Estreia  

Da Dinamarca, com um Oscar

"Num Mundo Melhor" é coisa rara no mercado: um filme dinamarquês, para mais empenhado em abordar algumas formas de violência na escola. Ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Da Dinamarca, com um Oscar
Markus Rygaard e William Johnk Nielsen: uma parábola social vinda da Dinamarca
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Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Da Dinamarca, com um Oscar
Num Mundo Melhor Anton é um médico que divide o seu tempo entre a sua casa numa cidade idílica da Dinamarca, e o seu trabalho num campo de refugiados em África. Nestes dois mundos tão distintos, ele e a sua família enfrentam conflitos que os vão levar a escolhas difíceis entre a vingança e o perdão. “Num Mundo Melhor” proporciona uma visão única e fascinante sobre a complexidade das emoções humanas, a mágoa e a ...

Terá sido este o "melhor" filme (não falado em inglês) de 2010? A resposta é claramente duvidosa... Mas é um facto que "Num Mundo Melhor" arrebatou, em Hollywood, o Oscar de melhor filme estrangeiro. Em todo o caso, evitemos o infantilismo corrente: não é o "melhor" ou o "pior" que está em causa, mas sim o facto de aquela distinção conferir ao filme uma visibilidade muito para além do normal.

Estamos perante uma produção de raiz dinamarquesa (em coprodução com a Suécia) que, afinal, possui um claro apelo universal. Através das suas personagens centrais, somos confrontados com uma situação de violência na escola que surge em permanente contraponto com a experiência de uma dessas personagens, um médico, num país africano devastado pela guerra.

Realizado por Susanne Bier, que também escreveu o argumento (em colaboração com Anders Thomas Jensen), "Num Mundo Melhor" possui o fôlego de uma parábola social, com a vantagem de saber manter um realismo muito estrito no modo de encenação do quotidiano. Nesse aspecto, o desejo de realismo que aqui se manifesta é cúmplice de muitas outras experiências do cinema contemporâneo das mais variadas origens.

Seja como for, creio que o maior trunfo do trabalho de Susanne Bier é a sua capacidade de lidar com os mais jovens sem os encerrar em estereótipos mais ou menos telenovelescos, "morangos com açúcar" e afins... Há, aqui, uma verdade das presenças e das atitudes que, além do mais, radica numa metódica direcção de actores. Nomes a reter: Markus Rygaard e William Johnk Nielsen, os dois jovens protagonistas.

Crítica de João Lopes
publicado 00:25 - 07 abril '11

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