Na morte de Laura Soveral
Laura Soveral (com João Guedes) em "Uma Abelha na Chuva" (1972), de Fernando Lopes

Obituário  

Na morte de Laura Soveral

Notável actriz de cinema, teatro e televisão, Laura Soveral faleceu com 85 anos de idade — entre os títulos marcantes da sua filmografia incluem-se "Uma Abelha na Chuva" (1972) e "Tabu" (2012).

Poderá ser uma surpresa (ou talvez não). O certo é que quando recordamos a notável e multifacetada carreira cinematográfica de Laura Soveral — falecida no dia 12 de Julho, contava 85 anos — não podemos deixar de sublinhar a invulgar quantidade de títulos em que participou.

Não foi uma actriz exclusiva de cinema. Longe disso: a sua carreira é também indissociável da televisão e dos palcos. Em meados da década de 60, quando veio viver para Lisboa (vinda de Benguela, Angola, onde nasceu a 23 de Março de 1933), começou a representar no Grupo Fernando Pessoa, dirigido por João d'Ávila, assim iniciando uma também brilhante carreira teatral que a levou a muitos palcos (D. Maria II, São Luiz, Teatro Aberto, etc.), numa trajectória em que a versatilidade sempre coexistiu com a subtileza da representação.
 
Os dois títulos mais marcantes da sua filmografia serão, muito provavelmente, "Uma Abelha na Chuva" (1972), de Fernando Lopes, e "Tabu" (2012), de Miguel Gomes — o primeiro, em que contracenava com João Guedes e Zita Duarte, ficou como momento fulcral do Cinema Novo, reinventando de forma genial o romance de Carlos de Oliveira; o segundo propõe uma revisitação, entre o desencanto e a ironia, do nosso passado colonial [trailer].


Entre os cineastas que dirigiram Laura Soveral incluem-se ainda, por exemplo, António Pedro Vasconcelos ("Oxalá", 1981), Teresa Villaverde ("Os Três Irmãos", 1993), José Fonseca e Costa ("Cinco Dias, Cinco Noites", 1996), Luís Filipe Rocha ("Adeus, Pai", 1996), Marco Martins ("Alice", 2005) e Bruno de Almeida ("The Lovebirds", 2007).

Laura Soveral sofria de esclerose lateral amiotrófica e encontrava-se internada no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. A actriz tinha decidido doar o seu corpo à ciência, pelo que não haverá cerimónias fúnebres.

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publicado 23:59 - 12 julho '18

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