Estreias  

Elle Fanning, uma mulher do século XXI

Max Minghella estreia-se na realização com uma visão simples e sóbria do mundo dos concursos televisivos para jovens talentos: "Teen Spirit" é também um testemunho exemplar do talento de Elle Fanning.

Elle Fanning, uma mulher do século XXI
Elle Fanning em "Teen Spirit" — para além dos clichés televisivos
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Nascida em 1998 (completou 21 anos a 9 de Abril), Elle Fanning é uma actriz cuja carreira se confunde com a evolução da sua própria identidade. Basta lembrar que a descobrimos com 2 anos de idade, contracenando com Sean Penn em "I Am Sam - A Força do Amor" (2001), interpretando em "flashback" a personagem que pertencia à sua irmã mais velha, Dakota Fanning. Por isso, a versatilidade da sua interpretação em "Teen Spirit" será tudo menos uma surpresa.

O filme recebeu o subtítulo português "Conquista o Sonho", palavra de ordem algo fútil e, sobretudo, desnecessária. Estamos perante o peculiar universo de um concurso televisivo para jovens cantores — intitulado, precisamente, "Teen Spirit" — e a personagem central, Violet (Fanning), não se esgota no cliché de "conquistar o sonho". Em boa verdade, se ela conquista alguma coisa é a sua própria identidade: Max Minghella, filho de Anthony Minghella ("O Paciente Inglês") e realizador estreante, secundariza o aparato televisivo para privilegiar as convulsões familiares e emocionais.


Curiosamente, há na história de Violet um cruzamento de referências geográficas e culturais que, de alguma maneira, pode simbolizar a sua energia dramática: ela vive na ilha de Wight (a ilha mais populosa da Inglaterra, no sul, junto à costa de Hampshire) com a sua mãe polaca (Agnieszka Grochowska); quem lhe vai servir de mentor e professor é um ex-cantor de ópera de origem croata (Zlatko Buric). Dir-se-ia, assim, que a saga de Violet se confunde com uma procura eminentemente pessoal que acaba por arrastar um sugestivo apelo universal.

Elle Fanning, que vimos mais recentemente em "Mulheres do Século XX" (Mike Mills, 2016) ou "Mary Shelley" (Haifaa Al-Mansour, 2017), consegue a proeza de compor uma Violet inserida num universo de muitos clichés e formatações, de alguma maneira superando os respectivos limites simbólicos. A ponto de interpretar as próprias canções — eis o exemplo de "Wildflowers".

Crítica de João Lopes
publicado 19:42 - 25 abril '19

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