De Shangai, com amor

Realizador atento às convulsões da China contemporânea, Jia Zhang-ke regressa com "Histórias de Shangai", um filme apostado em revisitar as memórias plurais de uma grande metrópole.

De Shangai, com amor
"Histórias de Shangai": 18 personagens para conhecermos uma grande metrópole chinesa
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 De Shangai, com amor
Histórias de Shanghai - Quem me dera saber Xangai tem sido ao longo dos tempos uma metrópole em constante mutação. Por ela têm passado todos os géneros de pessoas: dos artistas aos soldados, dos revolucionários aos capitalistas, dos políticos aos gangsters. E, talvez pelo seu ecletismo, Xangai assistiu também a um rol tão imenso quanto diverso de assassinatos, revoluções ou histórias de amor. Depois da vitória comunista em 1949, agravada ...
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Critica "Histórias de Shangai - Quem me dera Saber"

Hoje em dia, os modos de aproximação do quotidiano definem uma fundamental linha de força do cinema. Filmes e cineastas das mais diversas paragens confrontam-se com uma dicotomia antiga, mas especialmente intensa nos últimos anos. A saber: como investir no documento, sem renegar as possibilidades de o cruzar com a ficção?

O cineasta chinês Jia Zhang-ke tem reflectido tal dicotomia no seu trabalho, em especial no notável "24 City" (2008), sobre o desenvolvimento arquitectónico de Pequim nas vésperas dos Jogos Olímpicos. Agora, através de "Histórias de Shangai - Quem me Dera Saber", encontramos um prolongamento directo da sua linguagem, desta vez centrando-se na "mais ocidental" das grandes metrópoles da China.

É um filme que cruza as entrevistas com as deambulações pelos lugares emblemáticos da cidade, segundo uma lógica que tem tanto de descritivo como de poético. Ou melhor: em que o gosto da descrição apela à deriva poética e, em última instância, a uma confissão de amor pela cidade e pelo país.

A partir de 18 pessoas de Shangai, com origens e experiências de vida muito diversificadas, Jia Zhang-ke constrói um objecto que, até certo ponto, parece obedecer a um princípio "sociológico" de raiz televisiva. Em boa verdade, dele se vai afastando, deixando uma irónica interrogação existencial: somos aquilo que dizemos que somos ou, ao tentarmos dizer o que somos, estamos a inventar uma nova ficção a que damos o nome de autobiografia?

Crítica de João Lopes
publicado 11:50 - 13 novembro '11

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