Ouvir
Vale a Pena Ouvir
Em Direto
Vale a Pena Ouvir Reinaldo Francisco

Geral

Clara Schumann

13 de setembro de 1819 – 20 de maio de 1896

|

Clara Schumann Clara Schumann


Clara Josephine Wieck nasceu em Leipzig. Os pais divorciaram-se quando tinha seis anos. Clara foi então educada pelo pai, que desde logo lhe começou a dar lições de piano.
Em Março de 1928, Clara com apenas nove anos, tocou em casa de um amigo do pai, o director de um hospício, onde conheceu outro jovem pianista - Robert Schumann que tinha já nessa altura 18 anos.
Schumann admirou de tal forma o talento de Clara que pediu para interromper os seus estudos de direito, que também não o interessavam muito, e ter lições de piano com o pai de Clara, Friedrich Wieck. Para tal, Robert schumann mudou-se para casa dos Wieck durante cerca de um ano.

Em 1830, Clara com apenas onze anos, partiu com o pai numa digrssão por várias cidades da Europa, onde se apresentou com sucesso. Deu o seu primeiro concerto como solista em Leipzig. Depois, em Weimar, tocou uma peça do compositor Henri Herz, que a presenteou com uma medalha gravada com o rosto de Clara, e um cartão onde estava escrito: " Para a talentosa artista Clara Wieck". Durante essa digressão, Clara conheceu em Paris Nicolò Paganini que se ofereceu para tocar com ela, porém o seu recital de Paris estava quase sem audiência, já que quase toda a gente fugiu da cidade devido à cólera.

Foi já na sua juventude que Clara recolheu elogios e honras. O seu repertório, escolhido pelo pai, era discreto e popular. Tocava obras de compositores como Henselt, Thalberg, Herz ... Tocava também já as suas próprias composições. Com o tempo, Clara programava então os seus próprios recitais, e começou a tocar obras dos novos compositores Românticos como Chopin, Mendelssohn, e Robert Schumann. Por outro lado, interpretava também os compositores mais difíceis do passado como Mozart, Scarlati ou Bach.

Quando Clara fez 19 anos, o pai fez tudo o que podia para impedir o casamento de Clara com Robert Schumann. Durante esse período, Robert Schumann, inspirado pelo seu amor por Clara, compôs algumas das suas mais belas canções. Casaram-se enfim no dia 12 de Setembro de 1840.
Apesar do casal ter tido sete filhos e um oitavo que morreu à nascença Clara continuou a tocar e a compor.
Clara acompanhava também Robert nos concertos, e em 1853 num desses concertos em Leipzig, conheceram Johannes Brahms que tinha então 20 anos, e muito os impressionou com o seu talento.
Em pouco tempo, passou a viver em casa de Robert e Clara como se fosse da família.
É curioso que a história relata que quando Brahms chegou a casa dos Schumann, Robert não estava em casa e o acolhimento não terá sido dos melhores. Quando Brahms voltou num outro dia, e começou a tocar a sua Sonata para piano em dó maior, Schumann ficou estático, maravilhado. Correu a chamar Clara, para conhecer o recém-chegado Brahms.

Em sua casa em Dusseldorf, Robert e Clara Schumann trataram Brahms como um génio. Robert recomendou as obras de Brahms aos seus editores e escreveu um famoso artigo na Nova Gazeta Musical, intitulado "Novos Caminhos", onde era chamado de "jovem águia" e de "Eleito".

Quando Schumann, numa crise de loucura, se atirou ao Reno, Brahms, como um filho mais velho, tomou sobre si as responsabilidades da casa, tomava conta dos filhos quando Clara partia em digressão... Clara Schumann tornou-se uma grande amiga e companheira, e muito se especulou sobre essa amizade mas ao que parece Brahms e Clara nunca se apaixonaram. Por outro lado, Ambos destruíram cartas e outros documentos que poderiam afirmar isso. Restou apenas a dúvida.
 Clara Schumannn era admirada pelo seu marido Robert enquanto pianista, mas ao mesmo tempo ele queria que ela fosse apenas uma boa mãe e dona de casa. Tudo isso se foi tornando cada vez mais difícil, à medida que a saúde de Robert se foi tornando mais instável. Clara teve de sustentar a casa, e para isso dava cada vez mais concertos, o que aos seus olhos e aos da sociedade estava em conflito directo.

Robert tentou o suicídio no rio Reno, mas foi resgatado por uma pequena embarcação, tendo passado o resto da vida num hospício. Robert morreu em Julho de 1856. Nessa altura Clara dedicou-se quase exclusivamente à interpretação da obra do marido, mas quando visitou a Inglaterra em 1856 a critica estava acérrima contra a música de Schumann. 

Clara interessou-se também pela música de Liszt, mas depois repudiou-a, deixou de tocar qualquer das suas obras, e suprimiu a dedicatória a Liszt na sua Fantasia em dó maior quando publicou a obra completa de Schumann. Recusou também participar no Festival de Viena em 1870, quando soube que LIszt e Wagner também iriam participar. Alias, sobre Wagner, Clara Schumann foi bastante contundente, descreveu Lohengrin como "horrível", e sobre Tristão e Isolda escreveu: "...é a coisa mais repugnante que alguma vez vi ou ouvi na vida..."

Clara Schumann foi uma mulher de grande carácter. Quando um dos filhos ficou incapacitado, ela ofereceu-se para tomar conta dos netos, e durante a revolução de Dresden, Clara passou as linhas de fogo da cidade, desafiando os soldados, para ir buscar os filhos.
A vida de Clara Schumann foi pautada por alguma tragédia. Além do marido, também um dos filhos esteve internado num hospício, e quatro dos seus oito filhos morreram, e ela própria acabou os seus dias numa cadeira de rodas.
Clara Schumann apresentou-se em público pela última vez em Frankfurt, em Março de 1891. Tocou de Brahms Variações sobre um tema de Haydn. Cinco anos depois, morreu na sequência de um ataque cardíaco com 77 anos de idade.