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Marvel duplica Marvel

As sagas de super-heróis continuam a pontuar o calendário do mercado. Com "Black Panther", a Marvel recupera a personagem de um rei negro de uma nação africana fictícia — infelizmente, é a rotina de produção que triunfa.

Marvel duplica Marvel
No reino de Wakanda: da invenção da cenografia aos lugares-comuns da narrativa
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 Marvel duplica Marvel
Black Panther O filme da Marvel Studios "Black Panther" conta a história de T'Challa, que depois da morte do seu pai, o Rei de Wakanda, volta a casa, à nação africana isolada e tecnologicamente avançada para subir ao trono e as sumir o seu lugar como rei. Mas, quando um antigo e poderoso inimigo reaparece, a força de T'Challa como rei e Pantera Negra é testada, quando é atraído para um conflito que coloca o ...

Será que há maneira de escapar às rotinas instaladas nos filmes de "blockbusters", em particular no interior do universo Marvel? Talvez, porque não? Mas, além do mais, seria preciso que a Marvel o quisesse... Estamos, de facto, perante uma máquina de produção que cada vez mais parece satisfazer-se com a infinita repetição de efeitos visuais derivados dos jogos de video.

Há que reconhecer que "Black Panther" poderia ter sido diferente. Trata-se, afinal, de recuperar um herói criado pela dupla Stan Lee/Jack Kirby em 1966 — o rei de um reino fictício de África, Wakanda, que tem a particularidade de ser negro. Mas qual a diferença entre um estereótipo de cor branca e um estereótipo de cor negra? Nenhuma, em boa verdade.

Dirigido por Ryan Coogler, o filme começa por se esforçar por construir qualquer coisa que, apesar de tudo, no plano cenográfico, sugira alguma novidade. Certas paisagens do reino de Wakanda decorrem de uma concepção visual que se quer próxima de uma certa sugestão mitológica, não necessariamente "futurista". O certo é que produções deste género rapidamente esbanjam todas as suas potencialidades na satisfação de um formato "espectacular" que admite poucas variações...

Seja como for, registe-se que, nos EUA, "Black Panther" tem suscitado um curioso debate centrado no(s) modo(s) de representação das personagens afro-americanas, do realismo à ficção científica — e não há dúvida que a conjuntura política alimenta os contrastes e contradições desse debate. Vale a pena segui-lo, até porque as suas incidências são mais interessantes que o débil objecto de cinema que o motiva.

Crítica de João Lopes
publicado 01:59 - 16 fevereiro '18

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