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Império dos Sentidos
Em Direto
Império dos Sentidos Paulo Alves Guerra / Produção: Ana Paula Ferreira

Letras de Canções


La fleur des Eaux / A flor das águas

Letra Original:


La fleur des Eaux

L'air est pleine d'une odeur exquise de lilas
Qui, fleurissant du haut des murs jusques en bas,
Embaument les cheveux des femmes.
La mer au grand soleil va toute s'embraser,
Et sur le sable fin qu'elles viennent baiser
Roulent d'éblouissantes lames...
O ciel qui de ses yeux dois porter la couleur

Brise qui vas chanter dans les lilas en fleur
Pour en sortir tout embaumée,
Ruisseaux, Qui mouillerez sa robe,
O verts sentiers,
Vous qui tressaillerez sous ses chers petits pieds,
Faites-moi voir ma bien-aimée!...
Et mon coeur s'est levé par ce matin d´été,

Car une belle enfant était sur le rivage,
Laissant errer sur moi des yeux pleins de clarté,
Et qui me souriait d'un air tendre et sauvage.
Toi que transfiguraient la Jeunesse et l'Amour,
Tu m'apparus alors comme l'âme des choses;
Mon coeur vola vers toi, tu le pris sans retour,

Et du ciel entr'ouvert pleuvaient sur nous des roses...
Quel son lamentable et sauvage,
Va sonner l'heure de l'adieu!
La mer roule sur le rivage,
Moqueuse, et se souciant peu
Que ce soit l'heure de l'adieu.
Des oiseaux passent l'aile ouverte,
Sur l'abîme presque joyeux;
Au grand soleil la mer est verte,
Et je saigne, silencieux,
En regardant briller les cieux.
Je saigne en regardant ma vie
Qui va s'éloigner sur les flots;
Mon âme unique m'est ravie
Et la sombre clameur des flots
Couvre le bruit de mes sanglots.
Qui sait si cette mer cruelle
La ràmenera vers mon coeur?
Mes regards sont fixés sur elle,
La mer chante, et le vent moqueur
Raille l'angoisse de mon coeur...

Tradução para Português:


A flor das águas

O ar está cheio do aroma delicado dos lilases
Que, florindo do alto dos muros até baixo,
Perfumam os cabelos das mulheres.
O mar, em pleno sol, vai ficar todo em brasa
E sobre a areia fina que vêm beijar
Rolam ondas cintilantes...
Oh, céu, que dos seus olhos deve ter a cor

Brisa que vais cantar nos lilases em flor
Para deles sair bem perfumada,
Regatos, que ireis molhar o seu vestido,
Oh verdes caminhos,
Vós, que estremecereis sob os seus pés adorados,
Fazei-me ver a minha bem amada!...
E o meu coração exaltou-se nesta manhã de Verão,

Porque uma bela jovem estava na praia,
Deixando errar sobre mim os olhos cheios de claridade,
E sorrindo-me com um ar terno e selvagem.
Tu que a juventude e o amor transfiguravam
Surgiste-me então como a alma das coisas;
O meu coração voou para ti, tu prendeste-o sem regresso,

E do céu entreaberto choviam rosas sobre nós...
Que som lamentável e selvagem,
Vai soar a hora do adeus!
O mar rola na praia
Trocista, e pouco se importando
Que seja a hora do adeus.
Passam aves de asas abertas,
Sobre o abismo quase jubiloso;
Em pleno sol o mar é verde,
E eu sangro, silencioso,
Vendo brilhar os céus.
Sangro ao fitar a minha vida
Que vai afastar-se sobre as ondas;
A minha própria alma foi-me arrebatada
E o clamor sombrio das vagas
Cobre o ruído dos meus soluços.
Quem sabe se este mar cruel
A restituirá ao meu coração?
Os meus olhares fixaram-se nela,
O mar canta, e o vento trocista
Zomba da angústia do meu coração.