Política

"Independentistas açorianos não são Che Guevaras"- afirma líder da FLA José de Almeida


O líder histórico da Frente de Libertação dos Açores (FLA) , José de Almeida, garantiu hoje que os independentistas açorianos "não são Che Guevaras", adiantando que os seus objectivos não se baseiam em ideologias, mas no progresso do arquipélago.


Não é a ideologia que nos mobiliza, nunca caímos nessa tentação. O que nos mobiliza são os Açores e permanecer nos Açores - afirmou José de Almeida, em entrevista à Lusa.

Para o fundador da FLA, a luta pela independência do arquipélago "não pode ser interpretada como uma agressividade entre Portugal e os Açores" - acrescentou, para, mais adiante, frisar que " os Açores não são anti-Portugal em circunstância nenhuma, nem serão".

Criada em 1975, em Londres, a Frente de Libertação dos Açores desenvolveu, no contexto da Revolução dos Cravos, várias acções políticas, diplomáticas e sociais, com vista à independência do arquipélago, mas, segundo José de Almeida, o projecto falhou "no timming e na convergência interna".

Na sua perspectiva, "o comportamento nacional de agir relativamente aos Açores é um pretexto para se ser independentista" e que os Açores "dispõem de condições para sobreviver autonomamente, como qualquer país, porque tem um comércio que terá a medida que quiser, tem uma possibilidade de diálogo internacional privilegiadíssima" que, na sua opinião, permitiriam a sobrevivência do arquipélago, adiantando mesmo que " os Açores têm mais condições de ser independentes do que Portugal continental".

Em preparação, está uma biografia de José de Almeida, com relatos na primeira pessoa sobre o Movimento Independentista Açoriano, que afirma, "ter tido uma dimensão regional, não se limitando apenas à ilha de São Miguel".

Carlos Tavares com Agência Lusa.