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Os Dias da Rádio

80 Anos - 80 Canções

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Callixto
Nos 80 anos da Radio Publica , a Antena 1 apresenta de 15 de Junho até 11 de Setembro, o formato 80 Anos, 80 canções onde se recuperam e difundem 80 canções que reflectem a vida da radio ao longo de 80 anos.
Textos de João Carlos Callixto
Edição de José Mariño e César Martins


Adriano Correia de Oliveira – Trova do Vento Que Passa – 1963
(letra: Manuel Alegre; música: António Portugal)
Na primeira metade da década de 60, a transformação da canção de Coimbra no que viria a ser o movimento da canção de protesto deu-se primeiro por via de José Afonso e depois de Adriano Correia de Oliveira. Com “Trova do Vento Que Passa”, um poema de Manuel Alegre com música de António Portugal, editado em formato EP em 1963 pelo selo Orfeu, de Arnaldo Trindade, ficava claro que havia quem dissesse que não por via musical. Como a Emissora Nacional, onde este disco só entraria depois de 1974.





Ala dos Namorados com Sara Tavares – Solta-se o Beijo – 1999
(letra: Catarina Furtado; música: João Gil)
Quando sai o primeiro disco da Ala dos Namorados, no início de 1994, só se podia esperar o melhor: do grupo faziam parte João Gil, ex-Trovante, Manuel Paulo, que tocara vários anos com Rui Veloso, José Moz Carrapa, ex-Salada de Frutas, e a voz revelação de Nuno Guerreiro, que muitos conheceram pela primeira vez num espectáculo de Carlos Paredes. Cinco anos e três discos depois, a Ala dos Namorados era já um valor seguro da nossa música, e “Solta-se o Beijo”, um texto da apresentadora Catarina Furtado com música de João Gil, em que surge a voz convidada de Sara Tavares, é editado num álbum ao vivo com o mesmo nome. Nascia um clássico dos dias de hoje.





Alberto Ribeiro – Coimbra – 1947
(letra: José Galhardo; música: Raul Ferrão)
Um dos galãs da música portuguesa nas décadas de 40 a 60, Alberto Ribeiro foi também autor de alguns dos seus grandes sucessos, como “Marco do Correio” ou “Canção do Alentejo”. Mas “Coimbra”, com letra de José Galhardo e música de Raul Ferrão, continua ainda hoje a ser a canção a que muitos o associam, por ter sido sua a voz que a cantou no filme “Capas Negras”, de 1947. Amália, o par de Alberto Ribeiro no filme, viria a torná-la um sucesso internacional já nos anos 50.





Alfredo Marceneiro – A Casa da Mariquinhas – 1961
(letra: Silva Tavares; música: Alfredo Marceneiro)
É sabido que Alfredo Marceneiro era avesso aos estúdios de gravação, e essa é a razão principal para a dimensão da sua discografia ser inversamente proporcional à da sua importância na história da nossa música e do nosso fado. “A Casa da Mariquinhas”, com letra de Silva Tavares e música do próprio Alfredo Marceneiro, é um dos seus muitos clássicos. Foi gravado para as editoras Estoril, em meados dos anos 50, e Valentim de Carvalho, em 1960, nas sessões para o mítico álbum “The Fabulous Marceneiro”. Não há mais palavras: é mesmo fabuloso.





Amália Rodrigues – Estranha Forma de Vida – 1962
(letra: Amália Rodrigues; música: Alfredo Marceneiro)
O álbum de Amália que a Valentim de Carvalho publica em 1962, com um busto da fadista executado por Joaquim Valente na capa, foi um marco na carreira da fadista. Nele, Amália canta pela primeira vez composições de Alain Oulman, músico que lhe transformaria o reportório e que transformou também a história do fado e da música portuguesa. “Estranha Forma de Vida”, um poema da própria Amália Rodrigues, é uma das duas excepções desse trabalho, já que tem música de Alfredo Marceneiro. Agora, silêncio…





Ana Moura – Desfado – 2012
(letra e música: Pedro da Silva Martins)
Em menos de dez anos de carreira discográfica, Ana Moura refundou o fado. Vinda do Ribatejo, canta o género com uma alma como poucos. Chamou ao seu quinto álbum “Desfado”, nome também da composição de Pedro da Silva Martins, e nele mostrou que é possível baralhar e voltar a dar. Márcia ou Miguel Araújo são outros dos companheiros improváveis num disco revolucionário, mas o fado tradicional e Tozé Brito, nomes de sempre na carreira de Ana Moura, voltam a marcar presença. A isto tudo juntemos Herbie Hancock a interpretar um original da própria Ana Moura e o resultado é mesmo um “desfado”.





Anselmo Ralph – Não Me Toca – 2011
Nunca, depois do Duo Ouro Negro, a música de um artista angolano tinha feito tanto sucesso em Portugal. Anselmo Ralph, com carreira desde os anos 90, estreou-se a solo em 2006, com o álbum “Histórias de Amor”. “Não Me Toca”, em 2011, foi a música que lhe abriu as portas da rádio em Portugal e que ajudou ao concerto esgotado no Pavilhão Atlântico um ano depois. Em 2014, Anselmo Ralph alcança o primeiro disco de platina de um artista angolano em Portugal, galardão que oferece ao Presidente de Angola. Agora, “Não Me Toca”!





