Christian Bale, versão chinesa

Zhang Yimou está de volta a dirigir o actor de Batman: "As Flores da Guerra", um ambicioso épico sobre a segunda guerra sino-japonesa, é a mais cara produção de toda a história do cinema chinês.

Christian Bale, versão chinesa
O intérprete de Batman, aqui sob a direcção de Zhang Yimou: nos cenários bélicos de Nanquim, 1937
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 Christian Bale, versão chinesa
As Flores da Guerra Dirigido por Zhang Yimou, realizador do internacionalmente aclamado "Heróis", e com Christiane Bale e Mi Mi nos principais papéis," As Flores da Guerra" é uma história de amor e guerra - e de um bando de párias que emergem como heróis improváveis das sombras da ocupação de uma cidade. Por vezes lírico e visceral, o filme entra no mundo apocalíptico de Nanjing em 1937, para contar uma vibrante ...

Feliz coincidência (obviamente procurada pela distribuição/exibição): na mesma semana em que surgiu nas salas "O Cavaleiro das Trevas Renasce", último título da trilogia de Batman realizada por Christopher Nolan, estreia-se também "As Flores da Guerra", épico chinês com direcção de Zhang Yimou. Ponto comum aos dois filmes: a presença de Christian Bale como protagonista.

Para além de um testemunho de versatilidade do actor, este é um facto revelador daquilo que está em jogo. A saber: o empenho da produção cinematográfica da China em criar laços cada vez mais fortes com os mercados ocidentais. Por vezes, tal empenho traduz-se em espectaculares investimentos: com um orçamento de quase 100 milhões de dólares (cerca de 80 milhões de euros), "As Flores da Guerra" é maior produção de toda a história do cinema chinês.

Bale surge a interpretar um americano que, durante a ocupação de Nanquim pelas tropas japonesas, em 1937, vai enfrentar um desafio simultaneamente físico e moral para tentar salvar as pupilas de um colégio católico.

Desde os tempos heróicos de "Milho Vermelho" (1987), precisamente quando começou a consolidar-se a presença da China nos festivais internacionais, Zhang Yimou tem-se distinguido por uma muito especial capacidade: a de conciliar a lógica épica dos frescos históricos com uma respiração romanesca em grande parte devedora da mais nobre tradição melodramática (oriental e ocidental).

"As Flores da Guerra" é um belo exemplo dessa capacidade, ao mesmo tempo narrativa e analítica. E com uma dimensão feminina que está longe de ser acidental no universo de Zhang Yimou: de facto, mesmo nas suas mais discretas componentes, este é um cinema que encena as personagens das mulheres com especial cuidado, expondo a tensão paradoxal que se gera entre a sua marginalização simbólica e a sua efectiva importância social.

Em resumo: um filme vibrante que não merecerá ser "engolido" pelas convenções mais ou menos ruidosas do Verão cinematográfico. Até porque, mesmos nos seus muitos particularismos estéticos e iconográficos, o trabalho de Zhang Yimou visa sempre um sentido eminentemente universal.

Crítica de João Lopes
publicado 00:48 - 05 agosto '12

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