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Notas Finais
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Notas Finais João Pedro

Argumentos de Óperas, Obra


Guerra e Paz

Ópera em 13 cenas lírico-dramáticas

LibretoMira Mendelson e Sergei Prokofiev a partir de Leon Tolstoi

EstreiaMoscovo, 7 de Junho de 1945

AntecedentesNapoleão, Imperador da França e soberano de quase toda a Europa, invade a Rússia em 1812. Durante o decurso da sua brilhante carreira militar e política, Napoleão passou de humilde soldado de artilharia a popular comandante das forças armadas. Em 1799, Napoleão e as suas tropas tomaram o controle do país e estabeleceram um novo governo, o Consulado, sendo Napoleão o primeiro cônsul. Napoleão usou assim os seus poderes consulares, quase ditatoriais, para centralizar a administração do governo, reformar o sistema de impostos, criar um novo sistema judicial, um novo código legal e fazer tratados de paz com a maioria dos países que posteriormente iria invadir e conquistar. Por volta de 1804, Napoleão já tinha acumulado poder suficiente para auto-proclamar-se imperador. Iniciou uma série de conquistas com o fim de construir o Império Francês, que no seu apogeu, cobria quase todo o continente. No entanto, por volta de 1810, só a Inglaterra, parte de Portugal e a Rússia permaneciam fora do império.
Em 1812 o Czar Alexander I, que oficialmente estava em paz com a França, quebrou o tratado napoleónico que proibia qualquer país europeu de comercializar com a Inglaterra. Napoleão vingou-se invadindo a Rússia com o maior exército armado que o mundo já havia visto: 500.000 homens recrutados por todo o império. Era óbvio que a Rússia não tinha possibilidades de vencer um exército tão grande. Em vez de se envolver numa batalha com as forças de Napoleão, os generais do Czar iniciaram uma estratégia de retirada. Eles conduziram Napoleão cada vez mais para o interior do extenso território russo, destruindo as terras que abandonavam enquanto faziam pequenos ataques às forças francesas. Quanto mais as tropas de Napoleão penetravam, mais cansadas ficavam. Os corredores de mantimentos franceses transformaram-se em alvos fáceis e a alimentação e vestuário tornaram-se escassos. A deserção era coisa comum. Da grande massa do exército francês, no final do verão, somente um terço permanecia em condições.
A única esperança de Napoleão era ocupar Moscovo antes que o famoso Inverno russo chegasse. A cidade forneceria alimento, abrigo e levantaria a moral de suas exaustas tropas. Ainda que as forças francesas tivessem diminuído consideravelmente, o exército russo ainda não se encontrava em posição para enfrentar um dos maiores comandantes militares da história. Os generais do Czar enfrentaram uma dura escolha: defender Moscovo e correr o risco de perder a guerra ou abandonar a cidade e assegurar a vitória.
Após uma importante mas inconsequente batalha em Borondino, o general Kutuzov retirou suas forças de Moscovo. Milhares de moscovitas seguiram a retirada do exército russo, deixando a cidade como que abandonada e levando os alimentos disponíveis consigo. As tropas de Napoleão chegaram a Moscovo para encontrar uma cidade despojada de seus suprimentos vitais. No mesmo dia em que Moscovo caiu sob controlo francês, os russos incendiaram-na. Na manhã seguinte poucas coisas restavam da cidade para abrigar as tropas francesas.
Em Moscovo, Napoleão esperou aproximadamente um mês, com a esperança de que o Czar oferecesse uma negociação. A oferta nunca chegou. No final de Outubro, as forças francesas não tinham condições de permanecer por mais tempo. O exército napoleónico iniciou uma marcha de retirada em direcção à França, fustigado pelo cruel Inverno russo, sem comida e ainda ameaçado pelas incursões russas. Do total de meio milhão de soldados que começaram a campanha de Napoleão contra Rússia, somente dez mil retornaram.
Os outros países europeus aproveitaram a vantagem da derrota de Napoleão e uniram suas forças para destruir o império. Em 1814, o governo francês foi derrubado e Napoleão foi exilado para a pequena ilha de Elba, no Mediterrâneo. A Rússia, livre da ameaça imperial, tornou-se uma das mais fortes potências na Europa.
A brilhante vitória da Rússia sobre Napoleão foi comemorada musicalmente em numerosos trabalhos, incluindo a famosa Abertura de 1812, de Tchaikovsky e a ópera Guerra e Paz de Prokofiev.

Resumo

Introdução: O coro canta uma canção de triunfo à Rússia, um país que aparentemente é impossível de ser invadido.

Parte I, cena i: Primavera de 1809. Uma noite de luar. Numa visita de negócios à família Rostov, o Príncipe Andrei Bolkonsky medita melancolicamente no seu quarto. Apercebe-se da conversa entusiasmada de Natasha e sua prima Sonya o que acaba por elvar o seu espírito - Ele sente-se atraído por Natasha.

Cena ii: Noite de ano novo. Num baile em S. Petersburgo, Natasha e Sonya estão acompanhadas pelo pai de Natasha, o Conde Rostov, e sua madrinha, Maria Akhrosimova. Eles estão deslumbrados pela figura impressionante da mulher de Pedro Bezukhov, Helena e o seu irmão o Conde Anatol Kuragin. Andrei dança com Natasha e confessa que ficou cativado pela conversa que ouviu na última primavera. O pai de Natasha convida-o a visitá-lo no dia seguinte.

