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Boonmee e os seus ternos fantasmas

"O Tio Boonmee que se Lembra das suas Vidas Anteriores" é uma singular e envolvente proposta fantástica vinda da Tailândia; em Cannes/2010, arrebatou a Palma de Ouro.

Boonmee e os seus ternos fantasmas
No mundo do tio Boonmee: corpo e espírito, vida e morte
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 Boonmee e os seus ternos fantasmas
O Tio Boonmee que se Lembra das Suas Vidas Anteriores É um mergulho na selva que explora temas como a reencarnação e as vidas passadas. Boonmee está muito doente e resolve passar os seus últimos dias rodeado pelas pessoas que ama. O fantasma da mulher já morta aparece para cuidar dele, tal como o filho que regressa numa forma não-humana.
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Critica "Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas": opinião de João Lopes

Nos últimos anos, com a proliferação de "efeitos especiais", instalou-se uma noção simplista de fantástico. Assim, há filmes (e espectadores...) que confundem o mundo onírico com a mera ostentação de determinados recursos técnicos.

Se outros méritos não tivesse, "O Tio Boonmee que se Lembra das suas Vidas Anteriores" serviria para contrariar a banalidade dessa visão. Afinal de contas, a passagem do cinema para além do domínio mais corrente da percepção depende apenas do modo como se conta uma determinada história.

E na história de Boonmee, a convivência com os fantasmas (nomeadamente da sua mulher) é algo que não implica nenhuma saída para fora da sua própria rotina existencial: os seres do "além" vêm visitá-lo e, ternamente, convivem com ele. Apichatpong Weerasethakul, argumentista e realizador, filma essa convivência mágica em que todos os extremos se tocam, o corpo e o espírito, a vida e a morte.

Dir-se-ia que, em Cannes, todas estas singularidades acabaram por funcionar de modo universal. É essa, afinal, a lição mais importante do labor de Weerasethakul: sentimo-nos próximo das emoções do seu universo, não apesar das suas diferenças, mas por causa delas. O filme acabou por arrebatar a Palma de Ouro, transformando-se no principal cartão de visita internacional do actual cinema da Tailândia.

Crítica de João Lopes actualizado às 11:24 - 01 abril '11
publicado 01:49 - 31 março '11

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