Política

Congressistas de origem açoriana prometem pressionar para evitar o emagrecimento da Base das Lajes

Os congressistas do Portuguese Caucus, o grupo que defende os interesses de Portugal na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, vão continuar a lutar pela manutenção da presença americana na Base das Lajes.

Congressistas de origem açoriana prometem pressionar para evitar o emagrecimento da Base das Lajes
"Eu e os meus colegas do Portuguese Caucus vamos continuar com os nossos esforços para manter a base a operar aos níveis atuais e fazer todo o possível para fortalecer a relação entre os Estados Unidos e Portugal, o nosso aliado de muitos anos e amigo", garantiu à agência Lusa um dos co-presidentes da instituição, o representante Jim Costa.

Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira uma redução gradual dos trabalhadores portugueses da Base das Lajes, de 900 para 400 pessoas, ao longo deste ano. Os civis e militares norte-americanos passarão de 650 para 165.

Esta redução, que tinha sido primeiro anunciada há dois anos, foi sucessivamente adiada devido aos esforços destes congressistas, que trabalharam de perto com representantes do governo português e do executivo açoriano.

"O anúncio de que a Base das Lajes, uma das mais antigas bases estrangeiras da América, vai enfrentar nova redução por recomendação da Força Aérea é extremamente desapontante", considerou Jim Costa.

O congressista de origem açoriana, eleito pelo 16.º distrito da Califórnia, considera mesmo que a conclusão do Relatório de Consolidação de Estruturas Europeias está errada.

"Esta decisão, na minha opinião, não reflete uma avaliação correta de um número de questões, incluindo o atual clima geo-político que enfrentamos no Médio Oriente e como o terrorismo, como ainda verificado esta semana, é uma ameaça constante, independentemente de onde se vive", disse.

Costa adiantou ainda que "os custos ambientais de um eventual fecho da base ainda estão por avaliar."

O presidente do Governo dos Açores também mostrou ontem o seu descontentamento.

Vasco Cordeiro disse que a decisão dos Estados Unidos sobre as Lajes é "uma monumental bofetada na cara do Estado português" e anunciou que vai pedir audiências urgentes ao Presidente da República e ao primeiro-ministro.

Por sua vez, o Governo central manifestou hoje o seu "forte desagrado" pela "decisão unilateral" da administração norte-americana de reduzir pessoal na base das Lajes, considerando que o impacto económico e social na ilha Terceira é "especialmente preocupante".

No início da semana, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, já tinha avisado que as relações entre Portugal e os Estados Unidos poderiam ser prejudicadas em caso de um desfecho negativo sobre a utilização da Base das Lajes.

Fonte:Lusa