Estreia  

Crónica de uma aldeia italiana

Mais um exemplo de um cinema italiano que resiste à formatação televisiva: em "As Quatro Voltas", Michelangelo Frammartino olha para as relações humanas em ambiente rural.

Crónica de uma aldeia italiana
"As Quatro Voltas" ou as histórias de um país esquecido
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 Crónica de uma aldeia italiana
As Quatro Voltas No sul de Itália, nas encostas da Calábria, um velho pastor vive os seus últimos dias numa aldeia medieval quase abandonada. Doente, acredita ter encontrado o remédio milagroso no pó do chão da igreja, que bebe diariamente dissolvido em água. Um cabrito que nasce. Um abeto que dança ao sabor do vento. A árvore no chão. As estações que mudam. Abre-se uma janela no tempo: pessoas e lugares longe ...
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Algures, numa paisagem campestre, um pastor toma conta do seu rebanho. Percebemos que há nele o cansaço de uma vida inteira, porventura os sinais de uma morte que na sua história se começa a pressentir...

Assim começa "As Quatro Voltas", produção italiana com assinatura de Michelangelo Frammartino. Dir-se-ia um olhar descritivo, quase de reportagem, sobre o dia a dia de uma remota aldeia de Itália, bem longe das convulsões dos grandes aglomerados urbanos.

Em todo o caso, a pouco e pouco, sentimos que o efeito documental está contaminado pelas surpresas e convulsões típicas da ficção. Sobretudo de uma ficção que sabe valorizar as componentes de uma visão realista. Não se trata tanto de dar a ver os rituais de uma existência específica, como de utilizar esses rituais como base de uma crónica em que o testemunho social se combina com a observação minuciosa das relações humanas.

"As Quatro Voltas" é mais um exemplo sintomático de um fenómeno que só podemos saudar: há no cinema italiano um novo fôlego que, por um lado, resiste à formatação televisiva e, por outro, insiste em dar conta de um país real, esquecido, recheado de história(s).

Além do mais, registe-se o mais básico: ainda bem que um filme destes passa nas salas e não é sacrificado ao "directo para DVD". O mercado faz-se sempre da valorização da diversidade.

Crítica de João Lopes
publicado 02:39 - 30 abril '11

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