PINTA A PAREDE, de Banksy  

Entre a rua e o museu

A arte do "graffiti" tem em Banksy uma das suas expressões mais típicas, e também mais lendárias: "Pinta a Parede!" é um filme de celebração dos seus métodos e valores.

Entre a rua e o museu
Banksy no seu próprio filme: o artista da rua (ou o seu fantasma)
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 Entre a rua e o museu
Banksy - Pinta a Parede! Banksy, um artista de rua, assina este documentário que traça a história da street culture, um movimento cultural de rua, como o nome indica. Banksy, Shephard Fairey e Invader são alguns dos artistas retratados nesta obra, alguns dos nomes mais famosos associados aos graffittis. O documentário levanta ainda várias questões relacionadas com as várias perspetivas sobre os artistas de rua e o que ...

Afinal, quem é o misterioso Banksy que se apresenta (e oculta...) no filme "Pinta a Parede!"? Um artista secreto, escondido no seu capuz? Uma voz (tecnicamente deformada) que exprime toda uma sensibilidade contemporânea? Um manipulador mediático que sabe criar eventos?

Provavelmente, a resposta é: um pouco de tudo isso. Ou seja: um fenómeno muito típico do nosso tempo em que a intervenção pública se mede menos pelo que nela se diz/representa, e mais pela sua capacidade de ocupação de lugares tradicionalmente alheios a tal intervenção. Paredes, por exemplo.

"Pinta a Parede!" (título original: "Exit Through the Gift Shop") é um documentário tão sedutor quanto limitado. Em boa verdade, talvez o possamos definir mais como um panfleto da arte do graffiti. Banksy, realizador "ausente" e "invisível", concentra-se sobretudo na figura de Thierry Guetta e nas suas proezas artísticas para definir o imaginário de uma arte que, por princípio, resiste à pompa organizada dos museus.

E talvez seja essa a questão mais interessante que por aqui perpassa. A saber: a hipótese de assistirmos à emergência de uma arte efémera, ligada ao turbilhão dos espaços públicos, por assim dizer dispensando a quietude, a calma e a exigência formal dos espaços museológicos. Será que ficamos melhor assim? Em boa verdade, essa é a pergunta o filme evita enfrentar.

Crítica de João Lopes actualizado às 11:26 - 26 maio '11
publicado 11:24 - 26 maio '11

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