A herança perdida de Jason Bourne

A série "Bourne" prossegue, agora já sem a personagem interpretada por Matt Damon; Jeremy Renner é o novo protagonista, mas as potencialidades temáticas não são devidamente aproveitadas...

A herança perdida de Jason Bourne
Jeremy Renner na personagem de Aaron Cross: uma energia dramática mal aproveitada
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 A herança perdida de Jason Bourne
O Legado de Bourne O arquiteto da narrativa presente nos filmes da saga Bourne, Tony Gilroy, toma o comando de O Legado de Bourne, o próximo capítulo do popular franchise de espionagem, que já arrecadou mais de bilião de box-office em todo o mundo. O realizador/ argumentista expande o universo de Bourne, criado por Robert Ludlum, com uma história original que introduz um novo herói (Jeremy Renner), em que ...

Independentemente do que pensarmos sobre os três filmes que Matt Damon fez com a personagem de Jason Bourne (2002, 2004, 2007), saída dos livros de Robert Ludlum, o seu universo deixou uma interessante herança temática. A saber: uma variante do filme de espionagem em que a identidade de um agente secreto é quimicamente manipulada, de modo a transformá-lo numa máquina sem memória(s).

Matt Damon abandonou a série, mas os filmes continuam: "O Legado de Bourne", dirigido por Tony Gilroy (argumentista dos anteriores), parte do pressuposto de que Bourne era apenas um caso particular de um programa mais vasto, muito para além do controlo da CIA e outras agências de informação... Aliás, a frase promocional é elucidativa: "Nunca foi apenas um".

Infelizmente, a lógica da franchise é mais forte do que os dados políticos e geopolíticos que "O Legado de Bourne" começa por colocar em jogo. Assim, é verdade que perpassa pelo filme a vertigem que resulta da condição errática de "nómada" a que o herdeiro de Bourne, Aaron Cross (Jeremy Renner), está condenado; mas não é menos verdade que tal legado se vai dissipando numa lógica em que é mais importante acumular as obrigatórias cenas de "acção" do que administrar a tensão dramática.

Jeremy Renner, Rachel Weisz e Edward Norton são alguns dos actores que bem se esforçam por emprestar emoção e humanidade às suas personagens. E conseguem alguns tours de force de genuína intensidade. Infelizmente, no balanço geral, a concepção tecnocrática do projecto sobrepõe-se às suas potencialidades temáticas e dramáticas.

Que saudades de alguns grandes thrillers dos anos 70, incluindo "The Parallax View/A Última Testemunha" (1974), de Alan J. Pakula, e "Os Três Dias do Condor" (1975), de Sydney Pollack...

Crítica de João Lopes
publicado 03:10 - 23 agosto '12

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