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Argumentos de Óperas, Obra


Terra Baixa

Ópera com prólogo e três atos

Libreto Rudolph Lothar

Estreia 15 de novembro de 1903 no Neues Deutsches Theater em Praga

AntecedentesEugen d'Albert nasceu em Glasgow (Escócia) no dia10 de Abril de 1864. Começou a sua actividade em Londres e depois seguiu para Viena onde desenvolveu uma carreira brilhante como pianista consagrada sobretudo à interpretação dos grandes clássicos alemães.

Aluno de Liszt, foi um dos maiores pianistas da sua época. No entanto também se destacou como compositor, sendo bastante conhecidas as suas transcrições das obras para órgão de Johann Sebastiann Bach.

Na qualidade de compositor/intérprete virtuoso, ele revelou uma apetência especial para o drama, uma característica algo rara nesta estirpe de compositores. Podemos pensar em Paganini, Liszt, Chopin ou Joachim para percebermos que nenhum destes compositores foi tão longe no desenvolvimento de uma linguagem operática tal como o fez Albert. Mesmo os seus colegas mais novos como Busoni, Rachmaninov, Prokofiev ou Bartók, não o fizeram.

ResumoA acção desta ópera passa-se nos Pirinéus. Pedro um pastor que vive na solidão da montanha, apenas na companhia do seu amigo Nando e dos seus animais, sonha com o seu casamento.

Os dois amigos trabalham para Sebastiano, um abastado proprietário local. Este aparece em cena e faz-se acompanhar por Marta, sua amante, e por Tommaso, um ancião.

Apesar da sua relação com a jovem, Sebastiano revela pretender casar Marta com outro rapidamente. Só assim ele fica livre para pôr em marcha o seu plano de se casar com uma jovem endinheirada, de maneira a saldar as muitas dividas que contraiu. A escolha recai sobre o inocente e pobre Pedro.

Pedro deve assim casar com Marta e, com isso, passar a tomar conta do moinho que pertencia ao falecido pai da jovem.

O primeiro acto começa então no moinho onde os empregados, entre os quais Moruccio e a grande amiga de Marta, Nuri, comentam as notícias recentes. Marta está desesperada com o casamento forçado.

Entretanto chega Pedro vindo das montanhas, radiante com o seu estatuto de noivo e ansioso pelo seu casamento que se vai realizar nesse mesmo dia. Instala-se um clima de gozo em relação à figura do jovem pastor. Pedro parte em direcção à igreja.

Perante isto, Tommaso, na qualidade de ancião da aldeia, tenta persuadir Sebastiano a pôr de lado o seu plano. Mas Sebastiano está bem convencido do que quer. Aliás, não só reforça a sua vontade de ver o casamento realizado, como ainda acrescenta que não prescinde de continuar a ter Marta como sua amante. O plano é o seguinte: depois de Pedro adormecer no respectivo quarto, Marta deve acender uma vela à janela para que Sebastiano saiba que tem o caminho livre para poder ir ter com ela.

Tommaso vai ter com Moruccio, que nutria por Marta um sentimento muito especial. Este ao saber das reais intenções de Sebastiano, vai juntamente com o ancião da aldeia até à igreja para assim tentarem impedir a concretização da boda, mas chegam tarde de mais.

Já a sós, Pedro tenta consolar a sua teimosa noiva. Para isso dá-lhe a primeira moeda de prata que recebeu por ter morto um lobo que estava a atacar o seu rebanho. Marta percebe então, por esta atitude inocente, que o jovem pastor foi tão vitima de Sebastiano como ela. Ambos adormecem no mesmo quarto ficando no ar o murmúrio de Pedro: "Der Wolf kommt heute nicht", "Hoje, o lobo não atacará".

É de manhã. Pedro e Marta são despertados pela canção infantil de Nuri. Ao ver Marta, ainda deitada, iluminada pela luz daquela manhã, Pedro inseguro deseja fugir - as pessoas da Terra Baixa são muito complicadas para Pedro e ele não sabe se vai conseguir lidar com toda aquela situação.

O jovem pastor tenta travar amizade com Nuri, a única pessoa da Terra Baixa que aparenta uma pureza semelhante à dele. Essa relação desperta ciúmes em Marta. Esta apercebe-se de que, mais do que compaixão, ela começa a nutrir por Pedro um sentimento muito especial.

Entretanto aprece Tommaso que vem exigir a Marta que esta conte toda a verdade acerca de como foi planeado o seu casamento e de como ela foi parar às mãos de Sebastianno. No entanto, é tarde de mais. Pedro chega da cidade e já sabe de tudo, desconhecendo apenas o nome do seu rival. Durante uma violenta discussão, Marta apercebe-se do amor de Pedro, e vê nisso a oportunidade para se livrar do tirano Sebastiano. Conta-lhe a verdade, e fazem planos para fugirem para a montanha, onde pensam vir a ser felizes.

Surge então Sebastiano que vem exigir que Marta dance para ele. Pega na guitarra e canta uma canção de desafio. Enraivecido Pedro atira-se a Sebastianno, mas é logo afastado pelos criados do tirano. A verdadeira vingança chega através de Tommaso que alega ter avisado a pretensa noiva de Sebastianno acerca dos seus planos. Estão estragados os planos de Sebastiano. Está estragada a festa ao endividado tirano.

Cego de raiva, Sebastiano tenta fazer com que Marta fique com ele, ao que ela responde que é a Pedro que ama. Assim Sebastianno tenta beija-la à força. Pedro interpõe-se entre os dois e atira-se a Sebastiano estrangulando-o, tal como fez ao lobo. Os dois jovens fogem para a montanha, abandonando assim a Terra Baixa.