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Camino e a sua viagem interior

Chega-nos, infelizmente, com quase três anos de atraso: "Camino" é uma admirável viagem pelos caminhos da vida e da morte, dos prazeres do quotidiano e das exigências das práticas religiosas.

Camino e a sua viagem interior
"Camino": prémio Goya de melhor filme espanhol de 2008
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 Camino e a sua viagem interior
Camino "Camino" é uma viagem de emoções inspirada na história real de uma cativante criança de onze anos que se depara com duas situações completamente novas na sua vida: a paixão e a morte. Acima de tudo "Camino" é uma luz brilhante, capaz de irradiar por entre cada porta obscura que se fecha no seu trajecto, numa tentativa de cobrir sombriamente o seu desejo de viver, de amar e de sentir intensamente ...
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Crítica "Camino"

Que é feito do cinema espanhol?... Convenhamos que, para além da marca "Almodóvar", passámos a ter uma relação distante, sobretudo muito irregular, com as suas produções.

Daí o pequeno grande acontecimento que é o lançamento de "Camino", escrito e realizado por Javier Fesser, mesmo se nos chega com quase três anos de atraso — foi o grande vencedor dos Goya referentes a 2008, arrebatando seis prémios, incluindo o de melhor filme espanhol desse ano.

Baseado no caso verídico de uma menina que morreu, vítima de cancro, aos 14 anos, desenvolve-se como uma espantosa viagem interior pelo seu mundo, pela sua energia vital e também pela seu profundo enraizamento nos valores da fé católica.

Camino (Nerea Camacho) é, assim, uma personagem que vive — e agoniza — entre a pura sensualidade dos gestos mais simples do quotidiano e as exigências de uma entendimento da religião que preconiza uma aceitação "natural" de todas as formas de sofrimento.

O trabalho de Fesser, minucioso, exigente, carregado de finas emoções, oscilando entre real e imaginário, possui a inteligência necessária e suficiente para não ceder a nenhum esquematismo de "exaltação" ou "condenação" da religião: trata-se, isso sim, de colocar em cena as tensões de um modo de viver — e morrer — que envolve tudo e todos, desde o espaço familiar às instituições sociais.

"Camino" ilustra, afinal, uma tendência que podemos detectar em diversas formas de expressão do cinema contemporâneo das mais variadas origens geográficas e culturais: deparamos, assim, com uma revalorização do melodrama, em particular na sua vertente de bisturi dos modos de funcionamento da espaço familiar. É, acima de tudo, um filme que merecia uma evidência e uma visibilidade que, infelizmente, o discreto (e tardio) lançamento só pode contrariar.

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publicado 14:04 - 27 março '11

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