António Calvário – Oração- 1964
(letra: Francisco Nicholson – Rogério Bracinha; música: João Nobre)
A carreira de António Calvário está recheada de sucessos, que começaram logo em 1960 com “Regresso” e duraram pelo menos até 1978, com “Mocidade, Mocidade”. Mas “Oração”, uma letra de Francisco Nicholson e Rogério Bracinha com música de João Nobre, é indiscutivelmente um dos marcos do percurso do cantor: foi com ela que venceu em 1964 o primeiro Grande Prémio TV da Canção Portuguesa, nome pelo qual era então conhecido o Festival RTP da Canção. Em Copenhaga, onde se realizou o Festival da Eurovisão desse ano, houve um manifestante que subiu ao palco para apelar ao boicote aos regimes ditatoriais da Península Ibérica. Por isso ou por outras razões, viemos para casa sem nenhum ponto…





António Mourão – Ó Tempo Volta pra Trás – 1965
(letra: Eduardo Damas; música: Manuel Paião)
“Ó Tempo Volta p’ra Trás” marcou a carreira de um dos verdadeiros campeões de venda e de popularidade das décadas de 60 e 70: António Mourão, então conhecido como “o fadista da nova vaga”, começou a gravar em 1963, dois anos antes do enorme sucesso que a nossa canção de hoje obteve. Surgiu primeiro nos palcos da revista “E Viva o Velho” e depois nas espiras de um EP editado pela Telectra, com a guitarra portuguesa de Jorge Fontes e direcção de orquestra de Jorge Costa Pinto. A letra e a música ficaram a cargo de uma das nossas maiores duplas de escritores de canções: Eduardo Damas e Manuel Paião.





António Variações – Canção de Engate – 1984
(letra e música: António Rodrigues Ribeiro)
O caso de António Variações é literalmente algo de extraordinário no nosso panorama musical: em apenas dois anos edita os seus dois únicos álbuns e conquista os favores da crítica e do público, que se rendem ao seu talento. Fundindo a tradição e a modernidade, numa música que o próprio definia como algo “entre Braga e Nova York”, contou com as colaborações de membros dos GNR e dos Heróis do Mar. Em 1983 e 1984, era praticamente impossível ser-se mais moderno: e este barbeiro tornado cantor transformou a sua “canção de engate” num dos hinos hedonistas da Lisboa dos anos 80. Três anos depois da morte de Variações, os Delfins incluíam no seu primeiro álbum uma versão deste original do músico.






António Zambujo – Lambreta – 2012
(letra e música: João Monge)
António Zambujo lançou o seu primeiro disco em 2002 e chamou-lhe “O Mesmo Fado”. Treze anos depois, o fado é já outro, bem diferente, e mistura música brasileira, canção alentejana e pop. Das versões do reportório de Tristão da Silva dos primeiros anos aos originais de Miguel Araújo, como “Reader’s Digest” ou o mais recente “Pica do 7”, há uma obra de vulto que tem apaixonado Portugal e o mundo. O melhor será então viajarmos de “Lambreta”, uma canção da autoria de João Monge.





Banda do Casaco – Salvé Maravilha – 1982
(letra e música: Nuno Rodrigues)
Um dos projectos mais originais e criativos da música portuguesa deu pelo nome de Banda do Casaco. Formados ainda antes da revolução de Abril, com os textos surrealistas de António Avelar Pinho e as músicas desconcertantes de Nuno Rodrigues, quer o imaginário tradicional quer a modernidade rock foram fundidos pelo grupo numa obra que se espalha por sete álbuns, entre 1975 e 1984. Celso de Carvalho e o seu violoncelo foram sempre um dos pilares do som do grupo, que em “Salvé Maravilha”, da autoria de Nuno Rodrigues, contava ainda com a voz espectral de Né Ladeiras.




Beatriz Costa - Canção da Roupa Branca - 1938
(letra: Ramada Curto – Chianca de Garcia; música: Raul Portela)
Os filmes dos anos 30 e 40, o período clássico do cinema português, trouxeram também um grande reportório de canções que ainda hoje estão nas memórias de várias gerações. “Canção da Roupa Branca”, com letra de Ramada Curto e de Chianca de Garcia, que também realizava o filme, e música de Raul Portela, é um desses casos. Quem a canta é Beatriz Costa, uma das estrelas do nosso cinema, e que chegou a alcançar uma enorme popularidade também no Brasil. Recuemos então a 1938!





Black Company - Nadar - 1994
(letra: Augusto Armada – Jorge Ferreira – Paulo Morais; música: Augusto Armada – Jorge Ferreira)
O rap em Portugal é um fenómeno cuja expressão comercial tem pouco mais de 20 anos. Foi preciso a edição de uma colectânea, “Rapública”, em 1994, para dar voz a uma série de projectos cujo reconhecimento era pouco mais do que local. Os Black Company foram um dos casos mais bem-sucedidos, e o sucesso da canção “Nadar”, que chegou a servir de mote a uma campanha que visava salvar as gravuras pré-históricas de Vila Nova de Foz Côa, permitiu-lhes gravar logo em 1995 o seu primeiro álbum. Era a “Geração Rasca”.




Boss AC – Sexta-Feira (Emprego Bom Já) – 2012
O início público da carreira de Boss AC remonta à mesma colectânea “Rapública” que viu nascer vários outros nomes grandes do rap e do hip-hop nacionais. Quando se estreia a solo, em 1998, com “Manda Chuva”, era já um nome respeitado do género. Filho de uma cantor e de um artista plástico, a arte está-lhe no sangue, por vezes a “rimar contra a mare”, como chamou a um dos seus discos. “AC para os Amigos”, em 2012, trouxe o sucesso imediato de “Sexta-Feira (Emprego Bom Já)”, que, em plena crise financeira, pôs o dedo na ferida e fez a ponte entre gerações no capítulo das denúncias sociais.





Buraka Som Sistema feat. Pongolove – Kalemba (Wegue Wegue) – 2008
(letra e música: J. Barbosa – Rui Pité – Andro Carvalho – Engrácia Domingues)
O título do primeiro disco, o EP “From Buraka to the World”, anunciava já quais eram os planos dos Buraka Som Sistema. Em poucos anos, conquistavam de facto públicos dentro e fora de Portugal, com o seu cruzamento de estilos a que chamaram de kuduro progressivo. No álbum “Black Diamond”, de 2008, encontramos vários sucessos, como “Aqui p’ra Vocês”, “Sound of Kuduro” ou “Kalemba (Wegue Wegue)”. Com Pongolove nas vozes, vamos ouvir este último, mas qualquer um nos põe a dançar como se não houvesse amanhã!




