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Boulevard André Pinto

Letras de Canções


Canções e Danças da Morte

Letra Original:


Canções e Danças da Morte - Poemas do compositor

Kolbel'neya
Stonet rebyonok, svecha, nagoraya,
Tusklo mertsayet krugom.
Tseluyu noch, kolybel'ku kachaya,
Mat'ne zabylasa snom.
Ranym-ranyokhonko v dver ostoroshno
Smert' sedobol, naya stuk!
Vzdrognula mat' oglyanulas trevozhno...
"Polno pugat'sa, moy drug!
Blednoe'utro uzh smotrit v okoshko,
Placha, toskuya, lyublya,
Ty utomilas, vzdremni-ka nemnozhko,
Ya posizhu za tebya.
Ugomonit'ty ditya ne sumela;
Slashche tebya ya spoyu".
"Tishe! Rbyonok moy mechetsa, byotsa,
Dushu terzayet moyu!"
"Nu, da so mnoyu on skoro uymyotsa,
Bayushki, bayu, bayu."
"Shchochki bledneyut, slabeyet dykhan've...
Da samolchi zhe, molyu!"
"Dobroye snamen'e: stikhet stradan'e.
Baushki, bayu, bayu."
"Proch ty, proklyataya!
Laskoy svoyeyu sgubish ty radost' moyu".
"Net, mirny son ya mladentsu naveyu:
Bayushki, bayu, bayu."
"Szahal'sa, pozhdi dopevat', khot'
mnogoven'ye
Strashnuyu pesnyu tvoyu!"
"Vidish, usnul on pod tikhoe pen'ye.
Bayushki, bayu, bayu."


Serenada

Nega vol'shebnaya, noch golubaya,
Trepetny sumrak vesny.
Vnemlet, poniknuv golovkoy, bol'naya
Shopot nochnoy tishiny.
Son ne smykayet blestashchie ochi,
Zhizn k naslazhdenyu zovyot!
A pod okoshkom v molchaniy polnochi
Smert' serenadu poyot:
"V mrake nevoli, surovoy i tesnoy,
Molodost' vyanet tvoya,
Rytsar nevedomy, siloy chudesnoy
Osvobozhu ya tebya.
Vstan, posmotri na sebya: Krasitiyu
Lik tvoy prozrachny blstit,
Shchoki rumyany, volnistoy kosoyu
Stan tvoy kak tuchey obvit.
Pristal'nykh glaz goluboye siyan' e
Yarche nebes i ognya ...
Znoyem poludennym veyet dykhan'e ...
Ty obol' stila menya.
Slukh tvoy plenilsa moyey serenadoy,
Rytsarya shopot tvoy zval.
Rytsar prishol za posledney nagradoy:
Chas upoyen'ya nastal.
Nezhen tvoy stan, upoitelen trepet,
O, zadushu ya tebya
V krepkikh ob'yat'yakh; lyubovny moy lepet
Slushay ... mochi ... Ty moya!

Trepak
Les da polyany, bezlyud'e krugom ...
Vyuga i plachet i stonet ...
Chuyetsa, budto vo mrake nochnom
Zlaya kovo-to khoronit.
Glyad' tak i yest'! v temnote muzhika
Smert' obnimayet, laskayet;
S pyanenkim plyashet vdvoyom trepaka,
Na ukho pesn napevayet:
"Okh, mushichok, starichok ubogy,
Pyan napilsa, poplyolsa dorogoy;
A metel-to, ved'ma, podnyalasm vzugrala,
S polya v les dremuchy nevznachay zagnala,
Gorem, toskoy, da nuzhdoy tomimy,
Lyag, prikorni da usni, rodimy,
Ya tebya, golbchik moy, snezhkom sogreyu,
Vdrug tebya velikuyu igru zateyu.
Vzbey-ka postel'ty, metel'lebyodka!
Hey, nachinay, zapevay, pogodka,
Skazku da takuyu, shtob vsyu noch tyanulas,
Shtob pyanchuge krepko pod neyo zasnulas.
Oy, oy, lesa, nebesa da tuchi,
Tem, veterok da snezhok letuchy,
Sveytes pelenoyu snezhnoy pukhovoyu,
Yeyu kak mladentsa starichka prikroyu.
Spi, moy druzhok, muzhichok schastilvy,
Leto prishlo, rastsvelo!
Nad nivoy solnyshko smeyotsa da serpy gulyayut,
Pesennesyotsa, golubki letayet!..."

