Crítica: "MELANCOLIA"  

Alegoria sobre o fim do mundo

O realizador dinamarquês Lars von Trier ressurge com um filme menos interessante mas que representa um ponto de viragem.

Alegoria sobre o fim do mundo
A atriz Kirsten Dunst na cena emblemática do casamento
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Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Alegoria sobre o fim do mundo
Melancolia A propósito do casamento de Justine (Kirsten Dunst) e Michael (Alexander Skaarsgärd), Claire (Charlotte Gainsbourg) oferece a sua casa para a luxuosa festa de comemoração. No momento em que esta decorre, o planeta Melancholia move-se em direção à Terra. De que forma a possível colisão irá afetar a relação entre as duas irmãs?

Lars Von Trier é um dos cineastas mais carismáticos do cinema europeu produzido nas últimas duas décadas. "Europa", "Ondas de Paixão", "Dancer in The Dark", "Anti-Cristo", entre outros filmes, sublevaram um lado bastante experimental, quer na narrativa, quer no tratamento visual da imagem.

Inspirado em quadros clássicos germânicos e no cinema de Antonioni e Tarkovski, "Melancolia" surge como uma espécie de alegoria aos sinais dos tempos e ao fim do mundo. Um planeta chamado Melancolia está em rota de colisão com a nossa Terra e nada nos pode salvar dessa terrível catástrofe.

A história segue Justine (Kirsten Dunst) que vai casar-se numa luxuosa mansão. Mas nem tudo são rosas. Existe uma tensão permanente durante a cerimónia, em parte devido aos conflitos existenciais de Justine, amplificados pela frivolidade da mãe. Por outro lado, Claire (Charlotte Gainsbourg), a sua irmã mais velha e madrinha de casamento, tem dificuldade em conformar-se com o inevitável fim da Humanidade…

“Melancolia” não é uma das obras mais interessantes de Lars von Trier (como o próprio o admitiu em diversas entrevistas), mas acaba por revelar-se como um ponto de viragem na postura do realizador, devido às declarações infelizes durante a conferência de imprensa do filme no festival de cinema de Cannes.

O realizador dinamarquês foi decretado persona non grata para a organização do festival, depois de se considerar "um pouco nazi" por causa das raízes familiares. Lars von Trier vai agora ter de fazer filmes, sem o casulo artístico que representa o Festival de cinema de Cannes, que o acolheu e lhe deu projeção. E esse será um verdadeiro desafio para o cineasta dinamarquês.

Crítica de José Paulo Alcobia actualizado às 22:41 - 01 dezembro '11
publicado 22:42 - 11 novembro '11

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