Camané – Sei de um Rio – 2008
(letra: Pedro Homem de Mello; música: Alain Oulman)
“A Cantar É Que Te Deixas Levar” disse-nos Camané em 2001, no seu álbum “Pelo Dia Dentro”. E nós só nos conseguimos deixar levar pelo seu fado, que os mais atentos conhecem desde os tempos de meninice do cantor mas que despertou para o grande público em 1995. Nesse ano saía o álbum “Uma Noite de Fados”, que marca também o primeiro passo de uma colaboração que se mantém até hoje com o produtor e compositor José Mário Branco. Mas Camané sempre soube casar todas as modernidades e ir buscar ao passado momentos menos iluminados para lhes dar uma nova luz. Ou então, para os revelar pela primeira vez. É esse o caso de “Sei de um Rio”, um poema de Pedro Homem de Mello com música de Alain Oulman.




Capicua - Vayorken – 2014
(letra: Capicua; música: D-one)
No universo do hip-hop português, Capicua vincou o seu nome ainda antes da saída do seu primeiro álbum, em inícios de 2012. Mas para os menos atentos, esse foi o cartão de visita necessário para perceberem que estavam perante uma artista que não se fechava a influências literárias e musicais. Sérgio Godinho, um dos artistas que samplou no seu primeiro álbum, convidou-a para cantar ao vivo o seu tema “Liberdade”, e a nossa “Maria Capaz” transformou-o de forma única. Tão única como o seu hino a Nova York e à sua infância, quando chamava ”Vayorken” à cidade. Ao lado de Capicua, está D-one, neste tema do segundo disco da rapper, “Sereia Louca”.




Carlos do Carmo - Canoas do Tejo – 1972
(letra e música: Frederico de Brito)
Carlos do Carmo é praticamente um nome de sempre do fado. Com uma carreira começada há mais de 50 anos, traz também os pergaminhos fadistas da sua mãe, Lucília do Carmo. Na sua voz, desenrolaram-se muitas das páginas douradas da música portuguesa, como foi reconhecido pela recente atribuição do Grammy Latino. Álbuns como “Um Homem na Cidade”, em 1977, ou “Um Homem no País”, em 1983, mostram pedaços de um caminho feito de cruzamentos com autores e músicos que vinham de fora do fado. Não é esse o caso de “Canoas do Tejo”, um clássico de 1972, com letra e música de Frederico de Brito, autor de vários outros sucessos da nossa música. Vamos então passear pelo rio com Carlos do Carmo!




Carlos Paião – Pó de Arroz – 1981
(letra e música: Carlos Paião)
A música ligeira nunca mais foi a mesma depois da morte prematura, em 1988, de Carlos Paião. Um talento imenso, com queda para as melodias que ficam no ouvido, escreveu também letras em que os jogos de palavras e o humor revelavam um compositor como muito poucos. Logo no ano em que surgem os seus primeiros discos, 1981, vence o Festival RTP da Canção com “Play-Back” e publica outros dois singles, um deles com outro clássico. Carlos Paião dizia que não era poeta, mas ao ouvirmos “Pó de Arroz” só podemos duvidar…





Carlos Paredes – Canção dos Verdes Anos – 1967
(música: Carlos Paredes)
Na guitarra portuguesa de Carlos Paredes estão os sons de todo um país. No entanto, a sua obra gravada começou bem tarde, tinha o músico já 37 anos. Um ano depois, em 1963, estreava-se o filme “Verdes Anos”, de Paulo Rocha, e a música que Paredes compõe para ele acaba por ganhar uma nova vida fora do cinema. Sai então um EP com o título “Guitarradas sob o Tema do Filme Verdes Anos”, mas a gravação mais divulgada da canção do filme é de 1967, e surge no primeiro álbum de Paredes. O título desse disco? “Guitarra Portuguesa”, com certeza.




Carlos Ramos – Não Venhas Tarde – 1957
(letra: Aníbal Nazaré; música: João Nobre)
Primeiro como instrumentista e depois como cantor, Carlos Ramos é um dos nomes do fado e da música portuguesa vindo das décadas de 40 a 60 que ainda hoje permanece no imaginário de muitos. E uma das canções a que se deve o seu sucesso na rádio e em disco é precisamente o clássico “Não Venhas Mais Tarde”, que Carlos Ramos grava para a Valentim de Carvalho em 1957, e que é publicado tanto nos antigos 78 rotações como nos então modernos vinis de 45 rotações. A letra é de Aníbal Nazaré e a música do maestro João Nobre. Deixemos agora que Carlos Ramos nos cante baixinho!




Carmen Miranda – Que É Que a Baiana Tem? – 1939
(letra e música: Dorival Caymmi)
Quem podia prever que esta portuguesa, nascida em 1905 em Várzea da Ovelha, no concelho de Marco de Canavezes, tinha tanto para dar ao mundo artístico? Mas foi de facto o que aconteceu. Com um ano, muda-se para o Brasil, onde 20 anos depois, alcança uma enorme popularidade com as gravações e filmes em que participa. “Que É Que a Bahiana Tem?” foi gravado em 1939, e tem letra e música de um jovem Dorival Caymmi. O sucesso da canção leva a que um ano depois Carmen esteja já na Broadway e a partir daí todas as portas se abrem para ela. Até 1955, ano da morte prematura desta luso-brasileira também conhecida como a “Pequena Notável”!





