pavão. Mas como se tudo isto fosse pouco, ainda procurava tempo para se dedicar á cultura popular. Residente em São Carlos há trinta e cinco anos, o Luís ainda arranjou tempo para se dedicar ás cantorias populares e ás festas do Espírito Santo, sendo por várias vezes mordomo, e tudo fez pela projecção e valorização dos cantadores e tocadores de viola, que também o homenagearam. Difícil é pois encontrar uma área onde o Luís Bretão não tenha actuado, sempre em benefício de engrandecer o nome da Terceira sua ilha do coração, não esquecendo os Açores seu berço de nascimento. A sua maneira de ser, brincalhão e humorista por natureza, não nos traz à memória qualquer possibilidade de nestas nove ilhas do Açores, que ao fim e ao cabo são uma só, lhe reconhecermos um inimigo, pois como diria o apóstolo Paulo, ele ao longo deste quase meio século de serviço cívico “ combateu o bom combate “, e estamos certos que nunca o fez para receber honrarias ou distinções. Contudo não as nega nem as rejeita ou agradece, aceita-as. Mais do que para uso próprio (de que se deve orgulhar) mas sim para exemplo aos mais novos, numa altura em que cada vez mais difícil se torna encontrar trabalhadores para a vinha, cujo salário não sejam os milhões, mas sim o servir pelo servir.

Em determinada altura da sua vida, Luís Bretão foi atingido por situação clínica grave, que o atirou para uma cama de hospital, grande parte passada aqui em São Miguel. Foi quando de perto tivemos a confirmação, que o Luís Bretão não é só um angrense dos quatro costados, é um açoriano de corpo e alma inteiros. Como poucos, acreditem.

Neste momento meu querido Amigo Luís, gostaria de ter estado contigo aí nas honras que te prestaram, e depois irmos até ao tio Zé Bailão tomar um copo, ou ao Atanásio beber um galão com uma marreca de alfenim. Como noutros tempos, com aquela malta antiga que deu brado nas fileiras do desporto, e ajudou a fazer a verdadeira unidade açoriana.

Não foi possível, mas estive e estou contigo em espírito e amizade. Hoje como ontem, amanhã como sempre. Como fiel amigo do coração e sincero admirador do que sempre fizeste pelas nossa ilhas.

João de Brito Zeferino