2013: Balanço de seis meses de cinema
"Velocidade Furiosa 6" foi a longa-metragem mais vista durante o primeiro semestre nas salas de cinema portuguesas.

Box Office  

2013: Balanço de seis meses de cinema

O público continua a desaparecer das salas de cinema portuguesas.

Artigo recomendado:
2013: Balanço de seis meses de cinema
Box Office
Spielberg e Lucas anunciam o apocalipse do cinema Durante um painel na USC School of Cinematic Arts, em Los Angeles, os dois realizadores revelaram a sua visão sobre o futuro do cinema e da ...

Ao olhar para os números publicados esta semana pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), vemos pouco de novo. Continua a ser evidente que o consumo de cinema em Portugal continua a cair. Se 2012 já foi mau, 2013 está a ser pior. A quebra em comparação com o período homólogo do ano anterior foi de 11,9% nas receitas e 9,9% no número de espectadores. Entre 2010 e o corrente ano, a diferença na frequência nas salas revela um saldo negativo superior a três milhões de pessoas.

Nº de espectadores no primeiro semestre (2010-2013)

2013 - 5,5 milhões
2012 - 6,1 milhões
2011 - 7,4 milhões
2010 - 7,8 milhões

O filme mais visto do ano nestes primeiros seis meses foi " Velocidade Furiosa 6", com 415 mil espectadores, na verdade, o único verdadeiro sucesso nas salas nacionais. O segundo melhor - "A Ressaca Parte 3" - foi visto por apenas 270 mil pessoas, seguido por "Os Croods" com 263 mil bilhetes vendidos.

O cinema português andou quase clandestino, só uma co-produção realizada por um dinamarquês de algum ar da sua graça. Bille August realizou "Comboio Noturno Para Lisboa", visto por 58 mil espectadores.

O thriller policial "O Bairro", entrou para a segunda posição apenas com os 5 mil espectadores do fim de semana da estreia a 27 de junho - no limite  do primeiro semestre. O terceiro filme português mais visto no primeiro semestre de 2013 foi "Quarta Divisão", com 4.900 espectadores.

O resto do cenário continua idêntico com a distribuição e exibição a ter na Zon a força (cada vez mais ) dominante, sobretudo após o encerramento de parte das salas da Castello Lopes, logo no início do ano.

Os outros filmes

Por oposição, é curioso ver que aumentou em 8% o número de filmes estreados. Grande parte deles com distribuição muito limitada - uma, duas, ou três cópias no máximo, e muitos a chegar ás salas de cinema com grande atraso em relação ao ano de produção (não foi raro vermos produções de 2011 e início de 2012 a estrear nestes primeiros seis meses de 2013). Quase nenhum com resultados dignos de nota.

O problema não é só português, diga-se, e passa-se essencialmente com as produções independentes e/ou não norte-americanas. Por um lado, temos os filmes que necessitam do circuito dos festivais para ganhar notoriedade (uma estratégia de resultados duvidosos, diga-se, tendo em conta a projeção mediática quase nula da maioria dos certames - exceção feita ao trio Berlim, Cannes e Veneza). Por outro, o processo penosamente lento de saída de materiais de promoção, a falta de dinheiro, as negociações de acordos de distribuição local e a falta de espaço para os estrear a tempo de poderem beneficar de algum impulso vindo de eventuais prémios, ou outras honrarias obtidas aqui e ali.

No fim de contas, este tipo de filmes acaba por ter uma interminável janela de estreia em cinema, incompatível com a realidade atual. Não é possível estrear um filme em Portugal quando este já está disponível noutros lados - se por meios legais, ou ilegais isso é outra conversa - sobretudo quando falamos de títulos que têm, à partida, um público reduzido. Em termos práticos, o que se passa é isto: quando alguns filmes chegam às salas quem queria realmente vê-los, já os viu.

As soluções não são fáceis e este problema não se vai resolver de um dia para o outro, mas já se está a pensar nisso. O futuro das produções independentes poderá passar por plataformas digitais e pelo streaming. Mas isso significa deixar de ver alguns filmes em sala? Crime de lesa majestade, dirão alguns! Talvez. A pergunta que há que colocar aos cineastas é esta: que preferem? serem vistos por poucos milhares numa sala de cinema, ou por centenas de milhar na Internet?

por
publicado 21:12 - 16 julho '13

Recomendamos: Veja mais Artigos de Box Office