Sociedade

Mais de metade dos alunos da Universidade dos Açores consome àlcool

Um estudo que vai ser apresentado na sexta-feira em Ponta Delgada conclui que 57% dos alunos da Universidade dos Açores consome álcool, preferencialmente cerveja, nas festas e aos fins de semana, e começaram a beber na adolescência.

Mais de metade dos alunos da Universidade dos Açores consome àlcool
“É interessante verificar que há cerca de 26% de alunos que começaram a beber até aos 15 anos, ou seja, não é o facto de estarem na universidade que os faz beber”, disse a investigadora Teresa Medeiros à agência Lusa.

A psicóloga e professora da Universidade dos Açores apresenta na sexta-feira o estudo “O consumo do álcool nos estudantes universitários”, no colóquio internacional sobre “Consumo de substâncias e comportamentos aditivos, velhos e novos desafios”, na Biblioteca Pública de Ponta Delgada, promovido pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC).

O estudo, realizado nos últimos três anos, tem uma amostra de mil estudantes, com idade superior a 18 anos, da Universidade dos Açores.

Segundo Teresa Medeiros, 57% dos inquiridos assumem que consomem álcool. Destes, 29% fazem-no nas festas e 25% aos fins de semana, enquanto 3% consomem habitualmente durante a semana e 43% não consomem álcool.

“A bebida que mais consomem é a cerveja, seguida das bebidas destiladas”, e os dias de maior consumo são a sexta-feira e o sábado, acrescentou a investigadora, que em 2013 realizou um estudo semelhante, mas com uma amostragem de 500 estudantes.

Os dados obtidos indicam que os estudantes da academia açoriana – sendo que o sexo masculino é o que tem maior percentagem de consumo - consomem menos álcool do que os congéneres de outras universidades portuguesas, nomeadamente Coimbra, Lisboa, Aveiro e Bragança.

No entanto, “há aqui nos Açores hábitos de consumo que começam muito antes de entrarem na universidade”, sublinhou Teresa Medeiros, alertando que “os estudantes universitários têm uma cultura ligada à noite e à festa, e a crença de que o divertimento está associado ao consumo de álcool”.

Segundo a docente, “no estudo em concreto verifica-se que há um tipicismo de consumo, já que consomem sobretudo só em festas ou só aos fins de semana”.

“Os alunos, durante a semana, têm um comportamento exemplar, vão às aulas e estudam, e ao fim de semana, ou nas festas de anos e festas académicas, têm um maior consumo”, referiu.

Para Teresa Medeiros, este comportamento explica-se por “uma necessidade de inserção”, já que os inquiridos admitiram que consomem “sempre acompanhados com amigos, familiares ou namorados”, um consumo “social e relacionado com a crença errónea do divertimento”.

A investigadora destacou que o estudo permitiu verificar que “nos Açores a família é protetora do consumo, porque muitos estudantes vivem em casa dos pais e a grande confidente é a mãe, seguida dos amigos”, mas “o consumo de álcool não tem relação com a idade, com o curso, nem com a frequência na universidade”.

Os malefícios do álcool e a autoestima são fatores determinantes de quem não consome.

A investigadora defende que se deve “intensificar a prevenção nas festas e atuar sobre as crenças erróneas”, assim como “atuar na prevenção primária de consumo de álcool”, dada a idade com que os estudantes começam a beber bebidas alcoólicas.

Lusa