Clã – Problema de Expressão – 1997
(letra: Carlos Tê; música: Helder Gonçalves)
Formados em finais de 1992, os Clã estreiam-se nos álbuns com “Luso Qualquer Coisa”, em 1996. Com “Kazoo”, no ano seguinte, chegam canções como “GTI” ou “Problema de Expressão”, que sem problema se tornou num sucesso. A letra é de Carlos Tê, letrista habitual de Rui Veloso e que assumiria papel igualmente importante no percurso dos Clã, e a música é de Helder Gonçalves, baixista do grupo. De então para cá, saíram já mais cinco discos de estúdio, além de dois ao vivo, um deles em “afinidade” com Sérgio Godinho, outro amigo deste clã que tem Manuela Azevedo como vocalista.




Os Conchas – Oh! Carol - 1960
(letra e música: Howard Greenfield – Neil Sedaka)
Se se fala de rock em Portugal, o ano oficial do seu nascimento é 1960. Em Outubro, saía o EP “Caloiros da Canção 1”, que juntava num lado dois originais escritos e cantados por Daniel Bacelar e do outro duas versões feitas pelo duo Os Conchas, formados por José Manuel Concha e por Fernando Concha. O grupo dura cerca de três anos, mas alcança nesse período uma enorme popularidade na rádio, na televisão e através das vendas dos discos, que se sucedem a um ritmo de dois ou três por ano. Quase sempre, como é o caso de “Oh Carol”, com versões portuguesas dos maiores sucessos da música anglo-americana de então. Era autêntica “poesia em movimento”!




Duo Ouro Negro – Vou Levar-te Comigo – 1979
(letra e música: Raul Indipwo)
Na década de 60, o Duo Ouro Negro quase ombreava com Amália Rodrigues em termos de popularidade mundial no que a artistas de origem portuguesa dizia respeito. Formado em Angola, em 1959, o duo tinha em Raul Indipwo e em Milo MacMahon dois cantores mas também dois compositores de talento. O seu reportório era bem transversal, misturando sempre os temas angolanos com sucessos internacionais e com originais pintados em cores luso-tropicais. Álbuns como “Latino”, editado na Argentina em 1969, ou “Blackground”, que em 1971 juntava músicos rock ao Duo Ouro Negro, são dois dos testemunhos da visão musical de Milo e Raul. “Vou Levar-te Comigo”, um sucesso de 1979 da autoria deste último, é ainda hoje recordado por diferentes gerações.




Fausto – O Barco Vai de Saída – 1982
(letra e música: Fausto)
Fausto Bordalo Dias conta já 45 anos desde o seu primeiro álbum, único da sua obra a não estar disponível em edição digital. Autor de trabalhos seminais da nossa música, tem em “Por Este Rio Acima” um dos seus momentos mais recordados. Nessa primeira parte da trilogia que Fausto dedicou às descobertas, e que foi completada em 2011 com “Em Busca das Montanhas Azuis”, encontramos muitas canções que se tornaram sucessos da rádio, como “A Guerra É a Guerra”, “Navegar, Navegar” ou “O Barco Vai de Saída”. Embarquemos!




Fernando Tordo – Adeus Tristeza – 1983
(letra e música: Fernando Tordo)
Em 1983, o álbum “Adeus Tristeza”, sétimo a solo da carreira de Fernando Tordo, era também o primeiro em que o músico se afirmava plenamente como letrista, depois de quase 15 anos de escrita de canções ao lado de José Carlos Ary dos Santos. “Tourada”, um desses momentos mais reconhecidos, e que trouxe a Tordo a vitória no Festival da Canção, tinha já 10 anos. Mas numa carreira tão rica, o difícil é mesmo escolher um sucesso: que venha “Adeus Tristeza”, com José Calvário na direcção musical!




Francisco José – Olhos Castanhos – 1951
(letra e música: Alves Coelho Filho)
O cantor Francisco José foi um dos grandes ídolos da música portuguesa da década de 50, com sucesso que se prolongou até aos anos 70. “Olhos Castanhos”, um original do maestro Alves Coelho Filho, de quem Francisco José cantou vários outros temas, foi editado originalmente em 1951 num disco de 78 rotações com o selo Ibéria, do empresário Manuel Simões. Seria depois editado novamente no Brasil, onde alcança novo sucesso, conhecendo várias versões por outras vozes. Mas nenhuma como esta de Francisco José, que ficou também conhecido como “o coração que canta”.




The Gift – Fácil de Entender – 2006
(letra e música: Nuno Gonçalves)
O percurso dos Gift é praticamente único no cenário musical português. Persistentes, mostraram a todos que era possível construir um caminho pessoal de sucesso à revelia das grandes editoras. O primeiro álbum, em 1998, trouxe canções como “Real” ou “Ok! Do You Want Something Simple”, que mostravam desde logo a força da voz de Sónia Tavares. Apesar de o inglês ser sempre a língua de eleição dos Gift, em 2006 o álbum ao vivo “Fácil de Entender” trazia a surpresa desta canção original, da autoria de Nuno Gonçalves, que rapidamente passou para as bocas de todos.




Da Weasel - Re-Tratamento 2004
(letra: Carlos Nobre; música: João A. Nobre)
Numa carreira recheada de “amor, escárnio e maldizer”, como chamaram ao seu último disco de estúdio, os Da Weasel foram um dos grupos mais destacados do hip-hop português. A presença carismática de Pacman, hoje Carlão, foi um dos vários trunfos de um percurso de que “Re-tratamento” é um claro momento chave entre muitos, como “Adivinha Quem Voltou”, “Todagente” ou “Tás na Boa”. De resto, é mesmo impossível fugir a um grupo que nada teve de banal!




Delfins – Baía de Cascais – 1987
(letra e música: Miguel Ângelo – Fernando Cunha – Pedro Ayres Magalhães)
Os Delfins foram um dos grupos de maior sucesso da música pop rock nacional. Na rádio, muitas foram as canções que chegaram aos ouvidos de todo um país, durante os seus mais de 27 anos de carreira. Discos como a colectânea “O Caminho da Felicidade” ou “Saber Amar” alcançaram vendas hoje inimagináveis, mas logo no 1º álbum, em 1987, encontramos temas clássicos do reportório dos Delfins. Como esta “Baía de Cascais”, um original de Miguel Ângelo, Fernando Cunha e Pedro Ayres Magalhães.




