Sábado, 20 de Dezembro de 2014
Pesquisa na RTP Açores - Informação e Desporto

Comentadores /
Eduardo Ferraz da Rosa

Amargos sinais de Maio

Publicado: 2012-05-04 23:08:18 | Actualizado: 2012-05-07 09:44:15
Por: Luciano Barcelos
Amargos sinais de Maio



O 1º. de Maio deste ano – efeméride mundialmente consagrada à Comemoração do Trabalho e à evocação das históricas lutas e conquistas dos Povos da Terra em prol do universal reconhecimento da dignidade, dos direitos e dos deveres dos Trabalhadores –, ficou marcado entre nós, para além das habituais manifestações sindicais e de outras mais ou menos festivas animações de salão, praça ou rua, por três acontecimentos cujo simbolismo e conteúdo reais merecem registo; a saber:

1) Os sucessivos atos de puro vandalismo (mutilação, destruição, roubo e incêndio!) de que foi vítima uma Exposição de Maios tradicionais esmeradamente trabalhada pelos alunos e professores das turmas de Educação Tecnológica da Escola Jerónimo Emiliano de Andrade, numa cinta urbana de Angra do Heroísmo aliás já useira e vezeira em destemperos, despautérios e criminalidades que crescem e conspurcam cada noite que se abre nas imediações do Corpo Santo, EDA, DI, Avenidas e ditas “docas” e locas do Porto das Pipas, em zona para-turística da desamparada e desalmada urbe Património Mundial…

2) O espantoso e degradante cenário de quase saque a prateleiras de todos os tipos de produtos de uma cadeia de supermercados – conquanto bem concorrencial e promocionalmente vendidos a saldo, ou facultados à carenciada mas legítima e compreensível compra por pobres e médias bolsas e por conta de uns apelativos descontos de 50% –, naquilo que nacional, humilhante e pouco docemente pingou como que em traslados de miséria, pré-catástrofe socioeconómica, açambarcamento de aflições, penúrias e prenúncio de armazenamento de rações para antecipatórios medos de sítio ou cerco…

3) A divulgação de um muito atento e crítico documento (intitulado Desemprego e Confiança) da Comissão Nacional Justiça e Paz de Coimbra, onde são detetadas e denunciadas muitas das angustiantes feridas e sinais do tempo que vivemos (desemprego, violência, falta de confiança, solidão, perda da autoestima, insanidade mental, implosão e instabilidade da estrutura familiar, desinformação, agiotagem financeira, despesismo e injustiças sociais, instabilidade legislativa, legislação laboral inadequada, condicionantes e penalizações empresariais, morosidade judicial, deficientes fiscalizações, debilidade empresarial, desarticulação governamental e estratégica, etc.), – tudo isto contra o verdadeiro Bem Comum mas a favor e ao serviço da “manutenção de privilégios abjetos a uma ‘nomenklatura’ que, como sempre, situada na órbita ou dentro do poder político, se mantém incólume nos sacrifícios que são exigidos aos outros”, fazendo de Portugal um país anestesiado e adiado!

Ora todos estes fenómenos e indicadores, cada um ao seu nível de impacto e grau de gravidade local, regional e nacional, devem fundar outros tantos motivos de reflexão e um apelo também pessoal e ético a cada um dos nossos concidadãos, porquanto também e como, sem ilusões, retoma a CNJP da Carta Octogesima adveniens, podem-se “alterar estruturas e criar novos métodos de gestão e decisão”, o que sendo “necessário nunca será suficiente, enquanto não percebermos o quanto as soluções dependem da conversão pessoal em mentalidade e nos comportamentos”. E assim então:

– “Seria bom que cada um procurasse examinar-se para ver o que é que já fez até agora e aquilo que deveria fazer. Não basta recordar os princípios, afirmar as intenções, fazer notar as injustiças gritantes e proferir denúncias proféticas; estas palavras ficarão sem efeito real se não forem acompanhadas, para cada um em particular, de uma tomada de consciência mais viva da sua própria responsabilidade e de uma ação efetiva. É por demais fácil alijar sobre os outros a responsabilidade das injustiças se se não dá conta, ao mesmo tempo, de como se tem parte nelas e de como a conversão pessoal é algo necessário, primeiro que tudo o mais”.

 
Eduardo Ferraz da Rosa Eduardo Ferraz da Rosa Professor Universitário, Investigador, Escritor e Ensaísta, tem vasta obra publicada em Livros, Jornais e Revistas. Nasceu na Praia da Vitória, em 1954. Licenciado e Doutorando em Filosofia na Universidade Católica Portuguesa. Sócio de Mérito e Delegado nos Açores da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e Membro Efectivo do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. Colabora regularmente em toda a Comunicação Social açoriana e mantém o Blogue "Os Sinais da Escrita" em http://sinaisdaescrita.blogspot.com/
2014-12-17 22:13:17 Eduardo Ferraz da Rosa Ninguém merecia este medíocre programa
2014-12-13 21:13:40 Eduardo Ferraz da Rosa Os Ares do Poço
2014-12-05 16:54:17 Eduardo Ferraz da Rosa Um Tratado sobre a Corrupção
2014-11-23 17:19:21 Eduardo Ferraz da Rosa Uma Audição Aberta
2014-11-14 21:57:59 Eduardo Ferraz da Rosa As Menoridades Políticas
2014-10-28 10:50:27 Eduardo Ferraz da Rosa Testemunhos e Ardis do PS
2014-10-24 19:09:18 Eduardo Ferraz da Rosa Desassombros e Assombrações
2014-10-21 00:00:26 Eduardo Ferraz da Rosa Com Falcon no Quintal?
2014-10-18 21:53:03 Eduardo Ferraz da Rosa Um Falcon no Quintal?
2014-10-10 22:27:40 Eduardo Ferraz da Rosa Embustes Paliativos e Ébola
2014-10-04 10:04:24 Eduardo Ferraz da Rosa Os Valores Franciscanos
2014-09-26 21:23:40 Eduardo Ferraz da Rosa Os 40 Anos do CDS
2014-09-23 10:42:04 Eduardo Ferraz da Rosa Princípios e Mãos de Cera
2014-09-22 16:25:33 Eduardo Ferraz da Rosa Direito, Política e Cultura
2014-09-16 15:58:01 Eduardo Ferraz da Rosa O Direito e as Danças de Ventre
2014-09-15 10:50:26 Eduardo Ferraz da Rosa A Dança das Danças
2014-09-08 16:48:53 Eduardo Ferraz da Rosa As degradações do Ocidente
2014-08-30 12:02:39 Eduardo Ferraz da Rosa As Inscrições Sociais
2014-08-23 16:26:56 Eduardo Ferraz da Rosa Sementes de Violência
2014-08-09 11:49:26 Eduardo Ferraz da Rosa A Imagem e o Espelho