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Império dos Sentidos
Em Direto
Império dos Sentidos Paulo Alves Guerra / Produção: Ana Paula Ferreira

Letras de Canções


Duas Fábulas de La Fontaine

Letra Original:


Le corbeau et le renardMaître Corbeau, sur un arbre perché,
Tenait en son bec un fromage.
Maître Renard, par l'odeur alléché,
Lui tint à peu prés ce langage:
"Hé! bonjour, Monsieur du Corbeau,
Que vous êtes joli! que vous me semblez beau!
Sans mentir, si votre ramage
Se rapporte à votre plumage,
Vous êtes le phénix des hôtes de ces bois.
A ces mots le corbeau ne se sent plus de joie;
Et pour montrer sa belle voix,
Il ouvre un large bec, laisse tomber sa proie.
Le Renard s'en saisit, et dit: "Mon bon Monsieur,
Apprenez que tout flatteur
Vit aux dépens de celui qui l'écoute:
Cette leçon vaut bien un fromage, sans doute."
Le corbeau, honteux et confus,
Jura, mais un peu tard, qu'on ne l'y prendrait plus.

La cigale et la fourmiLa cigale, ayant chanté
Tout l'été
Quand la bise fut venue:
Pas un seul petit morceau
De mouche ou de vermisseau.
Elle alla crier famine
Chez la fourmi sa voisine,
La priant de lui prêter
Quelque grain pour subsister
Jusqu'à la saison nouvelle.
"Je vouis paierai, lui dit-elle,
Avant l'août, foi d'animal,
Intérêt et principal."
La fourmi n'est pas prêteuse:
C'est la son moindre défaut.
"Que faisiez-vous au temps chaud?"
Dit-elle à cette emprunteuse.
-"Nuit et jour à tout venant
Je chantais, ne vous déplaise."
-"Vous chantiez? j'en suis fort aise:
Eh bien! dansez maintenant."

 

Tradução para Português:


O corvo e a raposaO senhor corvo numa árvore empoleirado
Segurava no seu bico um queijo.
A senhora raposa, pelo odor atraída,
Dirigiu-se-lhe mais ou menos com estas palavras:
Olá! bom-dia, senhor corvo,
Como sois bonito! Como me pareceis belo!
Sem mentir, se o vosso gorjeio
For semelhante à vossa plumagem,
Vós sois a fénix dos habitantes destes bosques.
Com estas palavras o corvo não cabe em si de contente;
E para mostrar a sua bela voz,
Ele abre o grande bico e deixa cair a sua presa.
A raposa apodera-se dela e diz: "Meu bom senhor,
Aprendei que todo o bajulador
Vive às custas daquele que o escuta:
Esta lição vale bem um queijo, sem dúvida."
O corvo, envergonhado e confuso,
Jurou, mas um pouco tarde, que não o apanhariam mais.

A cigarra e a formigaTendo cantado
Todo o verão, a cigarra
Quando o inverno chegou:
Não tinha um único pedaço
De mosca ou bichito.
Ela foi queixar-se da sua fome
Em casa da formiga, sua vizinha,
Pedindo-lhe para lhe emprestar
Algum grão para subsistir
Até à nova estação.
"Eu pagar-vos-ei, diz-lhe ela,
Antes de Agosto, palavra de animal,
Juros e capital."
A formiga não é amiga de emprestar:
É o seu menor defeito.
"O que fizestes no verão?"
Diz ela a esta leviana.
"Noite e dia indo e vindo
Eu cantava, não vos desagrada"
"Vós cantáveis? Eu fico muito contente com isso:
Pois bem! Agora dançai."


Tradução do original: RDP - Maria de Nazaré Fonseca