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Argumentos de Óperas, Obra


Os Apóstolos

Oratória para quatro solistas, coro e orquestra.

Estreia
14 de Outubro de 1903

Antecedentes
Depois do sucesso das Variações Enigma e do Oratório "O Sonho de Gerontio", Elgar foi convidado pela organização do Festival Trienal de Música de Birmingham a embarcar num novo projecto. A proposta consistia numa obra de grandes proporções para coro e orquestra, à semelhança de "O Sonho de Gerontio", estreado precisamente na edição anterior do festival. Elgar acedeu, e propôs-se imediatamente a trabalhar num tema, que segundo ele ,o acompanhava desde criança. A Fonte de Inspiração seria o Novo Testamento e o projecto inicial previa a composição de uma trilogia. Apesar de nunca o ter completado, desse projecto nascem duas oratórias cuja narração gira à volta dos discípulos de Jesus: "Os Apóstolos" e "O Reino".

Sob ponto de vista narrativo, a preocupação de Elgar não foi tanto o aspecto religioso e filosófico da vida de Cristo, mas o lado humano dos discípulos e a maneira como eles reagem aos diversos acontecimentos que os rodeiam. Assim as personagens desta oratória são: a Nossa Senhora, o Arcanjo Gabriel; Maria Madalena; São João, que para além de interveniente na história é também o narrador; São Pedro; Jesus Cristo; e Judas. 

Resumo

"Os Apóstolos" divide-se então em 7 planos narrativos e duas partes:

I Parte

1 - "O Chamamento dos Apóstolos" - A musica começa durante o amanhecer. Enquanto o Sol vai subindo no horizonte, os Apóstolos vão sendo escolhidos um por um.

2 - "Junto à Estrada" - Primeiras lições de Jesus que invoca as Beatitudes.

3 - "Pelo Mar da Galileia" - Aqui a travessia do mar é apenas uma breve passagem. A personagem principal é Maria Madalena e a narrativa principal gira à volta da sua conversão. A acção muda-se depois para Cesarea, Philippi e Capernaum. O número termina com a evocação de "Deus enquanto Porto-Seguro" feita pelo coro.

II Parte

4 - "A Traição" - Apesar de o fio condutor desta secção ser a Paixão de Cristo, é Judas que acaba por ser a personagem principal. Ao invés da interpretação tradicional em que Judas é-nos apresentado simplesmente como um traidor ambicioso, o apóstolo é tratado por Elgar como um homem que anseia a revelação do poder de Cristo e por isso aceita o seu destino para que assim se cumpra a profecia. A secção termina com o desespero de Judas.

5 - "Golgotha" - Um breve interludio que pretende simbolizar o momento da crucificação.

6 - "No Sepulcro" - A história da ressurreição é-nos narrada por São João que se faz acompanhar por um coro de Anjos.

7 - "A Ascensão" - O Milagre quase passa desapercebido. O importante neste número é a reunião dos apóstolos, que se preparam para fundar a igreja. Juntam-se numa oração com os Anjos.