Deolinda - Movimento Perpétuo Associativo -2008
(letra e música: Pedro da Silva Martins)
Aparentemente, os Deolinda eram uns totais desconhecidos quando se estreiam em 2008 com o álbum “Canção ao Lado”. Na realidade, não é bem assim, e o passado musical de cada um dos seus quatro membros foi o que lhes permitiu fazer um projecto onde se funde toda uma noção de portugalidade - ou de portugalidades – de uma forma que foge a todos os padrões. A voz de Ana Bacalhau e as composições de Pedro da Silva Martins são dois dos ângulos do “mundo pequenino” dos Deolinda, mas que se vai alargando de álbum para álbum. Assim como um “movimento perpétuo associativo”, onde a tradição dos cantautores se funde com as tradições bairristas e o resultado é algo que nunca há-de passar…




Doce - Bem Bom – 1982
(letra: António Avelar Pinho / música: Tozé Brito – Pedro Brito)
Quando as Doce surgem, em 1980, a nossa experiência no campo da pop mais ousada era ainda algo imberbe. Experiências como as Cocktail, surgidas alguns anos antes, eram a excepção, mas “Amanhã de Manhã”, tema do primeiro single do grupo, mostra um mundo novo de possibilidades. Num ano em que a indústria conhece o famoso boom, por via do rock dos UHF, de Rui Veloso e de tantos outros, as Doce eram uma carta à parte. No Festival da Canção, que vencem em 1982 com “Bem Bom”, uma letra de António Avelar Pinho e música de Tozé Brito e Pedro Brito, participam por diversas vezes e quer visualmente quer musicalmente deixam sempre uma marca bem forte!




Dulce Pontes – Canção do Mar – 1995
(letra: Frederico de Brito; música: Ferrer Trindade)
“Canção do Mar”, com letra de Frederico de Brito e música de Ferrer Trindade, é literalmente uma canção que atravessou gerações. Gravada pela primeira vez em 1953, pelo Conjunto de Mário Simões, com a voz de Carlos Fernando, foi recuperada em finais do ano seguinte por Amália como “Solidão”, com um novo poema de David Mourão-Ferreira. A carreira internacional da canção começa na mesma altura, mas Dulce Pontes, 40 anos depois da primeira versão, inclui-a no seu segundo álbum, “Lágrimas”, e dá-lhe uma nova vida. O sucesso alcançado é imenso, ao ponto de ser escolhida pelo actor Richard Gere para fazer parte da banda sonora do filme americano “A Raiz do Medo”, de 1996. Dulce Pontes, que tanto reclama a herança de Amália como de José Afonso, tem mostrado que a sua carreira está à altura de todas as ambições.




GNR – Dunas – 1985
(letra: Rui Reininho; música: Alexandre Soares – GNR)
Parafraseando o título do disco dos GNR onde encontramos a canção “Dunas”, os homens podem não se querer bonitos mas querem-se de certeza modernos. E isso o Grupo Novo Rock sempre foi. Desde desejar ver “Portugal na CEE” em 1981, nome do seu primeiro single, até ao álbum “Caixa Negra”; já de 2015, onde a sua verve criativa continua em alta, sempre houve lugar para todas as experiências na carreira dos GNR. Com letra de Rui Reininho e música do então guitarrista Alexandre Soares e de todo o grupo, “Dunas” é um dos seus hinos incontestáveis.




Hermínia Silva – A Tendinha – 1935
(letra: José Galhardo; música: Raul Ferrão)
“A Tendinha” foi um dos primeiros sucessos da Emissora Nacional, logo nos primeiros tempos. A sua voz, a de Hermínia Silva, é ainda hoje recordada como um dos maiores talentos da música portuguesa. Com uma carreira que vai desde os finais dos anos 20 até à década de 80, tornou popular o fado com refrão, conhecido como fado-canção, onde se destacou a dupla de autores José Galhardo e Raul Ferrão, autores d’”A Tendinha” e de tantos outros retratos musicais de sucesso. E quem melhor para lhes dar vida do que Hermínia Silva?




Heróis do Mar – Paixão – 1983
(letra: Pedro Ayres Magalhães; música: Heróis do Mar)
Se a década de 80 portuguesa tivesse apenas uma banda pop, ela seria sem dúvida os Heróis do Mar. A “saudade” e o “fado são tanto nomes de canções suas como de elementos da sua música, que misturados com a modernidade eléctrica da altura resultavam em momentos celebrados então e ainda hoje. Depois do primeiro álbum, em 1981, e do sucesso de “Amor”, no ano seguinte, “Paixão”, com letra de Pedro Ayres Magalhães e música de todo o grupo, tomou de assalto o Verão de 1983, numa altura em que o boom do rock português começava a sua fase descendente.




Jáfumega – Latin’América – 1982
(letra: Carlos Tê; música: Eugénio Barreiros)
Os Jafumega foram um dos grupos que explodiu com o boom do rock português dos anos 80, mas a sua história vinha já de trás. Os três irmãos Barreiros – Eugénio, Mário e Pedro – tinham formado em finais da década de 60 os Mini-Pop, que gravam vários discos e vão ao Festival da Canção de 1973. Mas os anos 80 trazem outros sons e os Jafumega são por vezes apelidados de os Police portugueses. Com a voz característica de Luís Portugal, “Ribeira”, “La Dolce Vita” ou “Latin’América” são três dos seus sucessos. Neste último, a letra era de Carlos Tê e a música de Eugénio Barreiros.




