Sociedade

Áreas marinhas são importantes para salvaguardar as espécies

O investigador Emanuel Gonçalves, que integrou a missão oceanográfica “As ilhas dos Açores – o segredo mais bem guardado do Atlântico”, disse hoje ser importante apostar nas áreas marinhas para salvaguardar as espécies na região.

Áreas marinhas são importantes para salvaguardar as espécies


“As áreas marinhas protegidas são, claramente, um instrumento que gere a sustentabilidade e que interessa apoiar e desenvolver, assim como ajudar a implementar”, declarou o cientista do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, que integrou a equipa de investigadores.

A missão, que contemplou as áreas protegidas das ilhas de São Miguel e Santa Maria, assim como o ilhéu de Formigas, e terminou hoje, em Ponta Delgada, após dez dias a bordo do navio “Plan B”, considerou que as áreas marinhas protegidas permitem “trazer um novo olhar sobre como se pode manter esses usos (de pesca), mas, ao mesmo tempo, conseguir que essas áreas marinhas sejam repovoadas”.

O cientista salvaguardou que a proteção contribui para “aumentar o número de organismos e peixes” e “gerar um maior rendimento às zonas de pesca”.

“A conjugação de atividades de pesca sustentáveis com a conservação que permita a recuperação dos ecossistemas é uma situação em que todos ganham”, disse o cientista, que revelou ir publicar um relatório com o resultado da missão ser apresentado até final do ano.

Segundo informação da Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, a missão visa “dar a conhecer ao grande público os valores naturais presentes nos Açores, através da realização de um filme e de um levantamento científico do estado de conservação da biodiversidade marinha”.

“Os trabalhos pretendem fornecer informações e recomendações às entidades gestoras sobre o estado atual de conservação dos valores naturais e a gestão das áreas de proteção”, acrescenta a secretaria.

O secretário regional do Mar, Fausto Brito e Abreu, que esteve a bordo do navio, considerou que os dados científicos resultantes da missão “são úteis para alguns projetos” que estão a decorrer na Universidade dos Açores, bem como por via das questões ambientais ligadas ao espaço marinho, a par da promoção da região como um “destino marinho para turismo de natureza de excelência”.

Fausto Brito e Abreu adiantou que, com base nos dados preliminares que foram analisados, é possível verificar uma “diferença significativa nas abundâncias e de outras formas de vida marinha dentro e fora de áreas protegidas”.

Na sequência da expedição, irá ser produzido um documentário da responsabilidade do norte-americano Andy Mann, que declarou já ter realizado filmagens em todo o planeta e que os Açores constituem “uma das mais interessantes e bonitas paisagens e espaço marinho” em que esteve.

A expedição contemplou 20 horas de filmagens, que irão ser transformadas num vídeo de 20 minutos, resultantes das 380 horas de mergulho.

Lusa