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George Clooney em tom de ficção científica

Assumindo uma vez mais a dupla condição de actor e realizador, George Clooney propõe uma saga de ficção científica: "O Céu da Meia-Noite" tenta escapar aos clichés do género, com resultados apenas medianos.

George Clooney em tom de ficção científica
George Clooney e Caoilinn Springall: no ano de 2049, algures no planeta Terra
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 George Clooney em tom de ficção científica
O Céu da Meia-Noite Esta história segue Augustine (George Clooney), um cientista solitário que se encontra no Ártico, numa corrida contra o tempo para impedir Sully (Felicity Jones) e os astronautas que a acompanham de regressarem a uma Terra 'silenciada' por uma misteriosa catástrofe global. Clooney realiza esta adaptação do aclamado romance de Lily Brooks-Dalton "Good Morning, Midnight", com Oyelowo, Kyle ...

O menos que se pode dizer das escolhas de George Clooney enquanto realizador é que são, no mínimo, contrastadas. Para nos ficarmos por dois exemplos (entre os seis títulos que já dirigiu), lembremos a evocação do jornalismo da CBS durante a época "maccartista", em "Boa Noite, e Boa Sorte" (2005), e "Os Caçadores de Tesouros" (2014), sobre os soldados encarregados de recuperar as obras de arte roubadas pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial.

Agora, com produção e difusão da Netflix, ele surge a assinar "O Céu da Meia-Noite", um drama de ficção científica tanto mais insólito quanto a sua personagem central, um cientista (interpretado pelo próprio Clooney), vive uma espécie de inversão de uma matriz clássica da ficção científica. Assim, em 2049, ele é Augustine Lofthouse, um dos poucos que ficou na Terra depois de uma ocorrência apocalíptica e assume uma missão bizarra: tentar contactar uma nave que regressa de Júpiter, não para ajudar a tripulação a aterrar no nosso planeta, antes para os impelir a voltar para trás.

O aspecto mais curioso do filme está longe de encaixar nas variantes tradicionais da ficção científica. Trata-se, em boa verdade, de uma saga de sobrevivência partilhada com uma menina, de nome Iris (Caoilinn Springall), que se instala de forma tanto mais enigmática no seu quotidiano quanto parece não ter capacidade de falar...

É pena que a história se enrede com uma série de "flashbacks" susceptíveis de esclarecer a origem de Iris e o passado do cientista. Na verdade, cada um desses momentos, para mais tratado com um diferente e muito retórico cromatismo, parece "interromper" a própria acção, afastando-nos do mais interessante. A saber: a relação de Augustine e Iris, com os seus prolongados silêncios, atravesados por muitas emoções contraditórias. Sobra a competência técnica do projecto e mais um belo trabalho de um dos colaboradores habituais de Clooney, Alexandre Desplat, compondo uma banda sonora de muitas nuances dramáticas.

Crítica de João Lopes
publicado 23:58 - 14 janeiro '21

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