João Ferreira-Rosa – Embuçado – 1965
(letra: Gabriel de Oliveira; música: Alcídia Rodrigues)
Se este ano se comemoram os 80 anos da fundação da Rádio Pública, contam-se também 50 anos sobre o primeiro disco de João Ferreira-Rosa. Editado pela Valentim de Carvalho, este EP dava o destaque na capa ao fado “Embuçado”, uma letra de Gabriel de Oliveira com música de Alcídia Rodrigues. É ainda hoje a canção pela qual o fadista é mais reconhecido, num percurso que só peca pela escassez de gravações: em cinco décadas, entre vinis e CD’s de originais, a obra como cantor de João Ferreira-Rosa não chega à dezena de referências.





João Maria Tudella – Kanimambo – 1959
(letra: Reinaldo Ferreira – Vasco Matos Sequeira; música: Artur Fonseca)




Por trás da canção “Kanimambo”, o maior sucesso de João Maria Tudella, está uma tríade de autores: Reinaldo Ferreira e Vasco Matos Sequeira, os letristas, e Artur Fonseca, o maestro. Da sua pena, saiu também um dos maiores clássicos da nossa música, “Uma Casa Portuguesa”, cantada no início dos anos 50 por Sara Chaves. No final da década, em 1959, Tudella tornava conhecida em todo o mundo a expressão moçambicana que queria dizer obrigado – ao mesmo tempo, e como ele próprio referia, esse sucesso de “Kanimambo” praticamente ofuscou todo o seu restante reportório, que o levou a cantar poemas de Manuel Alegre ou de José Gomes Ferreira. Recuemos então 56 anos!

João Villaret – Fado Falado - 1947
(letra: Nelson de Barros – Aníbal Nazaré – Ascensão Barbosa; música: Francisco Menano)




João Villaret foi um dos maiores actores do século XX português mas tinha um talento de facto tão grande que até na música deixou a sua marca. “Fado Falado” é um desses momentos históricos e foi criado originalmente para a revista “Tá Bem ou Não Tá”, em 1947. As palavras de Nelson de Barros, de Aníbal Nazaré e de Ascensão Barbosa, com melodia de Francisco Menano, rapidamente se popularizaram e pouco tempo depois já Hermínia Silva cantava um “Fado Mal Falado”. Muitos anos mais tarde, em 2001, Paulo Bragança transformava-o de novo, e chama-lhe “Fado Mudado”. João Villaret tinha-nos deixado fazia então 50 anos. Na realidade, este que foi também um dos maiores declamadores de poesia portuguesa, levando-a junto do grande público, apenas tinha partido em procissão…

Jorge Palma – Deixa-me Rir – 1985
(letra e música: Jorge Palma)




Jorge Palma gravou o seu primeiro disco em 1970, como membro do grupo Sindicato. Dois anos depois, chega o seu primeiro trabalho a solo, ainda cantado em inglês. Logo depois, com “A Última Canção”, de 1973, a ajuda de José Carlos Ary dos Santos faz desbloquear uma veia criativa no que à escrita em língua portuguesa diz respeito. O resultado é uma das mais consistentes e influentes obras da nossa música, algures entre o registo dos cantautores e o espírito rebelde do rock. “Deixa-me Rir”, com letra e música de Jorge Palma, chegou em 1985 e encostou-se desde logo aos nossos ouvidos.

José Afonso - Grândola, Vila Morena 1971
(letra e música: José Afonso)




Mesmo que “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso, não tivesse sido escolhida como senha radiofónica para o 25 de Abril de 1974, faria à mesma parte da história. “Cantigas do Maio”, o álbum de que faz parte, foi editado em 1971 e é considerado como um dos mais importantes da carreira do seu autor. Pela primeira vez, José Mário Branco – que se estreava nos álbuns nesse mesmo ano – assumia a direcção musical de um disco de Zeca, e o resultado não podia ser mais refrescante. Quase 45 anos depois, os arranjos continuam a ser actuais e as canções são uma fonte constante de novidade – e assim se fez uma revolução!


José Cid – Ontem, Hoje e Amanhã 1976
(letra e música: José Cid)




Um dos nomes mais transversais e respeitados da nossa música, José Cid sempre foi um turbilhão de criatividade a jorrar à velocidade de uma nave espacial. Primeiro com o Quarteto 1111, entre 1967 e 1975, e, em paralelo desde 1971, como dono de uma carreira a solo única e sempre versátil, a sua obra está ainda hoje em grande medida por redescobrir. Se todos conhecem os seus grandes sucessos, muito poucos têm ideia do pioneirismo e do espírito de vanguarda da obra do músico. Não será esse o caso de “Ontem, Hoje e Amanhã”, que foi premiada no Festival Yamaha, de Tóquio, em 1975, e que ainda hoje José Cid canta ao vivo. É preciso mesmo nascer-se para a música!


Maria de Fátima Bravo – Vocês Sabem Lá – 1958
(letra: Jerónimo Bragança; música: Nóbrega e Sousa)
O 1º Festival da Canção Portuguesa, que se realizou no Cinema Império, em Lisboa, a 21 de Janeiro de 1958, permitiu dar a conhecer vozes novas e outras já consagradas mas, especialmente, trouxe novas canções. Uma delas era “Vocês Sabem Lá”, que foi defendida por Maria de Fátima Bravo. Aclamada pelo público com a maior ovação da noite, é publicada logo depois em disco e marca também o início da carreira da cantora. A dupla de autores responsável pela mesma é Jerónimo Bragança e Nóbrega e Sousa, que, em 1960, escreveriam também o original “Não Canto”. E Maria de Fátima Bravo pouco depois deixa mesmo de cantar, ficando a sua obra como recordação maior de um período de mudanças na nossa canção ligeira.




