Estreia  

Bond imita Bond

Não é fácil sustentar o universo de James Bond, sobretudo desde que ele perdeu o cenário da Guerra Fria. "007 - Skyfall" tenta relançar a série com evidente competência profissional, mas também sem sair da rotina.

Bond imita Bond
Daniel Craig, 007 em 2012: um herói cansado
Crítica de
Subscrição das suas críticas
125
Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Bond imita Bond
007 - Skyfall Daniel Craig está de volta como James Bond em "007 - Skyfall", a 23ª aventura do maior franchise de filmes de todos os tempos. A lealdade de Bond a M é testada quando esta é assombrada pelo seu passado. Quando o MI6 é atacado 007 tem de encontrar e destruir a ameaça, a qualquer custo.
Artigo recomendado:
Bond imita Bond
James Bond
Nos 50 anos de 007 Foi a 5 de Outubro de 1962 que estreou "Dr. No", primeiro filme de James Bond, protagonizado por Sean Connery. Entretanto, está quase a ...

Não deixa de ser curioso que, de uma maneira ou de outra, o guarda-roupa de Daniel Craig em "007 - Skyfall", criado por Tom Ford, tenha sido objecto de tanta curiosidade (há mesmo um cartaz que funciona como uma verdadeira promoção do seu impecável smoking). De facto, não está em causa a excelência das suas vestes. Acontece que este privilegiar da iconografia reflecte o cansaço de uma figura que parece condenada a imitar as suas próprias proezas cinematográficas.

Não que "Skyfall" seja um filme tosco ou incompetente. Longe disso. Estamos mesmo perante um objecto através do qual se exprime a excelência de uma indústria europeia (britânica, neste caso) que não faz sentido considerar tecnologicamente "atrasada" em relação a Hollywood. Aliás, é bom não esquecer que, há muitas décadas, os estúdios europeus constituem bases regulares de muitas produções americanas.

O que está em causa é esse cansaço de um herói que, convenhamos, há muito perdeu a base simbólica, a Guerra Fria, que até à Queda do Muro de Berlim lhe assegurou o mais consistente cenário geográfico e ideológico. Tal como passou a existir, James Bond é uma personagem que luta por manter o seu perfil de gentleman mais ou menos distante e enigmático, sem deixar de convocar algum aparato mais típico dos chamados "super-heróis".

Daniel Craig cumpre com aquela indiferença de quem não sabe que "transcendência" é suposto sustentar. Javier Bardem compõe um desconexo "mau da fita" que parece oscilar entre a pulsão trágica e o disparate burlesco. Enfim, Bérénice Marlohe parece possuir a carga de sedução e enigma que uma "Bond girl" requer mas, estranhamente, é rapidamente esquecida pela intriga...

Enfim, importa dizer que para sustentar tudo isto é importante ter um realizador que saiba pelo menos aplicar as rotinas de um certo visual, além do mais assegurando que o filme não perca a teatralidade própria de um objecto de entertainment. "Skyfall" tem tudo isso, com a dose de competência profissional que isso exige. Mas que o nome desse realizador seja Sam Mendes, eis o que acaba por envolver uma penosa sensação de desperdício. Basta recordar "Beleza Americana" (1999) ou "Revolutionary Road" (2008) e... ver as diferenças.

  • Bond imita Bond
    007 - Skyfall
    Adele canta "Skyfall"
    O tema principal do 23º filme da série James Bond foi divulgado hoje, dia 5 de outubro - ouça aqui.
Crítica de João Lopes actualizado às 15:42 - 26 outubro '12
publicado 02:54 - 25 outubro '12

Recomendamos: Veja mais Críticas de João Lopes