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Entre caricatura e intimismo

Inspirado em factos verídicos, "Ousadas e Golpistas" faz o retrato de um grupo de "strippers" de Nova Iorque atingidas pelas convulsões da crise financeira de 2008 — há quem diga que Jennifer Lopez pode chegar às nomeações para os Oscars...

Entre caricatura e intimismo
Jennifer Lopez e Constance Wu — a caminho dos Óscares?
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Com uma certa surpresa, convenhamos, o filme "Ousadas e Golpistas" [título original: "Hustlers"] surge com alguma evidência na corrida para os próximos prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (a atribuir no dia 9 de Fevereiro de 2020). Isto porque muitos analistas americanos da indústria consideram que Jennifer Lopez tem sérias hipóteses de chegar à nomeação para o Oscar de melhor actriz.

Ela consegue, de facto, uma composição elaborada e subtil na figura de Ramona, uma "stripper" novaiorquina, de alguma maneira atingida pela crise financeira de 2008 (e pelo consequente desparecimento de clientes vindos de Wall Street...). Mas é um facto que a personagem central é a sua amiga Destiny, interpretada com igual energia por Constance Wu, por certo também merecedora de algum reconhecimento.


Infelizmente, o filme parece ter alguma dificuldade em encontrar o tom certo para a narração das suas peripécias (baseadas em factos verídicos), oscilando de modo algo desordenado entre a caricatura social e o intimismo dramático — aliás, a meia hora final possui uma genuína intensidade emocional que contrasta com a ligeireza de quase tudo o resto.

Sublinhe-se, ainda assim, o modo como a realização de Lorene Scafaria vai privilegiando as personagens, contrariando o eventual "pitoresco" associado a este universo de muitos artifícios espectaculares, mas cruelmente marcado pela circulação do dinheiro.

Dela conhecíamos "Até que o Fim do Mundo nos Separe" (2012), com Steve Carell e Keira Knightley, uma insólita comédia romântica contaminada por um bizarro toque de ficção científica — "Ousadas e Perigosas" reflecte, pelo menos, a preocupação de contornar os clichés dos próprios modelos narrativos que o seu trabalho convoca.

Crítica de João Lopes actualizado às 23:44 - 28 setembro '19
publicado 23:41 - 28 setembro '19

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