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Raízes Inês Almeida

Argumentos de Óperas, Obra


O Rouxinol e O Rei Édipo

Ópera em três atos

LibretoStepan Mitousoff

EstreiaÓpera de Paris em 26 de maio de 1914

AntecedentesO palácio do imperador era o melhor do Mundo, todo ele construído da mais rara porcelana - não tinha preço, mas era tão frágil e delicado que era preciso tomar todo o cuidado quando se andava lá dentro. O jardim do palácio estava coberto de flores maravilhosas, nunca vistas em outro lado... as mais bonitas de todas tinham sininhos de prata, que tocavam para se saber sempre que passava alguém.

Sim, tudo no jardim do imperador tinha sido muito bem planeado. O jardim estendia-se até tão longe que nem o jardineiro fazia a menor ideia onde acabava. Se continuássemos a andar chegava-mos a uma bela floresta com árvores muito altas e lagos muito fundos. A floresta ia até ao mar, que era azul e também muito fundo... grandes navios podiam navegar mesmo por baixo dos ramos das árvores. Nesses ramos vivia um rouxinol que cantava tão bem que até o pobre pescador, com todas as suas dificuldades, parava de deitar as redes todas as noites para o ouvir.

É assim que começa o conto de Hans Christian Andersen que mais tarde acabará por inspirar Stravinsky a compor um conto fantástico em três actos para vozes e orquestra. 

Resumo

China, antiguidade lendária.

Nas margens do oceano à luz do luar, um Pescador atira as suas redes. Enquanto o faz, um Rouxinol empoleirado numa árvore começa a cantar uma canção de uma beleza indescritível sobre a paisagem nocturna. Entretanto a Cozinheira Imperial conduz o Camareiro, Bonzo (um sacerdote) e os cortesãos para a floresta. Eles vêm em busca do Rouxinol. No meio da floresta é fácil deixarmo-nos enganar por outros sons e por isso eles enganam-se várias vezes. Concentram-se e finalmente dão de caras com o famoso Rouxinol. Então o Camareiro convida o pássaro para cantar para o Imperador. Apesar do Rouxinol confessar que o seu canto é mais bonito quando escutado na floresta, ele concorda em ir até ao palácio. O pássaro pousa na mão da Cozinheira e o grupo faz sua viagem de retorno à corte.

Forma-se uma procissão para conduzir o Rouxinol ao palácio. Os cortesãos e criados burburinham excitadamente sobre o pássaro, o qual ninguém ainda viu. A Cozinheira chega e diz que o Rouxinol é um vulgar pássaro cinzento, desinteressante a não ser pela sua voz que faz qualquer um chorar. O pássaro e sua escolta chegam e dirigem-se ao palácio. Lá, o Imperador pede que o pássaro cante. É o que o Rouxinol faz. O Imperador, extremamente sensibilizado, oferece como recompensa ao Rouxinol, a Ordem da Sapatilha de Ouro; Porém, a ave recusa, dizendo que as lágrimas nos olhos do Imperador são recompensa suficiente.

Chegam então três embaixadores japoneses. Eles trazem um rouxinol mecânico incrustado com jóias como presente para o Imperador. Quando o pássaro canta, o verdadeiro Rouxinol deixa o paço. Ao saber da inesperada fuga do verdadeiro Rouxinol, o Imperador fica irritado. Ele decreta a expulsão da ave do seu reino fazendo do rouxinol mecânico o cantor oficial da corte.

Voltamo-nos a encontrar com o imperador já este está no fim da sua vida. A Morte, acompanhada pelos Espectros, retirou a sua coroa real, o ceptro e o pendão. O imperador não quer ouvir as vozes lúgubres que o rodeiam e clama por músicos. É neste momento que o verdadeiro Rouxinol entra. Atravessando uma janela que se encontrava aberta, o pássaro põe-se imediatamente a cantar, descrevendo o final da noite. Mesmo a Morte fica seduzida e pede ao Rouxinol que cante mais. O pássaro concorda, mas põe condições: A morte deve devolver ao rei a coroa, o ceptro e o pendão. A morte concorda, e acaba mesmo por desaparecer depois do Rouxinol ter terminado a sua canção sobre a melancolia do jardim dos mortos. O Imperador agradece ao pássaro e oferece-lhe uma posição de honra na corte. Uma vez mais, o Rouxinol diz que é recompensa suficiente ver as lágrimas nos olhos do Imperador. Prometendo voltar todas as noites para cantar, o pássaro voa para longe.

Nesse momento entra o Camareiro ao som de uma marcha fúnebre. Ele pensa que o Imperador está morto e fecha as cortinas ao redor da cama. A corte reúne-se para prestar homenagem ao falecido. De repente, as cortinas da cama abrem-se, revelando o Imperador que em perfeita saúde cumprimenta os seus súbditos.

Na praia, o Pescador conta um breve epílogo, dizendo que os pássaros da floresta falam pelo espírito do céu.