Estreia  

Cuba, séc. XXI

Subitamente, um filme sobre Cuba: sete cineastas de origens e sensibilidades muito diversas filmaram outras tantas histórias sobre o presente dos cubanos. Uma experiência invulgar e motivadora.

Cuba, séc. XXI
Uma imagem do episódio de Elia Suleiman, em "7 Dias em Havana"
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 Cuba, séc. XXI
7 Dias em Havana 7 Dias em Havana é um retrato de Havana em 2011: uma imagem contemporânea desta cidade eclética, cheia de vida e com os olhos no futuro, contada numa longa metragem em 7 capítulos, realizados por 7 reconhecidos realizadores internacionais. Cada episódio acontece num dia da semana, e segue a rotina de vida das suas extraordinárias personagens. Um mundo longe dos conhecidos clichés turísticos, 7 ...

Como é possível fazer um filme sobre Cuba, aqui e agora? Que retrato construir de um país dirigido por um líder como Fidel Castro? Como dar conta do isolamento cubano nas dinâmicas actuais (e passadas) da geo-política? Como abordar a herança dos tempos da Guerra Fria e as especificidades do regime comunista?...

Digamos que um filme como "7 Dias em Havana" é tanto mais interessante quanto evita ficar enredado em tais interrogações. Não se trata, de facto, de construir uma "tese", seja ele política ou de análise histórica, mas sim de procurar encontrar um tom de aproximação do quotidiano das gentes, contando histórias que, de uma maneira ou de outra, reflictam os seus estados de espírito, percepções e vivências.

Estamos, afinal, perante o retorno da tradição do filme de episódios, aqui assumida por um leque invulgar de realizadores: Benicio del Toro (EUA), Pablo Trapero (Argentina), Julio Médem (Espanha), Elia Suleiman (Palestina), Gaspar Noé (França), Juan Carlos Tabío (Cuba) e Laurent Cantet (França).

Naturalmente, a variedade é imensa, desde a parábola existencial de Elia Suleiman (a meu ver, o melhor dos sete episódios) até ao delírio "surreal" de Gaspar Noé (talvez o mais deslocado do conjunto). Fica, em todo o caso, uma certeza: a colaboração da produção (Espanha/França) com as instituições locais (o Instituto de Cinema de Cuba, em particular) deixa uma perspectiva de abertura diplomática e cruzamento cultural que importa registar e valorizar.

Crítica de João Lopes
publicado 03:27 - 13 setembro '12

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