Polkovodets
Grokhochet bitva, bleshchut broni,
Orud'ya mednyye revut,
Begut polki, nesutsa koni,
I reki krasnyye tekut,
Pylayet polden, lyudi bytusa!
Sklonilos sontse, boy sil'ney!
Zakat bledneyet, no derutsa
Vragi vsyo yarostney i zley!
I pala noch na pole brani,
Druzhiny v mrake razoshlis...
Vsyo stikhlo, i v nochom tumane
Stenan'ye k nebu podnyalis.
Togda, ozarena lunoyu,
Na boevom svoyom kone,
Kostey svekaya beliznoyu,
Yavilos smert'. I v tishine,
Vnimaya vopli i molitvy,
Dovol'stva gordovo polna,
Kak polkovodets, mesto bitvy
Krugom ob'yekhala ona.
Na kholm podnyavshis, oglyanulas,
Ostanovilos, ulybnulas...
I nad ravninoy boyevoy
Pronyossya golos rokovoy:
"Konchena bitva! Ya vsekh pobedila!
Vse predo mnoy vy smirilis, boytsy!
Zhizn vas possorila, ya pomirila!
Druzhno vstavayte na smotr, mertvetsy!
Marshem torzhestvennym mimo proydite,
Voysko moyo ya khochu soschitat'.
V zemlyu poton svoi kosti slozhite,
Sladko ot zhizni v zemle otdykhat'!
Gody nezrimo proydut za godami,
V lyudyakh ischeznet i pamyat' o vas.
Ya ne zabudu! I gromko nad vami
Pir budu pravit'v polunochny chas!
Plyaskoy tyazholoyu zemlyu syruyu
Ya pritopchu, shtoby sen grobovuyu
Kosti pokinut' vovek smogli,
Shtob nikogda vam ne vstat' iz zemli!"
Na kholm podnyavshis, oglyanulas,
Ostanovilos, ulybnulas ...
I nad ravninoy boyevoy
Pronyssya golos rokovoy:
"Konchena bitva! Ya vsekh pobedila!
Vse predo mnoy vy smirilis, boytsy!
Zhizn vas possorila, ya pomirila!
Druzhno vstavayte na smotr, mertvetsy!
Marshem torzhestvennym mimo proydite,
Voysko moyo ya khochu soschitat".
V zemlyu potom svoi kosti slozhite,
Sladko ot zhizni v zemle otdykhat"!
Gody nezrimo proydut za godami,
V lyudyakh ischeznet i pamyat'o vas.
Ya ne zabudu! I gromko nad vami
Pir budu pravit' v polunochny chas!
Plyaskoy tyazholoyu zemlyu syruyu
Ya pritopchu, shtoby sen grobovuyu
Kosti pokinut' vovek smogli,
Shtob nikogda vam ne vstat' iz zemli!''

Tradução para Português:


Canções e Danças da Morte - Poemas do compositor

Canção de embalar
Sons sufocantes de lamento!
A lâmpada agora expirando não emite senão uma obscura luz cintilante,
Embalando o berço, a mãe sem descanso
Espera, vigia tudo através da noite.
Há muito antes do amanhecer, alguém vem bater,
A morte, a libertadora está aqui!
Escute! Tremendo, a mãe desiste de embalar...
"Amiga, acalma o teu receio e desespero!
Vê, através da janela, espreita a pálida manhã,
Chorando e vigiando desolada,
Descansa, pobre mulher, descansa da tua tristeza,
Dorme, eu velarei até de manhã.
Não podemos acalmar a tua pobre criança para dormir?
A minha canção é mais doce do que a tua".
"Silêncio! o meu bébé sofre e chora,
A dor despedaça-me o coração!"
"Em breve ele dormirá nos meus braços suavemente;
Cala-te bébé, cala-te bébé meu!"
"Pálidas se tornaram as suas faces, a febre aumenta,
Oh, não cantes mais, eu suplico-te".
"Estes são bons sinais, vê que a sua agonia cessa,
Cala-te, cala-te, meu querido"
"Daqui para fora! Amaldiçoada morte!
Olha como o teu cantar definha o meu bébé, a minha alegria"
"Não, sonhos tranquilos ao teu filho eu trago
Cala-te, cala-te, meu rapaz!"
"Piedade, por um instante, amável morte,
Cessa a tua canção!
Cessa, ou o meu filhinho morrerá!"
"Olha, ele dorme, a minha canção aliviou a sua dor: Cala-te, Cala-te!"

