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A Propósito da Música
Em Direto
A Propósito da Música Alexandre Delgado

Geral

Franz Liszt

22 de Outubro de 1811 – 31 de Julho de 1886

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Franz Liszt Franz Liszt


Franz Liszt , nasceu em Raiding na Hungria, na noite de 21 para 22 de Outubro de 1811. Adam Liszt, o pai, era descendente de uma antiga família nobre húngara mas sem dinheiro, e era secretário na propriedade rural do príncipe Miklós Esterházy, na qual, durante o século XVIII trabalhou Joseph Haydn.
A mãe de Franz, Anna Lager, oriunda de uma classe de trabalhadores, passou a vida como criada de quarto em Viena, até ao dia em que casou com Adam que era doze anos mais velho.
Liszt nasceu na região mais ocidental da Hungria, que depois da Primeira Guerra Mundial foi cedida à Áustria e ficou conhecida como Burgenland. O alemão foi o seu idioma natal, e cresceu sem conseguir aprender a falar húngaro. No entanto o seu patriotismo levou-o sempre a defender as causas húngaras, e nos anos 40 de 1800 vestia frequentemente o traje nacional húngaro como forma de protestar contra a dominação austríaca do seu país.
O pai de Liszt, era funcionário dos Esterházy, mas também cantor, tocava piano e violoncelo, e por isso participava nos concertos de Verão em Eisenstadt, onde conheceu Joseph Haydn. Pouco antes do nascimento de Franz, foi transferido para uma propriedade do príncipe em Raiding, onde a sua função era a de contabilista de ovelhas.
Adam deu lições de piano ao seu filho que tinha já revelado dotes extraordinários para a música. Franz fez progressos rápidos. Dominava já um grande repertório de Mozart, Bach, Clementi… e era notável a sua capacidade de improvisação. Adam apresentou o seu filho ao público quando este tinha nove anos. Foi em Oedenburg em Novembro de 1820.

O sucesso de Oedenburg, incentivou o pai de Franz a ser mais ambicioso, e a querer para o filho os melhores professores. Hummel era considerado o melhor em Weimar, mas cobrava preços proibitivos, por isso, Adam procurou Carl Czerny, com quem Franz Liszt esteve apenas 14 meses. Czerny afirmou mais tarde que nunca tinha tido um aluno tão talentoso. Para as aulas teóricas Franz estudava com Antonio Salieri que tal como Czerny não cobrava as suas lições.
Em 1822 Franz Liszt apresentou-se pela primeira vez ao público de Viena que ficou em delírio. Aos doze anos Liszt era um ídolo.O conservatório de Paris, nessa altura dirigido por Luigi Cherubini, recusou a sua entrada por ser estrangeiro, mas Liszt não desistiu. Passou a residir em Paris e a receber lições particulares dos melhores mestres: Anton Reicha e Fernando Paer. Por outro lado, o famoso construtor de pianos Sebastien Érard contratou-o para divulgar os seus novos modelos.

A família Liszt mudou-se de Viena para Paris em Setembro de 1823. No ano seguinte, apresentou-se ao público parisiense obtendo com sempre um enorme sucesso. As viagens sucederam-se sem parar, e 1827 Franz começou a sentir-se deprimido e cansado, o que deu lugar a uma crise de misticismo que o levou mais tarde a entrar para a Ordem dos Franciscanos.
Nesse ano de 1827, Adam morre na sequência de febre tifóide. Uma morte profundamente traumática para o jovem Liszt na altura com 16 anos.
Como filho único, coube-lhe não apenas escrever á mãe a dar a triste noticia, como assegurar o seu sustento e pagar as dívidas com a venda do seu piano Érard.
Franz Liszt e a mãe alugaram um apartamento em Paris. Viviam das lições de piano que Franz dava aos filhos dos aristocratas, entre os quais estava a condessa Caroline de Saint-Cricq, uma jovem de 17 anos, filha de um Ministro do rei, por quem Franz se apaixonou.
Foi um insucesso amoroso, uma vez que o pai de Caroline tinha projectos mais ambiciosos para a filha. Pouco tempo depois casou-se com um abastado proprietário de terras no sul de França para onde foi viver.

Foram dois golpes duros para Franz Liszt. Primeiro a morte do pai, e depois o insucesso da sua primeira paixão por Caroline de Saint-Cricq. Isso deixou-o deprimido e afastado dos palcos durante a temporada de 1827-28. A sua ausência foi de tal modo sentida que surgiram boatos da sua morte. O jornal Le Corsaire, chegou mesmo a publicar a notícia da sua morte no dia 23 de Outubro de 1828, mas curiosamente Liszt estava nesse dia tranquilamente em casa a celebrar o seu aniversário.
Franz estava no entanto triste e psicologicamente abatido. Teve necessidade de se dedicar novamente à fé e à leitura voraz de autores como Voltaire, Hugo e Balzac. Por outro lado, passou a interessar-se e a participar na agitação política que então se vivia em França.
Impelido pelos seus ideais de uma sociedade igualitária, fundou em 1834, juntamente com Chopin e Berlioz, a Gazeta Musical de Paris, com o objectivo de defender os direitos do artista e esclarecer a opinião pública sobre a função da arte na sociedade.Em 1833, Franz Liszt conheceu a condessa Marie d’Agould. Na altura casada e com duas filhas, Marie era uma mulher bela, culta, independente e rica. Dois anos depois Marie acabou com o seu casamento de conveniência e foi viver com Franz para a Suiça.
Afastado temporariamente da carreira de concertista, Liszt trabalhou no Conservatório de Genebra e dedicou-se inteiramente à composição e também à divulgação das obras de outros compositores.
Da sua relação com Marie, nasceram três filhos: Blandine, Cosima (que se casou em segundas núpcias com Wagner), e Daniel. Depois do nascimento do terceiro filho, Franz e Marie terminaram a relação, o que aconteceu em 1839.
Marie Voltou para Paris com os filhos e Liszt passou os oito anos seguintes em digressão pela Europa.
Liszt estava no auge da fama. Entrava triunfalmente em cada cidade sentado na sua carruagem atrelada a seis cavalos brancos, e era o convidado de honra da alta aristocracia parisiense. Liszt atingiu como homem e como artista uma das suas metas: uma posição de destaque dentro da hierarquia social.

