Formalismo japonês
Erika Karata e Masahiro Higashide — uma desilusão vinda do Japão

Cannes 2018  

Formalismo japonês

Mais um filme japonês a concorrer em Cannes: "Asako", de Ryusuke Hamaguchi, é um exemplo banal de formalismo, não se percebendo muito bem como e porquê está na secção competitiva.

É uma espécie de tradição perversa... Em Cannes, há sempre um filme que nos suscita uma pergunta rudimentar: com tantas coisas interessantes nas outras secções, como é possível que um objecto tão banal como "Asako", de Ryusuke Hamaguchi, esteja presente na competição oficial?

É daqueles casos em que, apesar de tudo, podemos dizer que há um ponto de partida sugestivo. A saber: Asako (Erika Karata) vive o luto afectivo pela perda do seu grande amor, até que, dois anos mais tarde, encontra um sósia... Parecendo redescobrir a intensidade emocional do passado, vai perceber que nada é tão simples...


De facto, as histórias dos filmes não são apenas as suas peripécias. Vivem do modo de tratamento dos seus elementos figurativos e dramáticos, assim criando um universo cinematográfico específico. Mas o que pode acontecer quando o único programa narrativo consiste em criar imagens muito "limpas", reduzindo as personagens a marionetas de um método banalmente formalista?

Se pensarmos no outro filme japonês já visto na competição oficial — "Une Affaire de Famille/Shoplifters", de Hirokazu Kore-eda —, não podemos deixar de sublinhar as diferenças: enquanto Hamaguchi se perde nos adornos da sua realização, Kore-eda define o factor humano como matéria essencial de todas as suas escolhas.

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publicado 00:39 - 16 maio '18

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