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Argumentos de Óperas, Obra


Lo Spazzacamino (Limpa-Chaminés)

LibretoGiuseppe Foppa

Estreia
Provavelmente sob o título de "Lo Spazzacamino Príncipe" no Teatro de São Moisés em Veneza em 1794

AntecedentesNascido em Lisboa no ano de 1762, Marcos Portugal foi das figuras mais proeminentes da música em Portugal durante o classicismo e talvez um dos maiores compositores portugueses de todos os tempos.

Foi durante os anos em que este esteve em Nápoles, onde adoptou o nome de Marc'Antonio Portogallo, que o compositor iniciou a sua fase mais produtiva.

Em terras italianas Marcos Portugal beneficiou do contacto com os mais importantes expoentes da escola de Nápoles que o ajudaram a aprofundar os seus conhecimentos técnicos. Lá estudou o estilo italiano, assimilou as suas características e soube utilizá-las inteligentemente consolidando a sua própria linguagem musical: uma orquestração cuidada; uma linha melódica bem trabalhada; uma escrita clara; economia de meios; e um perfeito conhecimento e respeito das texturas e dos limites da voz humana.

Marcos Portugal conseguiu assim utilizar com mestria todas estas características em todas as suas óperas compostas durante este período - cerca de 35, entre óperas sérias e óperas cómicas - e "Lo Spazzacamino" não é excepção.

O primeiro documento que nos fala desta ópera data do ano de 1794 e refere-se a uma récita ocorrida no Teatro de São Moisés em Veneza. Neste documento a ópera aparece com o titulo de "Lo Spazzacamino Príncipe", uma comedia com música em um acto. No mesmo período, esta ópera era encenada em Verona e em Dresden, simplesmente com o nome de "Lo Spazzacamino"

A ópera inicia assim uma carreira de sucesso estreando ainda no séc. XVIII em Nápoles, Lisboa e Londres. Já no séc. XIX, continua a ser posta em cena, com intervalos regulares, em cidades tão diferentes como Viena, Barcelona e São Petersburgo, onde foi sempre recebida com sucesso.

O libreto desta ópera é de Giuseppe Foppa, um intelectual e escritor veneziano, cujos textos inspiraram vários compositores e que chega a ser director do Teatro Nacional de São Carlos no ano de 1797-1798. Foppa baseia-se para escrever este libreto nas aventuras algo recambulescas de um limpa-chaminés que traja roupas de príncipe. 

Resumo

Na primeira cena, Don Fábio e Gianino perparam a casa para que quando o Marquês acorde tenha tudo em ordem.

Entretanto, entra Donna Flora que deseja falar com o secretário do Marquês. Ela pretende conquistar o coração do marquês. Don Fábio, o secretário apresenta-se imediatamente.

Don Fabio está deslumbrado com a beleza de Flora, mas enquanto pensa na estratégia a adoptar para cair nas graças da jovem, Pierroto, o limpa-chaminés, entra em cena e gaba-se com brio dos seus talentos

Enquanto canta, Pierroto limpa a chaminé e desce por ela até ao quarto do marquês que ainda se encontra a dormir profundamente. Sujo com a fuligem, o jovem limpa-chaminés repara nas esplêndidas roupas do nobre e experimenta-as, libertando-se assim das suas roupas emporcalhadas.

Entretanto, o marquês acorda, pregando um grande susto ao jovem intruso. Pierroto consegue passar despercebido ao marquês que não se encontra muito bem disposto, pois é devorado pelos ciúmes que sente por Donna Flora.

Quando vê as roupas sujas de Pierroto atiradas na sua cadeira, apesar de intrigado, ocorre-lhe a ideia de as vestir, para depois, saindo por uma passagem secreta, ir a casa de Flora para a controlar. Tudo isto sob a observação do limpa-chaminés.

Enquanto o marquês se revela indeciso quanto à prática da ideia sua ideia, Pierroto anseia por uma oportunidade para poder sair do quarto sem ser visto. Nesse momento aparece Giannino.

Este não reconhece o marquês vestido com as roupas de limpa-chaminés e expulsa-o do quarto. O marquês aproveita a oportunidade e Pierroto fica só para desempenhar o papel de dona da casa.

Após alguns embaraços Pierroto entra finalmente no papel. Pede comida e bebida, e recebe todas as visitas da casa como se fosse o marquês, apenas queixando-se de algumas dores de dentes.

Decide então oferecer cem dobrões a Donna Flora e a mesma quantia ao velho tutor Frabrizio. Recebe assim Rosina, a criada de Donna Flora, que vai avisar o marquês acerca das manhas da sua patroa e da desonestidade de D. Fabio.

Pierroto fica encantado com Rosina e tenta esconder a sua expressão para não correr o risco de a desiludir e afastá-la. Assim improvisa um violento ataque de tosse. A jovem fica muito preocupada e Pierroto receia ser descoberto. Durante toda esta cena, os dois revelam-se apaixonados um pelo outro.

Entretanto chega Donna Flora que deseja ser recebida. Para a manter controlada, Pierroto que também se deixou apanhar pela beleza desta, dá-lhe um anel. Ela nem quer acreditar na dádiva do falso marquês. Para Flora o anel é uma declaração óbvia de amor.

Finalmente só, Pierroto decide livrar-se das suas vestes de nobre, pondo assim um ponto final à farsa. Nesse momento volta o marquês, cuja chegada provoca uma série de acontecimentos hilariantes, levando os seus empregados a julgarem-no demente, sem que no entanto tenham coragem para o admitir.

Rosina regressa à casa do marquês e abraça aquele que supostamente se declarou apaixonado por ela. Entretanto entra também Flora que trata o marquês por marido. Gera-se um quadro de confusão ao qual Pierroto assiste, sempre escondido.

Farto, o marquês ordena a todos que se retirem, e tenta perceber o que se passa, inquirindo os seus criados. No momento em que, cada vez mais baralhado com a situação, decide retirar-se para descansar, eis que surge um dentista que tinha sido chamado de urgencia.

Enquanto o dentista tenta arrancar um dente, contra a vontade do marquês, que mais uma vez se encontra completamente confuso com a situação, Pierroto decide contar toda a verdade ao marquês.

É a vez do marquês ter o controlo da situação e iniciar a sua pequena vingança: faz tremer Pierroto e Rosina, diz o que pensa a Flora e nem mesmo os seus empregados escapam. Quando a história parece estar destinada a correr mal, eis que tudo se resolve num final feliz.