Estreia  

Intimidade norueguesa

Discretamente, neste nosso Verão cinematográfico, chega um retrato de um toxicodependente que tenta reconstruir a sua vida: "Oslo, 31 de Agosto" tem uma bela interpretação de Anders Danielsen Lie.

Intimidade norueguesa
Anders Danielsen Lie: um retrato íntimo, proveniente da Noruega
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 Intimidade norueguesa
Oslo, 31 de Agosto Anders está prestes a terminar o programa de reabilitação no campo. Como parte do tratamento, foi autorizado a ir à cidade a uma entrevista de emprego. Mas ele aproveita-se desta licença e prolonga a estadia na cidade, passeando e encontrando-se com amigos que já não vê há algum tempo. Anders tem 34 anos, é inteligente, bemparecido e de boas famílias, mas é atormentado pelas oportunidades ...

Eis um bom exemplo das "margens" de um mercado. Eis, acima de tudo, um exemplo de um filme que merecia mais do que uma discreta presença nas salas... Merece, acima de tudo, que os espectadores descubram a sua delicada sensibilidade e rigor dramático: "Oslo, 31 de Agosto" é um retrato íntimo da toxicodependência, evitando estereótipos e discursos moralistas.

Proveniente da Noruega, realizado por Joachim Trier, "Oslo, 31 de Agosto" encena a experiência de um toxicodependente que, depois de um período de tratamento, tenta encontrar aqueles que, de uma maneira ou de outra, marcavam a sua existência. Mais do que uma crónica "sociológica", trata-se de um retrato individual, tão especial quanto irredutível.

Mantendo-se num registo de austero realismo, "Oslo, 31 de Agosto" tem as suas raízes num outro filme e, através deste, num romance. Mais concretamente: foi em 1963, em pleno período de euforia da Nova Vaga francesa, que Louis Malle dirigiu "Le Feu Follet/Fogo Fátuo", uma desencantada visão da experiência de um homem alcoólico que tentava refazer a sua existência; na origem do filme de Malle estava o romance homónimo de Pierre Drieu La Rochelle, publicado nos anos 30.

Em qualquer dos casos, a contribuição dos actores é decisiva. Na versão de 1963, Maurice Ronet, um actor nem sempre devidamente lembrado, era o protagonista. Agora, sob a direcção de Joachim Trier, descobrimos o magnífico Anders Danielsen Lie: num registo de grande contenção, ele consegue expor as convulsões de uma história que transcende qualquer lógica "novelesca".

Crítica de João Lopes actualizado às 15:34 - 03 setembro '12
publicado 23:57 - 01 setembro '12

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