Célebre, festejado e admirado, Liszt ganhava fortunas. Era cortejado pelas mais belas mulheres da Europa, mas apesar disso não era feliz, sentia a necessidade de uma relação amorosa sólida e estável. O equilíbrio só foi encontrado em 1847, aos 36 anos, quando conheceu a princesa polaca Carolyne Sayn-Wittgenstein, o seu último grande amor.
Casada, mas vivendo separada do marido, Carolyne, aos 28 anos, era culta e tinha a personalidade forte e independente. Embora não fosse bela, Liszt sentiu-se totalmente seduzido por esta figura de mulher aristocrática, inteligente e de grande vitalidade e que partilhava as suas ideias, tanto no plano religioso como no intelectual e artístico. Ao seu lado, Liszt viveu o período mais fértil como compositor.
Em 1848, Liszt transferiu-se para Weimar, onde veio a exercer as funções de mestre-de-capela e regente da corte. Vivia no castelo da princesa Carolyne, que aguardava a anulação de seu casamento. Liszt dividia o seu tempo entre a leitura e a composição. Transformou Weimar num dos principais centros musicais da Europa, desenvolvendo uma intensa actividade com a divulgação das obras dos seus contemporâneos. Foi durante este período que conheceu Richard Wagner, estabelecendo-se entre os dois uma sólida amizade. Foi graças a Liszt que Wagner teve as suas primeiras óperas encenadas.
No plano pessoal, Liszt viu frustrada a sua tentativa de casamento com Carolyne, pois esta não conseguiu obter do Vaticano a anulação de seu casamento. E quando, em 1864, a princesa enviuvou, ambos já tinham renunciado ao projecto de casamento.
Liszt envelhece em Roma. Não só perdeu o seu filho mais novo, Daniel, em 1859, como também a sua filha mais velha Blandine que morreu em Setembro de 1862. Além disso, Cosima, a única que lhes restava estava prestes a deixar o seu primeiro marido Hans von Bülow para se casar com o seu amigo Richard Wagner. Posto isto, Liszt e Wagner estiveram cinco anos sem se falar.
Para compor a sua lista de desgostos, Cosima converteu-se ao protestantismo depois de se casar com Wagner, uma afronta para quem nesta altura estava mais do que nunca próximo da Igreja católica.

Para alcançar alguma paz de espírito na sua vida atribulada, Liszt retirou-se em Madonna del Rosario, um mosteiro quase deserto em Monte Mario muito perto de Roma. Aí foi visitado pelo Papa Pio IX que muito o apreciava como músico.
Liszt foi várias vezes solicitado para recitais particulares no Vaticano, e na sua casa de férias em Castel Gandolfo.

Em Abril de 1865, Liszt entra finalmente para a ordem dos Franciscanos. As suas ordens menores que se compunham de porteiro, acólito, leitor e exorcista, não o obrigavam ao celibato e nem o impediram de continuar a compor, a leccionar e de se apresentar em concertos. Paris e Londres foram as últimas cidades a aplaudi-lo.
As comemorações dos seus 75 anos provocaram uma vaga de solicitações de vários países. Durante anos, o seu discípulo inglês Walter Bache organizava um concerto em Londres, e nesta altura depois de uma ausência de quase 40 anos, Bache insistiu para que Liszt voltasse a Inglaterra o que se tornou irrecusável para Liszt.
Passou três semanas em Londres, e apesar de inicialmente se ter recusado a tocar piano, acabou por ceder para grande prazer dos muitos admiradores.
Liszt regressou a Weimar via Paris no dia 17 de Maio de 1886. Os traços da sua velhice eram agora visíveis. Estava parcialmente cego, e o seu corpo estava curvo e cansado.
Liszt passou alguns dias no Luxemburgo, onde fez o seu último recital no dia 19 de Julho. Chegou a Bayreuth no dia seguinte com febre muito alta, e a sua filha Cosima que ele passou vários anos sem ver desde a morte de Wagner, não pode dar-lhe grande hospitalidade devido aos compromissos com o Festival. Depois de ter sido tratado pelo médico de Wagner, Liszt foi assistir à apresentação de Parsifal no dia 23 de Julho, e insistiu em estar presente na estreia de Tristão e Isolda no dia 25, mas na noite de 27 Liszt começou a delirar. Diagnóstico: pneumonia. Morre no dia 31 de Julho de 1886.