Como contar histórias realistas

Ken Loach aborda agora os ecos da guerra do Iraque: "Route Irish/A Outra Verdade" confirma a vitalidade do cinema realista britânico.

Como contar histórias realistas
Mark Womack sob a direcção de Ken Loach: a guerra do Iraque vista a partir da Grã-Bretanha
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 Como contar histórias realistas
Route Irish - A Outra Verdade Setembro de 2004. Fergus (Mark Womack) convence o seu amigo de infância Frankie (John Bishop) a integrar uma equipa de segurança privada em Bagdad em troca de um elevado salário. Na cidade onde a violência e o terror estão instalados, Frankie acaba por morrer num atentado na “Irish Route”, a estrada mais perigosa da cidade. Fergus, sentindo-se culpado e revoltado e rejeitando a explicação ...
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Vale a pena perguntarmos (voltarmos a perguntar) de onde vem a vitalidade do realismo britânico?

O pretexto é, desta vez, "Route Irish/ A Outra Verdade", realização de um dos símbolos maiores desse realismo, Ken Loach. De forma algo insólita, trata-se de um filme que remete para questões especificamente britânicas, a relação de dois amigos de Liverpool, "soldados da fortuna", através de um acontecimento "exterior", isto é, a guerra do Iraque.

Em boa verdade, é por aí que começa a dimensão realista do filme. Trata-se de abordar uma complexa problemática da geopolítica contemporânea, revendo-a (e repensando-a) através dos seus ecos interiores. Dito de outro modo: "Route Irish" possui a energia contagiante de um thriller político, mas funciona também como um drama psicológico eminentemente clássico.

Nada disto é alheio ao trabalho de uma notável galeria de actores (realistas!), a começar pelos protagonistas: Mark Womack e John Bishop. Como não pode ser separado de um invulgar tratamento dos ambientes (realistas!), alicerçado na notável direcção fotográfica de Chris Menges (que tem o seu nome ligado a títulos como "A Missão", de Roland Joffe, e "Michael Collins", de Neil Jordan, respectivamente de 1986 e 1996).

Seja como for, é decisiva a contribuição do argumentista Paul Laverty, colaborador regular de Loach nos últimos 15 anos ("Brisa de Mudança", Palma de Ouro de Cannes/2006, foi escrito por ele). De facto, este é um cinema em que a pulsão realista não pode ser desligada de uma muito exigente arte de contar histórias, afinal enraizada numa tradição cuja energia não se desvanece. Uma tradição que, convém não esquecer, na Grã-Bretanha, liga cinema & televisão.

Crítica de João Lopes
publicado 01:20 - 14 outubro '11

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