GARLAND, Judy
"Assim Nasce uma Estrela": a versão de 1954 é com Judy Garland

DVD Memória  

GARLAND, Judy

Renée Zellweger tem o seu melhor papel de sempre no filme "Judy", proeza tanto mais especial quanto se tratava de evocar uma figura lendária, indissociável do espectáculo e da mitologia da idade de ouro de Hollywood.

O novo filme “Judy”, com a magnífica Renée Zellweger no papel de Judy Garland (1922-1969), é uma evocação crua, desencantada, mas também plena de ternura. E convenhamos que não haveria muitas formas de começar para além da evocação inevitável (eu diria compulsiva) de “O Feiticeiro de Oz” — foi em 1939 e há muito que a canção “Over the Rainbow” faz parte do imaginário cinéfilo e, em boa verdade, da cultura popular.


Judy Garland celebrou o seu 17º aniversário nesse ano de 1939 e é verdade que a sua imagem de anjo inocente pesou, e pesou muito, no próprio desenvolvimento da sua carreira. Paradoxalmente ou não, o certo é que essa imagem ficou também associada a uma série de filmes belíssimos em que a música era, de facto, um genuíno ritual de alegria. Vale a pena lembrá-la na companhia da pequenita e genial Margaret O’Brien num filme de 1944: chama-se “Meet Me in St. Louis”, entre nós “Não Há Como a Nossa Casa”; a realização é de um mestre, Vincente Minnelli — do seu casamento com Judy Garland nasceria, dois anos mais tarde, em 1946, Liza Minnelli; em 1944, Judy Garland tinha 22 anos, Margaret O’Brien tinha sete.


Mas importa não esquecer que Judy Garland, símbolo da alegria do espectáculo, foi também uma actriz capaz de representar os mais extremos contrastes dramáticos, por vezes, é verdade, reflectindo de forma mais ou menos ambígua as convulsões da sua própria vida privada. Assim aconteceu em 1954 no admirável “Assim Nasce uma Estrela”, essa história dos bastidores do espectáculo que Bradley Cooper refez com Lady Gaga. Sob a direcção de outro mestre, George Cukor, Judy Garland cantava assim “The Man that Got Away”.


Judy Garland faleceu há pouco mais de meio século, a 22 de Junho de 1969, contava apenas 47 anos. A sua herança permanece como um prodígio criativo em que a arte do palco e o fulgor do cinema se cruzam, confundem e celebram. Vale a pena, por isso mesmo, redescobrir aquele que é, talvez, o seu mais lendário espectáculo. Foi em Nova Iorque, no Carnegie Hall, num domingo, dia 23 de Abril de 1961.

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publicado 18:14 - 18 outubro '19

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