Cena iii: Dois anos mais tarde, Natasha e Andrei estão noivos. O pai de Andrei mandou-o para o estrangeiro e, na sua ausência, Natasha vai a Moscovo para conhecer os seus futuros sogros. A irmã de Andrei, a Princesa Maria Bolkonskaya, recebe-a friamente. Acabam a falar numa possível guerra contra a França. O pai de Andrei, Príncipe Nikolai, inadvertidamente interrompe a conversa e o seu comportamento deixa claro que não está contente com a presença de Natasha. Ela compreende que o Príncipe Nikolai mandou Andrei para longe a fim de enfraquecer o compromisso entre os dois. Fica enfurecida com a sugestão de que ela não é suficientemente nobre para seu aristocrático noivo.

Cena iv: Alguns meses mais tarde a família Rostov ainda se encontra em Moscovo. Natasha vai visitar Helena. Helena sabe que Natasha está noiva de Andrei, mas mesmo assim confia-lhe que o seu irmão Anatol está apaixonado por ela. Anatol dirige-se a Natasha e entrega-lhe uma carta, beijando-a antes de sair. Lisonjeada e confusa pela súbita atenção, Natasha lê a carta onde Anatol proclama, em românticos termos, o seu desesperado amor por ela. Sentindo-se solitária com a prolongada ausência de Andrei, Natasha entusiasma-se por Anatol. Sonya tenta alertá-la para o facto de Anatol ser um conquistador mas Natasha não acredita. O Conde Rostov, preocupado com a atmosfera de moral decadente, leva sua família para casa.

Cena v: Anatol visita o seu amigo Tenente Dolokhov, e narra-lhe o sucedido. Anatol proclama alegremente que Natasha concordou em fugir com ele. Dolokhov desaprova, argumentando que Anatol já é casado. Com um gesto, Anatol coloca de lado os protestos do amigo e os dois saem. Vão ao encontro de Natasha.

Cena vi: Natasha está em casa de Maria Akhrosimova e descobre que Sonya havia contado o seu plano de fuga à madrinha. Quando Anatol chega para falar com Natasha, um empregado informa-o de que ele será conduzido até à dona da casa. Dolokhov, desconfiado, adverte-o sobre uma possível armadilha e, considerando as instruções suspeitas do empregado, Anatol escapa.

Cena vii: Maria confronta a afilhada sobre seu plano de fuga dizendo que este escandaloso comportamento é devido à influência de Helena. Natasha recusa-se a ser intimidada. Entretanto Pedro, o marido de Helena, chega e Maria informa-o sobre as acções de Anatol. Pedro promete fazer Anatol sair de Moscovo antes que a notícia sobre o escândalo se espalhe. Natasha ouve Pedro dizer que Anatol já é casado. Pedro, que também tem carinho por Natasha, fica perturbado ao fazê-la sentir-se infeliz e sai. Claramente perturbada, Natasha ingere uma dose de veneno, porém logo solicita a ajuda de Sonya.

Cena viii: Pedro vai ter com Anatol tentando convencê-lo a sair da cidade para evitar um escândalo. Pedro deseja viver de acordo com seus próprios princípios, pois pessoas como sua mulher e seu cunhado são totalmente repulsivas para ele. Eis que chega o Tenente-Coronel Denisov para anunciar que as tropas de Napoleão estão já concentradas ao longo da fronteira e que a guerra parece iminente.

Tal como aconteceu em 1946, sob a orientação do próprio Prokofiev vamos apresentar esta monumental ópera com base no romance de Tolstoi em duas partes isoladas sendo que hoje vamos ficar com as oito primeiras cenas, correspondentes ao escândalo de Natascha.

Parte II: Cena ix: Véspera da Batalha de Borodino, em 25 de Agosto de 1812. No campo de batalha, os homens aprontam-se cavando trincheiras. Andrei pondera sobre o final infeliz do amor maravilhoso que existia entre ele e Natasha. Andrei encontra Pierre que ali estava como um observador civil e os dois homens abraçam-se. Assim que a batalha começa, Andrei parte para comandar o seu próprio destacamento e teme não ver Pierre outra vez.

Cena x: O Marechal Kutuzov, comandante das tropas russas, encontra-se numa casa de campo com seus assessores. Num movimento táctico, decide que é melhor retroceder para Moscovo, disposto a perder a batalha para ganhar a guerra. Kutuzov reflecte sobre o intenso afecto que o povo russo tem por Moscovo, e sabe que este continuará a resistir a um potência invasora.

Cena xi: Pierre é feito prisioneiro pelos franceses e é apontado como um "indivíduo questionável". Enquanto está sob custódia, Pierre conhece um fazendeiro chamado Platon Karatayev, cujo patriotismo reflecte a firmeza do povo russo. Napoleão aparece quando os prisioneiros estão a ser levados. Está frustrado e surpreendido pela incrível resistência do povo que queima a sua própria cidade para não deixar nada aos franceses.

Cena xii: Natasha encontra Andrei ferido num casebre na periferia de Moscovo. Juntos recordam seu amor e Andrei morre com Natasha a seu lado.

Cena xiii: Os franceses estão em retirada. Estamos no inicio do Inverno russo. Eles forçam os seus prisioneiros, incluindo Pierre e Karatayev a marcharem com eles. Quando o fazendeiro é alvejado por um guarda, eles são emboscados e os prisioneiros vencem os franceses. Kutuzov aparece e anuncia que a Rússia é vitoriosa e as tropas celebram em honra ao seu comandante e ao triunfo russo.