Humor & pessimismo de Woody Allen

Ainda a deambular pela Europa, Woody Allen filma agora a Cidade Eterna: "Para Roma, com Amor" é uma saborosa antologia de histórias cruzadas envolvendo actores como Roberto Benigni, Jesse Eisenberg e Penélope Cruz.

Humor & pessimismo de Woody Allen
Roberto Benigni filmado por Woody Allen: a comédia e o pesadelo de ser "famoso"
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 Humor & pessimismo de Woody Allen
Para Roma, Com Amor "Para Roma, Com Amor" é uma comédia caleidoscópica passada numa das cidades mais encantadoras do mundo. O filme dá-nos a conhecer um reconhecido arquitecto americano a reviver a sua juventude; um morador de Roma de classe média, que subitamente se torna na maior celebridade da cidade; um jovem casal da província com diferentes desencontros românticos; e um diretor de ópera americana que se ...

Há no novo filme de Woody Allen, "Para Roma, com Amor", uma personagem incrível, Leopoldo de seu nome, numa magnífica interpretação de Roberto Benigni. Ele é um dos heróis de pés de barro do mundo contemporâneo. Ou seja: um "famoso". Constantemente perseguido pelas câmaras, de facto não sabe porque é que se interessam por ele. O certo é que lhe fazem perguntas transcendentais que envolvem temas esotéricos como, por exemplo, o que comeu ao pequeno almoço ou como lava o cabelo...

Tanto bastaria para compreendermos o pessimismo existencial que há muito tomou conta do cinema de Woody Allen. Na verdade, ele provém de um mundo diferente em que as relações humanas ainda não tinham sido minadas por exemplos como o de Leopoldo, em que a estupidez televisiva vai transformando o quotidiano numa agitação histérica e, no limite, inabitável. Ao mesmo tempo, Woody Allen não desiste daquilo que é, obviamente, uma das suas imagens de marca: o humor. Daí que "Para Roma, com Amor" seja uma comédia tão cruel nas suas observações sociais quando carinhosa na atenção que presta às singularidades afectivas das suas personagens.

É bem verdade que Woody Allen está longe da elegância e complexidade de outros dos seus filmes corais, sendo talvez "Ana e as suas Irmãs" (1986) o modelo perfeito dessa tendência peculiar da sua obra. Ainda assim, o cruzamento de histórias de "Para Roma, com Amor" vai gerando uma espécie de novo tecido urbano em que, para além dos clichés turísticos da Cidade Eterna (que Woody Allen filma com evidente prazer, para mais ajudado pela notável direcção fotográfica de Darius Khondji), descobrimos as infinitas nuances das histórias individuais.

Naturalmente, a "avalancha" de actores é um dos trunfos de "Para Roma, com Amor". Por um lado, reencontramos o próprio Woody Allen (e parece que ele faz sempre falta quando não aparece nos seus próprios filmes), compondo a figura neurótica (!) de um reformado, casado com a personagem de Judy Davis, que falhou uma grande carreira como cenógrafo do teatro de ópera... Por outro lado, há gente tão diversa e tão talentosa como Alison Pill, Alec Baldwin, Jesse Eisenberg, Penélope Cruz e Ellen Paige.

Crítica de João Lopes
publicado 16:27 - 20 setembro '12

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