A ÁRVORE DA VIDA, de Terrence Malick  

Labirintos da família

Vale a pena regressarmos à Palma de Ouro de Cannes: "A Árvore da Vida" é um filme que oscila do visível ao invisível, desafiando os limites do próprio cinema.

Labirintos da família
"A Árvore da Vida": a vida de família em contacto com imensidão do cosmos
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Entre as muitas reflexões já suscitadas por "A Árvore da Vida", valerá a pena sublinhar uma das suas dimensões mais óbvias, mas também mais perturbantes: trata-se de uma saga familiar em que cada um é sujeito a um processo de interrogação que vai pôr em causa a nitidez do seu papel e das suas relações com os outros.

Dito de outro modo: Terrence Malick encena a odisseia do par representado por Brad Pitt e Jessica Chastain como um labirinto que compromete as suas emoções mais secretas e, para além disso, a própria nitidez do mundo à sua volta. Daí a incrível démarche do filme: começamos no intimismo do melodrama, vogamos até à dimensão cósmica e regressamos a um tempo em que vida e morte parecem coexistir sem conflito.

Numa altura em que a vocação realista do cinema volta a estar em equação, o trabalho de Malick desloca a sua própria formulação. Que é como quem diz: para ele, o realismo, arte do visível, não é incompatível com a atracção do invisível, com tudo aquilo que parece já não caber numa imagem (ou num som). "A Árvore da Vida" é, afinal, um filme sobre a possibilidade de refazer o nosso olhar sobre o mundo.

Crítica de João Lopes
publicado 01:23 - 31 maio '11

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