Crítica: "Um Ano Mais"  

Mike Leigh ou um obstinado realismo

O realismo britânico está bem e recomenda-se: "Um Dia Mais", de Mike Leigh, foi um dos grandes acontecimentos de Cannes/2010 e chega agora às salas portuguesas.

Mike Leigh ou um obstinado realismo
O espaço familiar segundo Mike Leigh
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 Mike Leigh ou um obstinado realismo
Um Ano Mais "Um Ano Mais” conta a história de um casal de meia-idade com um casamento feliz, que vai dando apoio aos problemas dos que lhes estão próximos. O drama é narrado em quatro actos – factos distintos que combinam com as estações do ano: na Primavera, a visita de uma amiga do casal que se encontra a passar por uma crise de meia-idade; no Verão, a chegada de um amigo de longa data, alcoólatra e ...
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Critica " UM ANO MAIS "

Há uma espécie de obstinação no trabalho de Mike Leigh. Começa na paciente atenção aos sinais do quotidiano, passa pelo rigor na direcção dos actores, enfim, desemboca na construção de histórias profundamente ligadas aos afectos e ansiedades do nosso presente. Isso tem um nome, claro: realismo. E remete para uma tradição, porventura a mais perene e consiste de toda a produção europeia: o realismo britânico.

O mais recente filme de Mike Leigh — "Um Ano Mais" ("Another Year") — foi olhado com alguma indiferença por alguns jornalistas presentes no Festival de Cannes de 2010. Dir-se-ia que reagiam a "mais do mesmo". Num certo sentido, tinham razão: Leigh não se finge "vanguardista" e não aceita submeter-se à medíocre "sociologia" das ficções televisivas — permanece fiel a valores em que acredita.

O que mostra um filme como "Um Ano Mais" — centrado num casal cujo envelhecimento os transformou num reduto de "salvação" para alguns dos seus familiares e amigos — é essa intransigência com que se mostra a (falsa) banalidade da vida de todos os dias. Descobrindo, afinal, o carácter irredutível de cada ser humano.

Seria uma pena, sobretudo, que um filme destes fosse reduzido a uma coisa supérflua apenas porque não possui a ostentação das mais modernas técnicas de efeitos especiais... É bem verdade que muitas formas de marketing nos querem convencer que filmar é produzir uma espécie de fogo de artifício, ruidoso e efémero. Felizmente, ainda há cineastas como Mike Leigh que não esquecem que somos humanos, demasiado humanos.

  • Mike Leigh ou um obstinado realismo
    Cinema Europeu
    Viva o realismo inglês!
    A tradição realista continua a dar cartas na paisagem do cinema inglês — "Isto É Inglaterra", de Shane Meadows é uma notável evocação ...
Crítica de Crítica, 2011 actualizado às 11:32 - 28 janeiro '11
publicado 00:46 - 27 janeiro '11

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