Serenata
Mágica, terna noite, velada de sombra azul,
Respirando perfumes de primavera.
Além, uma sofredora inclina-se sobre a janela
Ouve o que a noite segreda baixinho.
O sono não desce sobre os seus olhos, ardendo em febre,
A vida parece chamá-la para a alegria,
Mas debaixo da sua janela, uma figura espera:
A morte canta uma estranha serenata.
"Jovem, pobre cativa da tristeza e do sofrimento,
Perdida a tua beleza e juventude,
Eu serei o teu fiel cavaleiro, embora tu não me conheças,
Eu venho salvar-te agora.
Vem, senhora, olha para ti:
Vê, as tuas faces são como rosas, os teus lábios macios e vermelhos;
Encantador o teu rosto, as tuas tranças são douradas e sedosas,
A tua figura é muito bela.
Cristalinamente brilham os teus olhos, tão azuis e tão ternos,
Brilhantes como as estrelas nos céus;
Ardente como o sol do meio-dia, a tua respiração queima...
Tu enfeitiçaste-me, ó amor,
Tu, também, deves cair no encanto da minha canção,
Não me chamou aqui o teu olhar?
Eu, o teu cavaleiro, trago o maior presente para ti:
Agora, é chegada a hora da tua felicidade!
Frágil a tua figura, os teus beijos fascinam-me,
Oh! deixa-me agarrar-te num abraço sem fôlego;
A minha canção de amor far-te-á dormir...
Fica tranquila... tu és minha!"

Trepak (Canção Russa)
Tranquila está a floresta, nenhuma alma à vista...
Os ventos lamentam-se e murmuram...
Lá longe onde escura cai a noite
Algo misterioso espreita.
Olhem! Além! onde as sombras se fecham,
A morte abordou um pobre camponês.
Então convidou-o para dançar a Trepak;
Canta-lhe uma bela e agradável canção;
"Oh! meu pobre trabalhador tão inclinado e cinzento,
Embriagado com Vodka e vagueando perdido;
Cego pela crueldade da neve, conduzido por vacilantes sombras,
Através da floresta intransitável, sobre campinas sem rasto,
Qual é o teu quinhão no trabalho e na tristeza?
Descansa aqui, pobre camponês, até amanhã.
Olha, um cobertor tão branco e quente eu arranjei para ti,
Descansa e vê como os flocos de neve dançam à tua volta.
Suave como a penugem do cisne a cama em que tu te deitas!
Ei! canta as boas-noites, feroz ventania, enquanto sopras.
Canta, selvagem vento, a sua canção de embalar, através da longa noite escura,
Deixa o cansado trabalhador dormir até ao amanhecer.
Florestas e campos e nuvens estendendo-se em curva,
Escuridão e tempestade e as pálidas gotas amontoando-se
Flocos de neve agitando-se ligeiramente tecem uma cobertura sem mancha,
Própria de uma infância imaculada, à volta deste pobre ignorante dormindo...
Descansa, descansa, pobre amigo, dorme, feliz companheiro,
Sonha que o Verão é claro, a colheita amarela!
O sol brilha, as foicinhas giram,
Ouve a cotovia cantar."


Marechal de campo
A batalha irrompe, as espadas estão flamejantes,
Como bestas esfomeadas, os canhões bramem;
Os cavalos relincham, os esquadrões galopam,
A corrente corre carmesim, tingida de sangue coagulado.
O sol ardente do meio dia vê a carnificina
E ainda ao pôr do sol o combate persiste.
Os últimos raios desaparecem, ainda inflexível
O inimigo mantém uma obstinada fronte.
Então cai a noite sobre o massacre,
E ao crepúsculo todos dispersam.
O silêncio reina e só a escuridão ouve
Os gritos dos feridos dirigidos ao Céu.
Olhem, ali, onde se projectam lívidos os raios da Lua,
Escarranchado num cavalo pálido,
Cavalga um guerreiro lívido e terrível, cujo nome
É a morte. Ali na escuridão,
Ele ouve as suas lamentosas queixas:
Examina o horrível campo com orgulho,
Move-se como um líder triunfante
sobre o cenário de glória e dor.
Depois sobe um outeiro,
Olha fixamente, à volta dele, para os mortos e
moribundos inflexivelmente sorrindo...
E então sobre o agitado campo de massacre
Ressoa ríspida e clara a sua voz:
"Cessem o combate agora! A vitória é minha!
Vós guerreiros, todos, é à Morte que cederam!
Inimigos durante a vida, eu venho fazer de vós amigos!
Levantai-vos, respondei à chamada da Morte!
Entrai nas minhas fileiras! Desfilai perante o vosso líder!
Antes do alvorecer eu devo passar revista aos meus homens.
Soldados, os vossos ossos repousarão no seio da terra,
Doce é o descanso que se segue ao combate!
Os anos passarão por vós não contados, despercebidos,
Os homens esquecerão a causa por que hoje vos batestes.
Só eu, a Morte, recordarei o vosso valor,
E honrarei a vossa memória quando a meia-noite bater!
Sobre estas trincheiras eu dançarei ao luar,
Eu pisarei a terra onde os vossos membros descansam,
Pisarei tão perto que os vossos ossos nunca mais se moverão,
Nunca mais regressareis à terra."

 

 

Tradução - RDP - Maria de Nazaré Fonseca