Maria de Lourdes Resende – Alcobaça - 1952
(letra: Silva Tavares; música: Belo Marques)
Uma das maiores divas da canção portuguesa é sem dúvida Maria de Lourdes Resende. Com uma carreira começada há 70 anos, no mesmo ano em que terminava a 2ª Guerra Mundial, integrou pouco depois o duo Lourdes e Lina, ao lado da cantora Lina Maria. Com a nova década de 50, Maria de Lourdes Resende faz as suas primeiras gravações comerciais para o selo Melodia, da Rádio Triunfo, e logo ali surgem vários momentos de referência. “Alcobaça”, com letra de Silva Tavares e música do maestro Belo Marques, que também dirigia a orquestra, ainda hoje está na boca de muita gente, mas a carreira de Maria de Lourdes Resende continuaria durante quase mais três décadas, em que venceu prémios, foi a festivais internacionais e cantou grandes nomes da nossa música. Se Portugal nunca a poderá esquecer, a vila de Alcobaça já lhe fez há anos a devida homenagem.




Maria Teresa de Noronha – Rosa Enjeitada - 1962
(letra: José Galhardo; música: Raul Ferrão)
Se toda a aristocracia que canta o fado tivesse em Maria Teresa de Noronha a sua referência-base, talvez houvesse de facto um género chamado “fado aristocrático”. Certo mesmo é que poucos cantaram o fado com a nobreza que esta cantora impunha às suas interpretações. Com apenas 20 anos, em 1938, a Emissora Nacional convida-a a realizar um programa de fados, que acaba por se prolongar até 1962. É precisamente desse ano a sua gravação que escolhemos de um dos clássicos da música portuguesa: “Rosa Enjeitada”, com letra de José Galhardo e música de Raul Ferrão, e que passara já por vozes como as de Berta Cardoso ou Hermínia Silva. A acompanhar Maria Teresa de Noronha, encontramos Raul Nery e Joaquim do Vale, além de Joel Pina, o decano dos baixistas de fado. Vai-se então cantar o fado…




Mariza – Ó Gente da Minha Terra – 2001
(letra: Amália Rodrigues; música: Tiago Machado)
A edição de “Fado em Mim”, em 2001, trouxe um novo talento maior para a área do fado: o de Mariza. Reconhecida desde logo dentro e fora de Portugal, esse disco trazia várias canções do reportório de Amália mas trazia também um poema da grande diva do fado com música original de Tiago Machado, que foi também o produtor do disco. “Ó Gente da Minha Terra” foi sem dúvida o melhor cartão de visita possível para Mariza, e todas as promessas deste primeiro trabalho foram plenamente confirmadas nos quatro discos que entretanto gravou.




Max – A Mula da Cooperativa – 1954
(letra: Popular; música: Popular – arranjo: Max)
É bem complicado reduzir o talento de Max a uma só das suas múltiplas valências. Autêntico performer, Max é uma rara excepção no panorama musical da sua época: além de cantor era letrista, compositor ou ainda imitador. “Porto Santo”, “Nem às Paredes Confesso” ou “Sinal da Cruz” são três dos seus muitos sucessos, escritos sozinho ou em parceria. Com o conjunto de Tony Amaral, grava também o popular “Bailinho da Madeira”, ilha onde nasceu e onde começou a sua carreira. “A Mula da Cooperativa”, um tema de origem popular a que Max deu o seu cunho bem pessoal, foi publicado pela primeira vez em 1954 e tornou-se desde logo num dos seus grandes êxitos. E nem foi preciso dar coices no telhado…




Milú – Cantiga da Rua - 1943
(letra: João Bastos; música: António Melo)
Dois dos muitos êxitos musicais do cinema português fazem parte do filme “O Costa do Castelo”, de 1943: são eles “A Minha Casinha”, que mais tarde os Xutos & Pontapés levariam à geração dos anos 80, e “Cantiga da Rua”. O sucesso foi tanto que rapidamente Milú as grava em disco, para a Valentim de Carvalho. Ambas as músicas são da autoria de António Melo, conhecido também por acompanhar António Lopes Ribeiro no programa da RTP “Museu do Cinema”. Quanto a Milú, continuaria a sua carreira como actriz e cantora, com destaque para o papel em “Kilas, o Mau da Fita”, de 1981, e a sua obra será sempre, como nos versos de João Bastos, “das outras diferente”.



Ornatos Violeta – Ouvi Dizer – 1999
(letra e música: Manel Cruz)
Com apenas dois álbuns de originais, “Cão!”, em 1997, e “O Monstro Precisa de Amigos”, em 1999, os Ornatos Violeta conquistaram um lugar no panteão dos grupos de culto da música portuguesa. A sua postura desalinhada mas bem atenta à realidade é referência incontornável para muitos dos novos cantores e grupos do séc. XXI. Para ter uma ideia do universo peculiar dos Ornatos Violeta, basta dizer que no seu segundo disco conseguiram ter como convidados Gordon Gano, dos Violent Femmes, e Victor Espadinha. É dele precisamente a voz que se ouve ao lado da de Manel Cruz, o autor deste clássico pós-moderno: “Ouvi Dizer”!




Paulo de Carvalho - E Depois do Adeus – 1974
(letra: José Niza; música: José Calvário)
Primeira senha radiofónica do 25 de Abril de 1974, “E Depois do Adeus” não iria levantar suspeitas por ter sido a vencedora do Festival da Canção desse ano, apenas um mês antes da revolução. No entanto, a letra de José Niza questionava de uma forma semi-metafórica o momento de indefinição no Portugal de então, com uma guerra a caminho da dezena e meia de anos. Paulo de Carvalho, uma das maiores vozes portuguesas da sua geração, ainda esteve para cantar “E Depois do Adeus” em inglês no Festival da Eurovisão desse ano, mas tal acabou por não acontecer. O compositor, José Calvário, com apenas 23 anos, conhecia aqui a sua segunda vitória no Festival da Canção, e foi autor de muitos outros momentos de sucesso da nossa música.



