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A América profunda vista pelo cinema independente

"Despojos de Inverno" é um dos grandes acontecimentos cinematográficos do momento: através dele, redescobrimos a vitalidade da produção independente americana.

A América profunda vista pelo cinema independente
Jennifer Lawrence: nomeada para o Óscar, uma das melhores interpretações da temporada
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 A América profunda vista pelo cinema independente
Despojos de Inverno Ree Dolly, de 17 anos, luta para encontrar o seu pai, um homem de meia-idade procurado pela polícia, que desaparece após usar a casa de família como fiança. Confrontada com a possibilidade de perder a casa onde mora com os seus irmãos mais novos, Ree desafia os códigos de silêncio que imperam no meio marginal desta comunidade, arriscando a sua vida para salvar a sua família. Ela desafia as ...
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Crítica "Despojos de Inverno"

De que falamos quando falamos de cinema independente americano? Pois bem, de uma lógica de austeridade e de uma contundência narrativa que há muito tempo não viamos materializada de modo tão cristalino como em "Despojos de Inverno", o magnífico "Winter's Bone", de Debra Granik.

 A sua singularidade foi devidamente reconhecida pelos Óscares, com nada mais nada menos que quatro importantes nomeações: melhor filme, melhor actriz (Jennifer Lawrence), melhor actor secundário (John Hawkes) e melhor argumento adaptado (Granik e Anne Rosellini). E este é, de facto, um daqueles casos em que o simples facto de estar nomeado já representa um significativo triunfo simbólico.

Centrado em paisagens agrestes, pelo despojamento e pela pobreza, no estado do Missouri, "Despojos de Inverno" coloca em cena uma espécie de clássico melodrama familiar virado do avesso: a figura do pai desapareceu (envolvido na produção ilegal de anfetaminas) e a filha mais velha, adolescente, que tem de assumir a manutenção da família. O resultado e um angustiado mergulho numa América profunda, alheia a qualquer mitologia redentora, esquecida e martirizada.

No seu fulgor, o trabalho de Debra Granik deixa uma curiosíssima perspectiva: a de que há um cinema made in USA empenhado em mover-se no interior de um realismo sem cedências, além do mais apostado em revalorizar o trabalho específico dos actores. Nesse aspecto, mesmo ficando pela nomeação, Jennifer Lawrence tem, por certo, uma das mais fabulosas interpretações desta temporada cinematográfica.

Crítica de João Lopes actualizado às 15:57 - 18 fevereiro '11
publicado 15:42 - 17 fevereiro '11

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