Estreia  

A humanização do Homem-Aranha

Depois de Sam Raimi, Marc Webb é o novo realizador da saga do Homem-Aranha: com uma excelente composição de Andrew Garfield, o filme consegue recriar a energia das origens.

A humanização do Homem-Aranha
No 4º episódio da saga do Homem-Aranha: redescobrindo a vulnerabilidade do herói
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Trailer/Cartaz/Sinopse:
 A humanização do Homem-Aranha
O Fantástico Homem-Aranha “O Fantástico Homem-Aranha” conta a história de Peter Parker (Andrew Garfield), um rapaz que foi abandonado pelos seus pais enquanto criança e que foi criado pelo seu tio Ben (Martin Sheen) e pela tia May (Sally Field). Como a maioria dos adolescentes, Peter tenta descobrir a sua própria identidade e procura também encontrar o seu caminho junto da sua primeira grande paixão: Gwen Stacy (Emma ...

Tem sido muito nítido o regime de saturação em que caíram vários "blockbusters" do cinema americano. Envolvidos numa lógica acelerada de consumo (salas / DVDs / televisão por cabo, etc.), os filmes parecem concebidos apenas por técnicos de marketing que valorizam o investimento tecnológico e menosprezam tudo o que tenha a ver com a arte de contar uma história. "Transformers" e "Os Vingadores" são exemplos recentes de uma produção que passou a confundir o espectáculo com a banal acumulação de gadgets mais ou menos vistosos e ruidosos.

A boa surpresa que é "O Fantástico Homem-Aranha" vem confirmar, afinal, o que há muito sabíamos: um cinema apenas baseado na gestão mais ou menos aparatosa da sua sofisticação técnica é um cinema condenado a perder-se num novo-riquismo visual (e sonoro) que menospreza o próprio espectador. Neste episódio nº 4 da saga do Homem-Aranha, dirigido por Marc Webb, deparamos, pelo menos, com uma personagem.

A revisitação das origens de Peter Parker/Homem-Aranha poderá ser a via mais fácil para prolongar a série, evitando as atribulações de uma sequela. Em todo o caso, é também uma solução que permite ao filme não encalhar numa lógica de acumulação de banais "números" de circo, privilegiando as componentes dramáticas da história de Parker. Coisa rara, aliás: com um pouco mais de duas horas de duração (136 m), o filme aplica a sua primeira metade para construir uma laboriosa exposição, no sentido de conferir a Parker uma inesperada espessura... humana.

Para a consistência dos resultados, afigura-se especialmente importante o trabalho de Andrew Garfield, compondo um Homem-Aranha que se distingue menos pelos seus super-poderes e mais pelo modo como lida com a sua própria vulnerabilidade (de raiz humana). Afinal de contas, já conhecíamos Garfield de filmes tão marcantes como "Peões em Jogo" (2007) e "A Rede Social" (2010), realizados, respectivamente, por Robert Redford e David Fincher: ele é um actor que possui esse talento invulgar de representar a norma, ao mesmo tempo que nos conduz na descoberta da excepção.

Crítica de João Lopes
publicado 01:29 - 05 julho '12

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