Paulo Gonzo – Jardins Proibidos - 1993
(letra: Pedro Malaquias; música: Paulo Gonzo – Luís Oliveira)
Se os blues em Portugal sempre tiveram poucos cultores, um dos nomes do género é também um dos maiores campeões de vendas no nosso país. Paulo Gonzo, que se destaca a partir do final dos anos 70 como membro da Go Graal Blues Band, começa em 1985 a sua carreira a solo, com o single “So Do I”. Em 1992, o álbum “Pedras da Calçada” afirma-o como intérprete em português, e “Jardins Proibidos”, com letra de Pedro Malaquias e música de Paulo Gonzo e Luís Oliveira, é um dos temas desse trabalho. Cinco anos depois, a canção conheceria ainda mais sucesso numa regravação ao lado de Olavo Bilac, mas hoje trazemos a versão original destes “Jardins Proibidos”!




Pedro Abrunhosa – Se Eu Fosse um Dia o Teu Olhar – 1996
(letra e música: Pedro Abrunhosa)
A década de 90 conheceu muitas transformações, mas bastaria o início da carreira a solo de Pedro Abrunhosa, com o clássico álbum “Viagens”, em 1994, para ela já ser relevante. Cantautor de veia funk, para quem o jazz, a música erudita contemporânea e a improvisação são bem mais que meros bibelots, o talento de compositor de Pedro Abrunhosa tem-se revelado das formas mais surpreendentes. Mas fiquemo-nos por “Se Eu Fosse um Dia o Teu Olhar”, um dos sucessos do músico, editado em 1996 no álbum “Tempo” e com um país inteiro já completamente rendido ao seu olhar musical…



Rodrigo Leão – Vida Tão Estranha 2009
(letra: Ana Carolina; música: Rodrigo Leão)
Em 1993, quando se estreia a solo, com o álbum “Ave Mundi Luminar”, Rodrigo Leão tinha atrás de si uma carreira de prestígio. Foi membro fundador da Sétima Legião e dos Madredeus, dois grupos em que, de formas diferentes, a alma portuguesa estava bem espelhada. Na carreira a solo de 1993 para cá, Rodrigo Leão tem feito um dos mais interessantes cruzamentos musicais entre Portugal e o mundo. Em “Vida Tão Estranha”, a letra é da brasileira Ana Carolina e a voz é da portuguesa Ana Vieira. Estamos em 2009, com o álbum “A Mãe” – e estranho é terem já passado seis anos…




Rui Veloso - Chico Fininho – 1980
(letra e música: Carlos Tê)
Um dos momentos fundadores do chamado boom do rock português, “Chico Fininho” marca também o pontapé de saída da carreira de Rui Veloso. No Verão de 1980, primeiro como parte do álbum “Ar de Rock” e depois em single, fica aqui claro que a popularidade do nosso rock passava também pela linguagem das ruas. Carlos Tê, o letrista habitual de Rui Veloso, assina aqui também a música, sendo reconhecido pelos seus pares como um dos grandes artífices dos textos musicais. Trinta e cinco anos depois, Rui Veloso é bem uma estrela do rock and roll.




Sam the Kid – Poetas de Karaoke - 2006
(letra e música: Sam the Kid)
Se o hip-hop em Portugal conheceu carta de alforria com a publicação da colectânea “Rapública”, em 1994, o início do século XXI conheceu uma verdadeira explosão do género. A partir de Chelas, em Lisboa, Sam the Kid tornou-se um dos mais populares e respeitados dentro e fora do meio. Álbuns como “Sobre(tudo)” ou “Pratica(mente)” mostram um músico com uma visão transversal da arte, bem atento à realidade e pronto a cantá-la e a denunciá-la. Como em “Poetas de Karaoke”, do segundo destes trabalhos, em 2006.




Santos & Pecadores – Não Voltarei a Ser Fiel - 1995
(letra: Miguel Ângelo – Fernando Cunha – Olavo Bilac; música: Olavo Bilac)
Quando os Santos & Pecadores se estreiam em 1995, com o álbum “Onde Estás”, o país já conhecia a voz de Olavo Bilac através do projecto Resistência. Não foi assim difícil tornar “Não Voltarei a Ser Fiel”, um dos temas deste trabalho, num dos grandes sucessos da nossa música dos anos 90. Com letra de dois Delfins, Miguel Ângelo e Fernando Cunha, em colaboração com o próprio Olavo Bilac, que também assina a música, eis uma recordação já com vinte anos.




Sérgio Godinho – O Primeiro Dia 1978
(letra e música: Sérgio Godinho)
Sérgio Godinho é um dos nomes da nossa música que mais tem cruzado gerações, quer ao nível do público quer dos músicos que o têm acompanhado ao longo dos anos. A sua carreira começou ainda antes de 1974, gravando fora de Portugal os seus três primeiros discos, mas desde essa altura que as suas canções chegaram às bocas de todos. “O Primeiro Dia”, uma balada de auto-reflexão, faz parte de “Pano-Cru”, um álbum de 1978, e é apenas um dos muitos clássicos de Sérgio Godinho.




Peste & Sida – Sol da Caparica – 1989
(letra: Henry Glover e Morris Levy – versão: Luís Varatojo; música: Henry Glover e Morris Levy – arranjo: Peste & Sida)
Formados no Verão de 1986, os Peste & Sida faziam parte da segunda fornada de bandas devedoras do espírito punk. Estreiam-se nos álbuns com “Veneno”, em 1987, na independente Transmédia, mas pouco depois mudam-se para a multinacional PolyGram, onde é publicado o segundo trabalho, “Portem-se Bem”. Aí encontramos um dos momentos mais populares da carreira do grupo, “Sol da Caparica”, uma versão de um tema americano que os Rivieras, nos anos 60, ou os Ramones, nos anos 70, tinham já gravado. Transposto p