Estreia  

A tribo do ferro-velho

Jean-Pierre Jeunet, o autor de "O Fabuloso Destino de Amélie", reaparece com mais um exuberante espectáculo cinematográfico. Em pano de fundo, o comércio de armamento.

A tribo do ferro-velho
O mundo marginal de "Micmacs": uma parábola contemporânea
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 A tribo do ferro-velho
Micmacs Uma Brilhante Confusão Uma mina explode no meio do deserto marroquino. Anos mais tarde, uma bala perdida aloja-se no seu cérebro… Bazil nunca teve muita sorte com armas. A primeira fez dele um órfão e a segunda transformou-o numa bomba-relógio, pronta a rebentar a qualquer momento. Ao sair do hospital, Bazil não tem onde morar. Felizmente, este sonhador com uma imaginação fértil é acolhido por um gang excêntrico. Os ...
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Critica " Cinema Francês "

Assim vai a nossa, afinal, precária actualidade cinematográfica... "Micmacs - Uma Brilhante Confusão", de Jean-Pierre Jeunet, foi lançado em França em Outubro de 2009 e só agora chega às salas portuguesas.

Dir-se-á: ainda bem que chega e não é "castigado" com um lançamento directo em DVD. Sem dúvida. O certo é que isso não impede que reconheçamos que o nosso mercado continua a ter algumas dificuldades de ligação à actualidade real do cinema europeu, nomeadamente francês.

Protagonizado por Dany Boon, realizador e um dos actores principais dessa deliciosa comédia que é "Bem-vindo ao Norte" (2008), "Micmacs" é a história delirante e labiríntica de um homem marcado pela morte do pai (em combate, no norte de África), além do mais vivendo na idade adulta com uma bala incrustada na... testa. Como sempre, Jeunet não procura qualquer tipo de realismo: tal como em "O Fabuloso Destino de Amélie" (2001), o seu cinema vive de uma hábil combinação de referências históricas com componentes assumidamente artificiosas.

"Micmacs" acaba por ser uma parábola, muito cruel e também muito contemporânea, sobre o mercado das armas. Os seus protagonistas constituem uma espécie de tribo exótica que vive, literalmente, no ferro-velho. Jeunet é, afinal, um cineasta que acredita nos poderes doespectáculo cinematográfico como forma de envolvimento com temas muito específicos do nosso presente. Escusado será dizer que nada aqui possui o espírito formatado de um telejornal... Ainda bem.

Crítica de João Lopes
publicado 19:02 - 19 março '11

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