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Boulevard André Pinto

Argumentos de Óperas, Obra


Requiem Alemão

Obra coral

Estreia 18 de Fevereiro de 1869 no Gewandhaus de Leipzig

Antecedentes Composto entre 1865 e 1868, e estreado integralmente a 18 de Fevereiro de 1869 no Gewandhaus de Leipzig, o Requiem Alemão de Johannes Brahms é, no seu conjunto e apesar do nome, uma obra bem mais dramática do que religiosa. Não foi pensada para ser destinada à liturgia, nem se quer se trata de uma missa dos mortos ou de uma oração. A intenção de Brahms era sim criar um grandioso cenário musical que servisse de meditação sobre a morte. Para isso, Brahms baseou-se em fragmentos da bíblia de Martinho Lutero.

Resumo I. O primeiro andamento baseia-se nas palavras de São Mateus "Bem Aventurados os que choram, porque serão consolados", e ainda no salmo "Os que semeiam entre lágrimas, com alegria ceifarão".

II. Na segunda parte do Requiem Alemão temos três textos: "Porque toda a carne é como erva e toda a glória como a flor da erva", da 1ª epístola de São Pedro, citando Isaías; "Sede, pois, paciente e fortalecei os vossos corações porque a vinda do Senhor está próxima" da epístola de São Tiago; e, por fim, "Os remidos pelo Senhor voltarão", outra vez citação de Isaías.

III. Na terceira Parte, a voz do barítono surge angustiada com o salmo 38 "Fazei-me conhecer, Senhor, o meu fim e qual é o número dos meus dias". A resposta é dada pelo coro a partir do livro da sabedoria "Mas as almas dos justos estão na Mão de Deus e não os tocará o tormento da morte".

IV. O quarto andamento surge serenamente com mais um salmo cantado pelo coro: "Quão amável é a tua morada, Senhor dos Exércitos"

V. O quinto andamento, por sua vez, é uma comovente oração entregue á soprano. Este foi o último andamento a ser composto por Brahms - uma das suas páginas mais belas, escrita em 1865 em memória da sua mãe. Temos assim São João, com as palavras "Vós também estais tristes, mas eu hei-de ver-vos de novo"; Isaías "Vede Como uma mãe acaricia o seu filhinho, assim eu vos consolarei" e, finalmente, as palavras do livro de Ben Sira "Vede o pouco que trabalhei, e como adquiri muito descanso"

VI. Depois deste grande arioso expressivo, o sexto número deste requiem é como que um grande acto de fé e por isso um dos momentos mais fortes da obra. O barítono interroga com a epístola dos hebreus "Porque não temos aqui cidade permanente, mas vamos buscando a futura?". O coro responde com a 1ª epístola dos Coríntios "Eis que vos revelo um mistério: todos certamente ressuscitaremos, mas nem todos seremos mudados". Por fim, numa grandiosa dupla fuga ouvem-se as palavras do Apocalipse de São João "Tu És Digno, ó Senhor nosso Deus, de receber glória e honra e o poder"

VII. O sétimo andamento serve de conclusão a esta obra - Mais uma vez o texto do Apocalipse serve para o coro anunciar o repouso eterno com um grande arrebatamento sagrado de piedade serena, réplica musical e espiritual do coro inicial. O Requiem Alemão termina com as palavras "Bem-aventurados os mortos, que morrem no Senhor!"